sábado, 2 de fevereiro de 2019

EDITORIAL JOSÉ NUNO MARTINS - JORNAL "O BENFICA"


OS (VAR)DADEIROS DA MENTIRA DESPORTIVA





(Alguns arranjos de formatação são próprios)

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Imaginem os acompanhantes do futebol nacional que após as declarações sincronizadas desta semana, sobre arbitragem, de Frederico Varandas e Sérgio Conceição, o Conselho de Arbitragem viria a designar para o jogo Sporting Benfica, de Domingo, o árbitro Artur Soares Dias (ASD).

Se bem se recordam, o que treina disse que os árbitros tinham de ser protegidos. O que preside disse que o Benfica queria condicionar os árbitros. Logo, o Benfica não pode questionar as arbitragens e as nomeações. Deve contribuir com o seu silêncio para o bom desempenho desta função fundamental do jogo.


Retórica, meus caros! Pura Retórica. Estratégia de comunicação montada e implementada para apresentar ASD, outra vez, como árbitro de um jogo mais decisivo para o Benfica do que para o Sporting.

Vejamos alguns motivos de apreensão que partilho…


Na temporada 2011-2012, na última vitória do SCP sobre o Benfica em Alvalade, aos 2 minutos ASD não marca penalti para o Benfica por derrube sobre Gaitan. Pouco tempo depois assinala penalti para o SCP em lance muito duvidoso. Luisão é expulso nesse jogo.

Em 2015-2016 o Benfica vence o SCP de Jorge Jesus com um golo de Mitroglou e alguma sorte na segunda parte, convenhamos! ASD não influenciou diretamente o resultado mas permitiu um jogo especialmente pressionante do SCP na segunda parte, optando por não assinalar várias faltas sobre os benfiquistas.

Época 2016-2017, novamente com ASD. Aos 4 minutos penalti a favor do SCP. Bem assinalado por falta de Ederson. Aos 40 minutos falta claríssima na área sobre Grimaldo. Não marcada. Aos 41 minutos empurrão de Bruno César a Lindelof junto à pequena área quando este ia cabecear para a baliza. Não marcado. Aos 42 minutos William puxa o ombro de Rafa, que estava isolado perante Rui Patrício. Não marcado. Só que na segunda parte foi impossível impedir o míssil de Lindelof que empurrou o Benfica para o Tetra.


Nos jogos em que intervém o FC Porto a estatística de ASD não engana.

Recorrendo a dados estatísticos das últimas 10 épocas, de acordo com a magistral compilação do blogue “influência arbitral”, verificamos que o Benfica tem uma média de sucesso desportivo de 80% dos pontos ganhos, mas nos 28 jogos arbitrados por ASD o Benfica conquistou, apenas, 64% dos pontos em disputa, ou seja, com este árbitro o Benfica desce 17% o seu rendimento desportivo.

Notável!

Comparativamente, das 4 equipas que disputam o título o Benfica é o candidato que mais diminuiu o seu rendimento médio. A este facto não é alheio o registo de grandes penalidades. Com ASD nas últimas 10 épocas o Benfica sofreu 6 grandes penalidades e beneficiou de 5.

O registo é quase inexplicável para uma equipa que ataca muito mais do que defende e que, em regra, é das mais concretizadoras do campeonato.

Mas há mais curiosidades quando escrutinamos a relação de ASD e o FC Porto.



Este árbitro apita mais vezes esta equipa em jogos grandes e nesses jogos a média do rendimento desportivo não oscila. O FC Porto tem muita sorte nos “jogos grandes” apitados por ASD porque o nível de dificuldade passa a ser igual ao dos outros jogos. Mas quando o árbitro é outro, a média do rendimento desportivo do FC Porto nos jogos grandes piora.

O que é lógico, atendendo à maior competência dos oponentes.

No ano em que o Benfica discutia o Tetra, em 5 de Janeiro de 2017, ASD foi ameaçado de morte por adeptos identificados com objetos do FC Porto. Prudencialmente, ASD, com este registo e este episódio, não devia apitar jogos de grau de dificuldade elevado, que pudessem influenciar diretamente a disputa de títulos entre Benfica e Porto.
Só que o Conselho de Arbitragem, ciente destes factos, nomeou ASD para o Benfica – Porto, em Abril passado, com o registo que se conhece. O jogo decidiu o título e ASD decidiu o resultado do jogo.


Relativamente ao Sporting – Benfica desta época… Aposto que vai fazer o mesmo. Oxalá me engane, só que tenho um palpite que a resposta do Conselho de Arbitragem ao protesto e indignação expressos após a vergonha que foi a meia final da Taça da Liga será a nomeação de ASD.


Desculpem falar de arbitragem neste tom incómodo. Também vivo incomodado com a estatística de ASD nos jogos do Benfica.





Artistas de VARiedades

(Texto de Luís Fialho, jornal “O Benfica”)



Ao contrário do que se apressou a dizer o sempre optimista presidente da Liga de Clubes, esta última edição da Taça da Liga não foi uma festa. Foi uma farsa.

