quarta-feira, 6 de outubro de 2010

PINCELADAS ENCARNADAS

1. Vilas Boas e a confissão da acusação

Vilas Boas – vilas más para Xistra – implorou um penaltezinho a favor da sua equipa que salvasse o inchamento empenachado de um emplastro pedante e imberbe que até já se acha homem por lhe ter sido dada uma cópia de um missal de trafulhice desvirtuoso da verdade desportiva.
Vilas Boas não viu o penalti reclamado e, coisa rara, até conseguiu não ver o que todo o mundo igualmente ver não conseguiu. Fiou-se, e assim o disse, nos ditos dos seus jogadores.
Este fiadoiro até se compreende bem. Os jogadores do FC Porto estão bem treinados para jogar com as mãos um desporto que deve ser jogado com os pés, sem que daí lhes advenha grande penitência! Bem, no caso destes jogadores, não só com as mãos, com as patas também, mas deixemos isso, por agora!

Se bem se lembram, no ano transacto um tal Cebola jogou andebol no Estádio da Luz. No túnel da Luz, nesse mesmo jogo da brilhante exibição manual cebolística, um tal de “Incrível” na brutidade e um seu comparsa no primor esmeraram-se por demonstrar a arte do pugilato, coisa que não é bem jogada com as mãos mas com os punhos que são uma forma daquelas um pouco diferente mas mais eficiente.
E, com as patas, a excelência da jogatana não ficou muito em dívida!
Num certo treino entre esses “dedicados fiadores” de Vilas Boas, ainda naquele ano, é a vez de Meireles e de um certo Costa fazerem a demonstração. Fazerem o gostinho ao pé, perdão, às mãos ou, quando a maré se apresenta de feição, aos punhos de novo.
Já este ano, Rolando imita essa gente de fiar com o mesmo esplendor andebolístico!

Por tudo isto, a culpa não foi tanto do afiançamento de Vilas Boas mas das imagens televisivas requisitadas que, indiferentes à ingência da necessidade e pesem as imensas buscas que lhes fizeram, o que encontraram foi somente um tal de Micael a praticar o andebolismo costumado porque ele, se não deseja permanecer no banco, a “estrela” da bola que julgava ser, tem de aprender tudo o que os seus mestres ensinam!
O certo, certo, é que nem a ingerência da Interpol, a quantidade de cartazes “wanted” espalhados até aos confins do mundo, o prestimoso laborar das nossas autoridades justiceiras cujas escutas são prédicas de melodia beatífica, nada disso conseguiu descortinar o reclamado e muito bem afiançado penalti!
Encontrou-se a mão do tal de Micael … e foi um pau … também ele a fazer o “gosto à mão”, aquele Micael que, compreensivelmente, não gostou mesmo nada da carícia dos dedos de Jesus, um gesto sacrílego da doutrina de um “papa” da mentira e da corrupção desportiva ao menos tentada. E bondosa e minguada que seja a carícia jesuíta, nenhum condiscípulo do reino da corrupção desportiva consegue suportar uma vã tentativa de exorcismo da sua domação doutrinal, por maior que seja a sua pequenez!

O que não é estultícia reassegurar é que, naquela escola de podridão da verdade desportiva não se ensina a jogar com os dedos mas com as mãos todas!
Mas não há problema, há muito que foi decretada a impunidade dos jogadores que, em cada instante, sirvam o clube inimputável.

Tal como o “papa” da manigância desportiva, Vilas Boas deseja, mesmo assim, que Vítor Pereira peça desculpas.
E deve pedi-las. Vítor Pereira deve pedir desculpas aos desportistas portugueses amantes da verdade desportiva dos erros de Xistra que, descaradamente, beneficiou o FC Porto. Deve pedir desculpas aos amantes da verdade desportiva da razão por que a esmagadora maioria dos árbitros, e nas alturas cruciais e mais convenientes ao reino da mentira, favorecem sempre e descaradamente o FC Porto, desfavorecendo ao quadrado o adversário directo para o arredar da luta tão cedo quanto possível.
Pelos erros de Xistra a favor exclusivo do FC Porto, também Vítor Pereira deve, efectivamente, castigar Xistra, tal como devia ter castigado os árbitros que arbitraram o Naval-FC Porto e o Rio Ave-FC Porto.

Mas tem de se atribuir um crédito a Xistra. Apesar de tudo, não conseguiu inventar o penalti que o árbitro do jogo Naval-FC Porto fantasiou para o salvamento, quiçá, da sua prometida fruta, não sem que tenha sido tentado pela fantasia, que é a realidade (virtual) daquela gente, de Vilas Boas e seus “eméritos” fiadores.
Resistiu à tentação e esta é … a grande mágoa de Vilas Boas … e do seu “papa” condenado, os quais continuam na sua confissão da acusação do seu bastardo mas não suficiente favorecimento … por esta vez!