Uma final SC Braga-Benfica foi transformada num pálido e envergonhado Sporting-FC Porto. E quando temos dois finalistas que não mereciam estar na partida decisiva., quando temos uma final de aviário, a credibilidade da competição fica dramaticamente comprometida.

Infelizmente, estas coisas não são novidade. Durante décadas, uma mesma equipa foi empurrada para as vitórias por um sistema corrupto e cobarde. Penaltis-fantasma, golos fora-de-jogo, bolas que entraram e não contaram, de tudo aconteceu um pouco, nas Antas, na Luz, e em qualquer local onde se tenha disputado um FC Porto-Benfica em toda a década de noventa e suas franjas. Fortunato Azevedo, Calheiros, Donato Ramos, António Costa, Benquerença e Proença (ele mesmo) são nomes que ainda nos fazem sentir náuseas.



Qual a novidade?

É que, então, não havendo VAR, poderiam sempre escudar-se nos tradicionais “não vi”, “tinha o ângulo tapado”, “o lance foi muito rápido”, etc.

Fechados numa sala, com vários ecrãs de televisão diante de si, e minutos a fio para ver e rever os lances de dúvida, torna-se impossível aceitar qualquer justificação para erros como os que vimos na semana passada.
Seria útil ouvir os árbitros no final dos jogos. Se todos os protagonistas são obrigados a tecer considerações sobre o que se passou em campo, porque é que os Fábios Veríssimos deste futebol podem calar-se, assobiar para o lado, e rir-se de nós, depois de virarem um jogo de pernas para o ar?

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

A LIGA QUE (QUASE) TODOS QUEREMOS

News Benfica

O jogo que ontem se disputou na Luz é um daqueles exemplos que contribuem para a boa imagem do futebol português: um espectáculo de qualidade, sem casos de arbitragem e com respeito entre todos os intervenientes. E mesmo para uma 3ª feira de inverno, com início às 19 horas, um jogo com assistência acima de 40 mil espectadores é um registo que impressiona.

Espectáculos de qualidade, sem casos de arbitragem, com respeito entre todos os intervenientes e com assistências acima dos 40 mil espectadores é coisa que, infelizmente, não acontece muitas vezes no nosso futebol. Ganhou o Benfica, porque foi melhor, mas o adversário não deixou de ser um digno vencido – que nunca baixou os braços, nem deixou de contribuir, na medida do que lhe foi possível, para a qualidade do espectáculo.

A questão dos erros de arbitragem, apesar da ‘trégua’ ontem vivida na Luz, é um tema que continua na agenda por razões que estão bem à vista. O desejo do Benfica – e de todos aqueles que pugnam por um futebol mais saudável – é que o assunto deixe de ser debatido diariamente. Seria bom sinal.

Temos todos consciência, ainda assim, de que o erro nunca deixará de existir. O que não pode continuar, de forma persistente, é o erro inexplicável e incompreensível sempre em benefício da mesma equipa. Foram decisões desse calibre que ajudaram a ‘construir’ o líder do campeonato que hoje temos. É obrigatório que, daqui até ao final da temporada, impere maior verdade desportiva.

Quem está na origem do problema? Quem invade centros de treino, quem ameaça árbitros (e respetivas famílias) e quem agride adeptos na hora da derrota. São os mesmos que, seguramente, vivem obcecados pelo regresso a um passado que a (quase) todos envergonha.

Já lá vai o tempo em que havia quem interferisse nas subidas e descidas. Em que havia quem interferisse nas nomeações dos árbitros a seu bel-prazer. Em que havia quem fizesse aquilo que lhe apetecia. Não é esse futebol que queremos. Não é esse futebol que faz falta. É preciso que alguém lhes diga isso.

PS: Uma notícia surgida ontem nas redes sociais da Rádio Renascença tinha um título provocatório, pouco compatível com a qualidade e isenção a que a sua informação sempre nos habituou. Em boa hora houve quem se apercebesse e corrigisse o erro. Quem o cometeu insultou o prestígio da sua rádio

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

A TAÇA DO DA FRUTA E DO CUSPE E O ARRAIAL DA BAÍA DOS PORCOS


Conhecendo-se a imundice que encharca o desporto em Portugal, com especial relevo para o reino futebolístico e face aos diversos acontecimentos que se verificaram na “pedreira”, com repenicado requinte de hipocrisia noutras pocilgas, bem que se pode  concluir que a baía dos porcos(1) foi invadida com sucesso!
Invadida e conquistada por varas de suínos vindos da suprema escola do crime organizado de Contumil e da escola brunista sua vassala, empolgada esta pela criminalidade impune nas suas próprias peripécias criminosas, que o cuspe cola tanto na sujeição como na aprendizagem dos métodos.
Na rectaguarda dos invasores, varas de milicianos vão pastando e grunhindo na defesa do bacanal e das fronteiras da porqueira.
Vejamos os vários actos do arraial suídeo.

Os árbitros do apito e dos ecrãs, mais no embate entre a vara reinante e o Glorioso do que no embate entre a vara reinante e a vara copista da sujeição, deram um festival de imundice apropriada à sua entranhada pertença. Nas suas mentes minguadas, a baía dos porcos é domínio exclusivo da clientela dos ditos e só os ditos, e muito bem, podem gozar da pocilga.
Um destes milicianos da invasão, o Veríssimo da equipa de advogados defensores do papa no apito dourado, diz ter metido baixa na refrega, passando momentaneamente à reserva. Quer recuperar forças para novos grunhidos na VARgonha da desvergonha da verdade desportiva.
Os seus mandantes, cumprida a missão pelo suídeo conforme estava previsto, abençoam da sua pocilga as bolotas enfardadas.

A pocilga APAF, que ninguém ouvira grunhir em toda a época da VARgonha sem vergonha a favor da pastagem da vara comandada pela escola do crime organizado, encontrou bolota para, prazerosa, fazer o seu grunhideiro, contribuindo irmãmente para matar a fome aos seus parceiros tresmalhados do seu pastadoiro.
Grunhideiro de benemerência que, quando outros da mesma manada foram ameaçados, eles e seus familiares, ou quando se verificaram os actos que as notícias abaixo documentam, não sentiu necessidade em bolsar, talvez porque, então, a bolota escasseava ao atafulhar do seu bandulho e a benemerência que fosse dar uma volta ao bilhar grande e que tirasse o cavalinho da chuva!
Ou teria sido porque fora a escola criminosa de Contumil, a vara suprema de suídeos, a enviar seus milicianos para meter as outras pocilgas na ordem?! 


Não é que o boneco Conceição não tenha dado uns grunhidos de exaltação da sujeição às varas do apito. Era preciso respeitar os, dizia, árbitros porque, acrescentava, a coisa atingira os limites do inadmissível!
Excelso grunhideiro este, vindo de um boneco 11 (onze!) vezes expulso em época e meia, precisamente, por desrespeito aos árbitros!
É ver como estas pocilgas fazem medrar anjos ressuscitados das trevas e bolsar votos pios de que «na nossa casa é tudo puro», como se alguém acreditasse nisso!

Varandas, um derivativo doutrinado coberto de graça papal, é um brunista burlesco e que, em fábula emplumada, diz algo que até, uma vez por outra, cola a realidade!  Se não fosse a VARdade da mentira do VAR não tinha ganho a taça da fruta e do cuspe! 
Pois claro que não! Tinha sido eliminado pelo Braga!

A vara do mestre de Contumil também fez, perdendo entrementes a disputa da bolota, variegado grunhideiro. Parte dele em tiro ao alvo nas fuças do parceiro subserviente, outra parte em lançamento do disco da merdalha para cima da vara porqueira dos viscondes servos da gleba, ainda outra parte preferiu a gamela do balneário que, segundo o boneco, a vara subserviente assustava, com suas arruaças, a vara subjugante!
Por vezes acontece! E a batalha de alcacete não ocorreu assim há tanto tempo que até um porco se não lembre da traulitada!

Reli comentários de adeptos Benfiquistas e vi escrito que alguém do Benfica – o alguém é a forma oculta do misticismo do jornalixo – todos teriam ficado aborrecidos porque o Glorioso Símbolo da Águia fora escondido na final da taça da fruta e do cuspe naquele arraial da baía dos porcos.
Ora essa! Eu, que me sinto Benfiquista em todos os poros do meu ser, fico todo satisfeito com o burlesco da comédia! O meu Glorioso Símbolo a abrilhantar aquela festança vergonhosa da verdade desportiva daquela corja criminosa?! O meu Benfica no meio daquelas varas de porcos?!
Foi uma falha, no caso, generosa sem itálico, dos generais da invasão da baía dos porcos?! Ou foi uma falha do brigadeiro e fiel escudeiro da liga?!

O brilho de todos estes festejos no arraial da baía dos porcos contribuí assaz refulgentemente para o radioso abrilhantar da brilhantina do rolha Proença. Para o rolha da brilhantina, de facto, está tudo bem na baía dos porcos! A invasão da verdade desportiva foi conforme ao que estava previsto nas tácticas das varas milicianas! Árbitros do apito e dos ecrãs que são a VARgonha de todo o mundo e que dão o seu – dele, rolha Proença – campeonato de inverno “conforme estava previsto”, na prática ancestral – para o rolha, seu papa e acólitos – da criminosa mentira desportiva portuguesa com um cada vez maior roubo da verdade que a História vai registando!
Aqueles episódios porqueiros de lançamentos de merdalhas, as tentativas de focinhadas em família suídea momentaneamente desavinda, os grunhidos sobre receios de agressões dos leitões do boneco, os abandonos da festa antes do jubilar do campeão de inverno do rolha, isso são meras picuinhas de fruta, cuspe e croquetes!
O que importa é a satisfação do rolha Proença que, enquanto ia passando as mãos para ver se a brilhantina se mantinha en su sitio, grunhia aos pés de microfone, todo es bueno en su justa medida, todo es bueno, todo es bueno!
É sempre um lindo circo, cheio de palhaços … e palhaçadas, quando os palhaços tiram as máscaras e as palhaçadas saem ao natural!
E as varas saciadas da bolota da VARdade da mentira desportiva!
E as pocilgas que fazem medrar anjos ressuscitados das trevas e bolsar votos pios de que «na nossa casa é tudo puro», como se alguém acreditasse nisso  

O sindicato do jornalixo também tem de ajudar na festança do portuguese winter’s championship da brilhantina! Afinal de contas, praticamente toda a sua vara porqueira de jornalixo fazia e faz parte da suína manada como comunicadores da imundice mutuamente partilhada.
Que o porco indigente, um parceiro do jornalixo da estrumeira de pés de microfone, venha recorrentemente difamar, insultar e injuriar, devassando a vida privada de pessoas e da Gloriosa Instituição com o roubo da correspondência desta, truncada e alterada para os grunhidos adjacentes e queridos pelo porco, até ser acorrentado com arganel pela Justiça que foi Justiça, isso pouco diz ao sindicato do jornalixo.
O insolvente é uma parte sua (do jornalixo) integrante, fica tudo na família dos suídeos! 
E os insolventes que fazem medrar anjos ressuscitados das trevas e bolsar votos pios de que «na nossa casa é tudo puro», como se alguém acreditasse nisso!  

E quando a ERC condenou e deixou claro que a parte criminal imanente aos grunhidos do insolvente era missão doutra entidade, nem assim esse sindicato do jornalixo se considerou atingido. Orelhas caídas, roncos baixinhos para retemperar o faro da bolota e o trincar nas beiças arreganhadas!
Mas a vara unida vai de certeza ser vencida!

Valdemar Duarte, como qualquer Benfiquista e pessoa de bem, é naturalmente alérgico à família dos suídeos, ele que já fora barbaramente agredido por algumas focinhadas! E vai daí, apelidou aquele chiqueiro de corja!
Errou!
Devia ter dito que aquilo era um chiqueiro de variegadas varas de suídeos que tinham acampado e feito o seu arraial na baía dos porcos!
E, assim, não cometia nenhum deslize de linguagem!  
E o sindicato de jornalixo lambia os beiços, arreganhava a carranha focinhuda e, após ter foçado e revolvido em consonância a estrumeira onde se estende, espreguiçava-se languinhento e continuava dormindo a sua soneca, deleitado na música da roncadura do indigente!
Valdemar Duarte, nunca lutes com um porco; ficas todo sujo, e ainda por cima o porco gosta!
(1) O Sporting de Braga e o Estádio da Pedreira nada têm que ver com a ficção.

domingo, 27 de janeiro de 2019

PARA A CORJA DO JORNALIXO, SE ALGO INTELIGENTE AINDA POR LÁ PERMANECER!


Rui Patrício, Jurista e Advogado, sócio da Morais Leitão e Associados, Sociedade de Advogados.  

(texto retirado, com a devida vénia, do site hugogil.pt – formatação de texto própria)



“São só mais uns pozinhos, e tudo se beatifica com a estúpida teoria do bom selvagem que salva a humanidade”


Comecemos este texto com aquela expressão que os juristas usam amiúde, quando vão discordar de alguém, sobretudo se o fazem com dureza:

“salvo o devido respeito”.

Ora, salvo o devido respeito, tenho assistido com um misto de asco e de riso (mas amargo) a uma certa discussão que vai por esse mundo fora sobre a suposta bondade de certos atos criminosos de pirataria informática. Vários crimes graves, afinal, ao que parece, não só não o seriam, como fariam até o autor ou autores arriscarem a beatificação social, porque com eles o que fizeram mais não foi do que denunciar o mal e contribuir para a transparência.

E pronto, já está, não é preciso aprofundar, nem discutir mais, nem pensar. Narrativa feita, narrativa difundida, narrativa arrematada.

Para quando a santidade?



Ora, isto é – salvo o devido respeito, claro – superficial, distorcido e até um pouco estúpido, sendo também, e sobretudo, muito perigoso.

Mas soa bem, e vende ainda melhor, combinação perfeita para fazer vingar narrativas.

Aos autores dos crimes e aos seus familiares, não posso levar a mal a teoria, claro, por razões compreensíveis, e aos seus advogados também não, porque fazem o seu dever, embora possa ter as minhas opiniões (intelectuais, digamos) sobre a linha de defesa.

Mas a todos os outros já levo um bocadinho a mal – apenas intelectualmente, claro, e salvo sempre o devido respeito – a superficialidade e et cetera da análise nestes termos.

Isto de justificar ou desculpar crimes em função de interesses ditos superiores tem muito que se lhe diga, e vem nos livros, logo, aliás, nos mais simples sobre a chamada teoria do crime (aqueles que qualquer um deveria ler ou reler, antes de se abalançar a doutrinar a população).

Não é assim de qualquer maneira, para qualquer coisa, e com duas pinceladas e já está.

Trata-se, em primeiro lugar, de situações excecionais, e extremas. Em segundo, os interesses têm que ser mesmo superiores, em si mesmos, e aos que se colocam em causa com os crimes praticados. Depois, terceiro, tem que haver mesmo necessidade, estrita adequação e ponderada proporcionalidade. Quarto, cumpre encontrar boa-fé na coisa, já agora. E, quinto, sexto, e por aí fora, mais umas coisinhas de nada, mas importantes para se poder dizer que algo que é crime deixa de o ser ou que, sendo-o, não merece censura.

Mas pronto, já são complicações, admito, rodriguinhos, miudezas, manias de jurista meticuloso. É muito mais simples e bonita a teoria acrítica da transparência e bem mais sedutor o mito do bom rapaz.

Não é? Quem não gosta, com uma pitada de voyeurismo, e laivos de folhetim?

Mesmo que para aceitar a narrativa tenha que esquecer que, se calhar, os interesses não são assim tão superiores, que a conduta não é necessária, e que vai muito para lá da adequação.

E esquecendo, além do mais, que se vende informação, ou se pede dinheiro por ela.

Boa-fé, claro, princípios abnegados, mas já agora um dinheirito não caía mal.

E espalhar revelações que não se relacionam com nenhuma denúncia relevante também fica bem, e ninguém se importa, são só mais uns pozinhos, e tudo se beatifica com a estúpida (mas vendável a metro e barata) teoria do bom selvagem que salva a humanidade da opacidade e do obscurantismo.

E por aí adiante. Pouco importa, são detalhes, coisas de jurista. Não querem pensar nisso, pois não?



E no perigo da teoria, querem pensar?

É que ela mais não é do que uma versão ligeira da estafada, mas rendível, ideia de que fins aparentemente bons justificam os meios, quaisquer meios mesmo.

Há transparência a conseguir, e as autoridades e os meios legais não vão lá ou não vão lá como se quereria?

Então pronto, pirataria informática, e já está. E quem diz pirataria informática, diz escutas telefónicas, buscas domiciliárias, revistas, exames, e por aí adiante.

Bem visto, bela ideia, vamos entregar isso a bons rapazes que por aí andem disponíveis para se entreter com estas coisas.

Não? Mas porquê? O princípio não é o mesmo? Os fins não são bons? Não vale tudo?

E umas milícias privadas para fazer justiça nas ruas também ia bem, não acham?

A justiça é o que é, já se sabe, lenta e injusta, tanta malandragem que por aí anda à solta, não seria melhor limpar as ruas?

Parece que sim, vamos nisso.

Há de haver algum cultor da transparência e dos bons modos sociais disponível, mesmo que tenha que ser remunerado – de boa vontade ou mediante extorsão, não importa, o que interessa são as altas finalidades e os benignos propósitos.

E uma torturazinha aqui e ali, para arrancar confissões aos criminosos, esses impenitentes cheios de garantias nos processos, que duram e duram e às vezes acabam em nada?

Também não seria mal visto, e convido os cultores destas teorias a elaborarem sobre o tema. E, finalmente, se gostarem mesmo de coisas radicais, poderiam emprestar uns pozinhos desta doutrina a Hannibal Lecter, o qual, afinal, era um bom e bem-intencionado homem, que verdadeiramente só queria erradicar os maus da Terra.
E, já agora, supremo gesto louvável, comê-los, para não desperdiçar proteínas.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

A TAÇA DO CUSPE E DA FRUTA E OS COVEIROS DO FUTEBOL PORTUGUÊS


Sejamos claros desde início. O papa de Contumil, chefe da escola do crime organizado com sede nesse bairro, abençoado pela impunidade concedida pela justiça da região, é o verdadeiro coveiro do futebol português. Ele manobra como quer a verdade desportiva, manobrando todos os órgãos do desporto nas modalidades em que compete, em especial os do futebol, sendo os “actores” que nesses órgãos têm assento uns meros fantoches de execução da sua doutrina mafiosa.

O compadre do cuspe é, neste momento, a principal marioneta dos seus desígnios, levado pelo seu anti-Benfiquismo e que envergonha uma instituição centenária que representa.

Este compadre do cuspe não é apenas o actual “brunista” em corpo franzino! É o compadre do cuspe que já vem de há muito, que se seguiu ao último Grande Presidente daquela Instituição, que refinou no acordo vergonhoso do compadre do cuspe Roquette – precisamente denunciado por aquele Presidente – e se tem mantido até aos dias de hoje. Sempre servindo de capacho e de cobertura das manigâncias do chefe, sempre esperando e se contentando com umas migalhas que este amo lhe vá concedendo, ou por benemerência, ou por percalços de um momentâneo distraimento.

E, assim, o clube do compadre do cuspe esteve 19 anos sem ganhar um campeonato. Ganhou 2 em 3 anos, aproveitando aquela fase distraída do chefe da escola do crime organizado, seu senhor. Está de novo à 18 anos à espera que chegue a sua vez … e ela dificilmente chegará, nas suas condições de sujeição.

Em suma, nos últimos 37 anos a instituição gerida pelo compadre do cuspe ganhou 2 campeonatos apenas, muito pouco para o seu histórico curriculum.

Mas sente-se bem na sua escravidão, adormecido hipnoticamente pela bênção papal, sem conseguir acordar e sequer reflectir a sua realidade aguada de títulos.



A marioneta Proença quer dar nas vistas, quando acorda do seu sono profundo de reflexão de coisa nenhuma. E sonhou que queria fazer da Taça da Liga a sua predilecta para aparecer a decantar o inverno dos campeões, ser filmado com as suas carradas de brilhantina e de novo poder aprazerar-se no beija-mão papal da corrupção desportiva.  

Então, começa por domesticar as regras do jogo, acorre pressuroso – através da estafada e assolapada figura de uma “fonte” – qual “João Semana” ajuramentado na solenidade dos hipócritas a fim de, mui lesto, passar a certidão de óbito às ditas!

Nem preciso foi que seu amo e senhor, ou a sua estrutura de serventuários do reino criminoso, se desse ao incómodo de divulgar e certificar uma qualquer lesão criativa (“News Benfica) a justificar a ultrapassagem das ditas regras do jogo!

Com esmerado desvelo – que as carradas de brilhantina fazem refulgir tanto quanto o seu lava-pés – diplomou-se apressado na medicina alternativa da verdade desportiva e ditou as suas leis, ao sabor das regras papais.

Esforço vão o seu, que seu dono e senhor há muito está acima destas leis que regem não apenas o desporto nacional mas ainda as que condenam … no papel dos calhamaços penais! Assim tal o ditaram as diversas sentenças do sacramento da impunidade!



Mas o rolha da liga quer ter um campeonato de inverno e quer que a coisa seja em grande … para fazer de conta! E o que se consegue, para lá de bem selar de novo a VARdade desportiva com que o mundo goza o nosso futebol, em especial nossos hermanos, é conseguir uma mísera meia casa, pouco mais (cerca de 20 mil espectadores) num jogo chamado de clássico e que continuou, como de há 35 anos para cá, efectivamente um clássico da mentira desportiva, sempre a verdade do papa da fruta!

Cerca de 20 mil espectadores num encontro decisivo para a conquista do tal campeonato de inverno do rolha, disputado entre os dois maiores clubes portugueses em termos futebolísticos. E não é preciso adormecer e perder muito tempo com reflexões de banalidades para saber das razões do facto. Já ninguém acredita na verdade do resultado, já ninguém está para abrilhantar as fantochadas da dita verdade desportiva.



Com a VARgonha desvergonhada, rolha Proença alcançou mais um sorriso na sua máscara de felicidade abençoada pela vilanagem de Contumil. Conseguiu na final os compadres da fruta e do cuspe, de modo que, ganhe quem ganhar o seu campeonato de inverno, fica tudo em família!

O papa, mestre da escola do crime organizado de Contumil, decidirá quem será o vencedor, se deve ou não ceder a migalha ao seu capacho visconde.

E que é migalha, para o papa corrupto e impune, oraculizou-a ele quando do baixio da sua impunidade afirmava anteriormente, após ter sido eliminado, “desta já nos livrámos”!...

E o compadre do cuspe, nesta empreitada, fica todo emplumado e vai demonstrar ao senhor rolha Proença quem é que sabe repenicar melhor o beija-mão ao papa!



Mas o futebol está ferido, ferido de corrupção, ferido com inverdade desportiva. Os adeptos começam a ficar em casa – até para não ofuscarem o brilho da brilhantina do rolha – porque já enfartados de “mais do mesmo” e saberem antecipadamente os desfechos combinados do código do cofre da mentira desportiva. Acresce, em menor proporção, contudo, que o salário não chega para tanta chamada em tão pouco tempo.



Esta taça  da VERgonha sem vergonha é uma pedregulho na fé do futebol nacional. Conseguiu mais umas valentes pazadas de terra retiradas da cova onde os coveiros, compadres da fruta e do cuspe, mais o seu servil rolha abrilhantado, vão afundando mais e mais a sepultura, tornando-a aprontada para o funeral e respectivo enterro!

Como bem apregoa rolha Proença. «Estava tudo pensado até ao mais ínfimo pormenor»

Talvez para o ano, rolha Proença já tenha enterrado igualmente o patrocinador do seu campeonato de inverno, tal como sepultou, com juros exigidos e tudo, o patrocinador chinês da Liga 2 que tanta bazófia lhe granjeou. 



Quando os criativos advogados do hacker afirmam que o seu cliente é um herói «indignado com práticas vigentes neste desporto, tendo esse herói decidido a contribuir para o conhecimento público da extensão dessas práticas criminosas» esqueceram-se de o elevar a um degrau mais alto de forma a atingir o misticismo dos anjos da bondade apocalíptica!

Deviam tê-lo obrigado, isso é que era serviço público, a tornar públicas todas as manigâncias do papa chefe do crime organizado mais de todo o seu conclave de cardeais, bispos, priores, serventes dos órgãos ditos reguladores do futebol português, justiceiros, nomeadores de árbitros do apito e dos ecrãs, tropa miliciana que aterroriza todos estes apitadores, suas famílias e demais gente que não siga a doutrinação da escola papal, especialista em emboscadas terroristas a adeptos de outros clubes.

Ser um herói selectivo não o ajuda a tornar-se um anjinho celestial, com asinhas e tudo, o anjo da guarda heróico combatente de todos os vícios!



Abaixo, a transcrição da “NEWS BENFICA”.

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«Algo de muito grave se passa quando decisões incompreensíveis do VAR se tornam, infelizmente, o principal destaque de um jogo de futebol. Um instrumento que deveria ajudar a esclarecer e a tirar dúvidas, está, pela sua má utilização e por critérios que ninguém conseguiu até hoje entender, a transformar-se num enorme problema para as próprias equipas de arbitragem.

Em nome da transparência seria de toda a utilidade divulgar-se a gravação das conversas entre árbitro e vídeo-árbitro do último Benfica-FC Porto para se tentar compreender o que parece incompreensível:



* Por que razão existiu tamanha dualidade de critérios que levou a que só no lance do golo de Rafa o árbitro tenha ido visionar as imagens?

* Por que razão o vídeo-árbitro lhe disse que esse golo era irregular?

* Por que razão o mesmo vídeo-árbitro não viu as faltas nítidas de Óliver e Marega nos dois primeiros golos do FCP?

* Por que razão o árbitro não quis rever no monitor o segundo golo do Benfica, erradamente invalidado por um pretenso fora-de-jogo que as imagens provam não ter existido?


Torna-se imperioso, em nome da verdade desportiva, evitar um apagão sobre esta situação.


Em nome da mesma transparência, seria também importante que o Conselho de Arbitragem (CA) esclarecesse quantos erros do VAR foram até hoje detetados nos jogos do campeonato. E mais: que o CA os identificasse publicamente com explicação pedagógica. Pelo menos os 9 que foram assumidos até à 11.ª jornada.

Importa realçar que analistas insuspeitos, sem qualquer ligação ao Benfica, defendem que a vantagem do atual líder do campeonato deve-se a erros de arbitragem e, sobretudo, a erros do VAR difíceis de entender.

Ou seja, no Campeonato e na Taça da Liga, esses erros tiveram e continuam a ter interferência direta no desenrolar dos resultados e na verdade das competições, com a particularidade e a coincidência absurda de favorecerem sempre a mesma equipa.


Estranho fenómeno também se passa sobre um outro apagão, este sobre os processos que foram movidos na sequência das ameaças e tentativas de coação a árbitros e suas famílias. Como estão esses processos?

A invasão da Maia e as queixas divulgadas pelos media desapareceram?


Para além de todas as peripécias ocorridas nos últimos dias, em Braga, esta edição da Taça da Liga será ainda recordada pelo incumprimento regulamentar que deveria ter afastado – e não afastou – uma das equipas da Final Four. Não é admissível que uma ‘lesão criativa’ se sobreponha às regras que, à partida, todos deveriam estar obrigados a cumprir».

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PS: Pelo que se soube da última descrição do despejado, agora da SIC, RGS, fica-se com a sensação de que ele se tornou em sósia de JJ no que tange à herança do “EU”, nos ganhos, e aos legados do “VÓS”, nas perdas.

De facto e segundo sua arenga, o Benfica ganhou muito, com ele como VP, e quase nada depois do seu despedimento.

Faticamente, até estaria de acordo com a ladainha se ela não estivesse imbuída do sentido egoístico. É que RGS só pretende dar a conhecer que os ganhos foram conseguidos … por causa do seu posto directivo no Glorioso!

Sinceramente, se então era adepto tão fervoroso como agora, até é de duvidar que ele, nesse papel, tenha contribuído para algum ganho!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

O ROBIN DOS BOSQUES DOS ... "ACTOS CÍVICOS"!

Texto de Bagão Félix, in "A Bola", 22/01/2019
(título abreviado e alguma da formatação do texto é própria)

Rui Pinto está em prisão domiciliária em Budapeste, no seguimento de um mandado de detenção europeu e da cooperação entre a PJ e a sua congénere húngara.
Os advogados do jovem de 30 anos emitiram, entretanto, um comunicado onde se diz que ele é um amante de futebol «indignado com práticas vigentes neste desporto» e que, nesse contexto, «decidiu contribuir para o conhecimento público da extensão dessas práticas criminosas».
E mais à frente: «Não pode deixar de se notar, em particular, o incrível paradoxo que resulta da tentativa de criminalização do seu cliente, quando, na verdade, o seu gesto cívico e as suas revelações permitiram a numerosas autoridades judiciais europeias um avanço histórico no conhecimento das práticas criminosas no mundo do futebol» (sublinhados meus).

Por agora, ao que se diz, o que estará em causa é a pirataria sobre entidades do mundo do futebol que foi vertida para o football leaks e que terá precedido a devassa do servidor do SL Benfica.
Tenho a minha opinião sobre o que está subjacente a este caso, ainda que haja muito por saber numa certamente espessa e intrincada rede entre alegados criminosos, extorsores e chantagistas, adquirentes e usufrutuários de informação roubada e violadores e divulgadores de correspondência privada.
Mas, aqui e agora, vou apenas escrever não sobre questões jurídicas, mas sobre o plano ético, deontológico e institucional subjacente também a casos semelhantes e, sobretudo, ao chamado “caso dos emails” do SLB.

Bem sei que, no caso do SLB, a bateria do saque tem de tudo. Contratos e estratégias comerciais, como se isso fosse uma normalidade num contexto concorrencial legal.
Condições laborais e pessoais, como se o direito de privacidade fosse coisa menor.
Toneladas de “lixo”, truncagens e descontextualizações ilegítimas de “fontes” milagrosas, como se a realidade pudesse ser torturada.
E correspondência divulgada por terceiros, admito que alguma de mau gosto, inadvertida e desrespeitosa, mas não certamente muito diferente de práticas de outros, ainda que por outras vias, como se estes fossem os “justiceiros naturais”.

Seja como for, nada justifica a negação de um dos mais sagrados princípios de conduta ética: «a de que os fins não podem justificar todos os meios».
Ou seja, a adopção do império da selva!

Absolutamente inacreditável é a confirmação pelos causídicos de práticas fora da lei.
O seu constituinte denunciou práticas criminosas a que chamam gloriosamente «gesto cívico»!
Proclama-se a bondade dos fins a alcançar e define-se a sua infalibilidade através de uma iluminada expressão, qual seja, e volto a citar, a de «um avanço histórico»!
Assim, o alegado sujeito da acção «decidiu contribuir para o conhecimento público de práticas criminosas», de tão indignado e sofredor que estava!
Um gesto heroico, dirão!
Um cavaleiro andante, quiçá romântico, pensarão!
Um paladino da moralidade, certificarão!
Um Robin dos Bosques cibernético que rouba aos por si aprioristicamente considerados criminosos para dar – sim, dar, em regime da mais pura filantropia – a terceiros e, não menos importante, aliviar altruisticamente a carga de trabalho das autoridades policiais e judiciárias de um ou mais Estados de Direito!
E, sendo assim, o denunciador (whistleblower) deve prevalecer sobre o criminoso, dizem-nos, embora sabendo que essa ponderação só tem lugar em casos extremos de protecção da sociedade previstos na lei!

Será certamente um verdadeiro enigma tentar, mesmo que em abstracto, encontrar o ponto de convergência entre tanta benemerência e o nível de vida e honorários a pagar por tais práticas de bem-fazer (ainda que por via de fundações igualmente filantrópicas)!
Tendo a nossa PJ informado que se trata de alegados crimes de «extorsão qualificada na forma tentada, acesso ilegítimo, ofensa a pessoa colectiva e violação de segredo», certamente a extorsão ou sua tentativa estarão a mais!

A generalização da violação do princípio ético atrás referido, “decretando-se” um qualquer fim como um bem e os meios como neutros, levaria a aceitar práticas hediondas como justificáveis.
Assim seria, desde guerras a actos de terror que sempre invocam um qualquer deus imaginário ou uma suposta supremacia política, moral, étnica ou histórica, e desde outros actos mais circunscritos a outros de âmbito mafioso.
Aliás, no mundo cibernético, esta grosseira perspectiva poderia conduzir, irreversível e danosamente, à justificação de qualquer pirataria informática, mediática ou similar em nome de uma suposta “estratégia do bem”.

Infelizmente, estas práticas estão a ser crescentemente sujeitas a uma perversa indiferença e anestesiada banalização. Para tal, inventou-se um novo arquétipo moral entre os actos bons e os maus:
«os actos neutros, uma espécie de silenciosa amiba onde se acolhem as maiores maldades». Mas, como há vinte séculos escreveu São Paulo, «não há mal de que provenha bem».

É certo que estas piratarias “animam a malta” por via de voyeurismo mediático repetido até à náusea, alimentam a acefalia social, engordam as fake news e favorecem as adulterações por manipulação semântica ou por rivalidades levadas à obsessão.
No caso da devassa de correspondência do Benfica, fazem medrar anjos ressuscitados das trevas e bolsar votos pios de que «na nossa casa é tudo puro», como se alguém acreditasse nisso!
A ética vem-se relativizando pela abordagem quantitativa, condicional ou adversativa, de mãos dadas com um oportunista se, mas, talvez, às vezes, salvo se …
Todos – alegados piratas e ladrões, sofridos delatores e relapsos divulgadores, causídicos que veem “gestos cívicos” em práticas ilegítimas – se deveriam questionar, na sua solidão, sobre o que achariam se, em vez do Benfica ou outras pessoas e instituições, estas práticas os visassem a eles próprios ou a organizações a que estão ligados!
Bastaria que atendessem ao teste do imperativo categórico kantiano, ou seja, ao dever dos deveres:
«Age unicamente segundo a máxima que te leve a querer ao mesmo tempo que ela se torne uma lei de tal modo que, se os papéis fossem invertidos, as partes em questão estariam sempre de acordo e a tua conduta seria universalmente válida».
O que lhes iria na alma?
Achariam que tudo não passava de uma sucessão de escrupulosos “actos cívicos”?