2. A profissão de fé nos autos de fé

Grande defensor de um clube “democrata” e fora do “regime” mas que teve no regime ditatorial de Salazar várias personagens em lugares de destaque e que nunca sentiu a perseguição ao seu hino ou à sua denominação, bem ao contrário do Glorioso, o Dr. Rui Moreira demonstrou exuberantemente a sua democraticidade endémica.

Teve razões para isso, conquanto sejam razões que a razão desconhece e até repudia por repugnantes.
O Dr. Rui Moreira ficou incomodado com as escutas do youtube mas também, neste país e em todo o mundo, só não ficaram incomodados com elas os nelas incriminados e a justiça portuguesa que as julgou, a que se podem juntar outras consciências cuja doutrina foi encadernada para de bem estar com elas e com coisas do género.

O Dr. Rui Moreira, não se esqueçam, é o “vigilante” de primeira fila, um “vigilante” da “verdade desportiva” prosseguida pelo clube de que é adepto. Enquanto “vigilante”, estava ainda a fazer a “primeira comunhão” e não a “profissão de fé” que o poderia ter preparado para, conquanto representativamente, tentasse abjurar os erros dos representantes do reino “papal” da mentira e da corrupção desportiva que essas escutas revelam com tanta evidência e, ainda por cima, sujeitar-se a uma purificação pelo fogo, o fogo que o agora Grande Vasconcelos – que, enfim, deixou de comparar-se ao antigo Miguel, o traidor – zurzia frente ao ecrã, com a complacência apalermada mas natural do homem das sondagens.
Neste aspecto, até se pode ser benevolente e compreender o Dr. Rui Moreira. Os erros escutados não são os seus, por eles não tem de pagar ainda que representativamente. Depois, se os julgadores que as julgaram, com elas se não incomodaram, por que devia ele, Dr. Rui Moreira, sujeitar-se aos quentes e purificadores ventos soprados por Vasconcelos e que tanto avermelharam as suas orelhas?

“Vigilante” pela “verdade desportiva” que as escutas demonstram e comprovam de forma tão evidente, contem com o Dr. Rui Moreira!
Para autos de fé, aí ainda não chegou o seu poder de encaixe democrático, tal um dilecto adepto do clube fora do regime. Lá que lhe digam que o seu clube está dentro do sistema da corrupção desportiva e até já foi condenado por isso, ainda vá que não vá!
Mas regime é uma coisa, sistema da manigância desportiva é outra!

Louve-se, ao menos, a vergonha demonstrada no seu corar de vergonha, aquela vergonha que envergonha o moderador e, em especial, envergonha o realizador ou o operador de câmara que nem vergonha tiveram de ter vergonha de mostrar o momento solene do abandono da vergonha.

3. A testemunha do martelo e a alternadeira da testemunha

Tanto os juízes portugueses que julgaram as escutas como o seu dilecto defensor – só neste caso, confesse-se – Miguel Sousa Tavares, foram pródigos nos encómios aos bons testemunhos de homens como o juiz Mortágua e o, ao que parece, do agora marteleiro de cabeças que foi apanhado pela GNR, um tal Paulo caçado lá pelos Algarves com um arsenal de boas intenções e consequentes dissuasões armistícias.
É a tal “gente pequenina” de que se rodeia o seu “papa” da mentira. “Gente pequenina” na estatura moral, parece ser o que Miguel Sousa Tavares quer afirmar, mas “grande” na “verdade” das suas declarações e acções e ainda mais nos seus testemunhos, que é o que aquele (também, ao que parece) fiador escreve, agora aberta e literalmente, com todas as letras.

Colocada esta gente, com o condutor do “papa”, um tal de “pidá”, guarda Abel e um outro apelidado de “macaco”, tudo numa orquestra de “boas obras” e acções, e ainda melhores confissões, pode vir de lá a alternadeira que vier que ela será sempre o poço da mentira, uma alternadeira que não é alternadeira de nada e muito menos da “verdade” daquela “gente pequenina” nas acções e grande nos testemunhos das confissões.

4. A fruteira do murro no satélite da fruta

Dizem agora os incautos que o guardião bracarense espetou uns valentes murros na mulher porque ela teve o descaramento de, saindo do seu canteiro, ter ido espreitar a casa da fruta importada pelo satélite do clube da fruta. Marido e comparsas de clube comiam fruta daquela fruta que o clube da fruta lhes dispensou.

Ser corrida a murro pelo marido só demonstra que o satélite do clube da fruta vai sabendo importar e doutrinar as boas ementas do pugilato, numa demonstração do bom aprendiz a que a satelização obriga.
Espreitar a casa da fruta e observar o seu marido rodeado de fruta e a comer fruta é próprio apenas das bisbilhoteiras e das alcoviteiras.

A receita do murro, parece-nos, pois, apropriada!
A abundância de fruta encontrada, essa teve a ver com as sobras da fruta a que Xistra não teve direito, embora tudo tenha feito, não o suficiente, na opinião da “cúria papal”, para ter o seu direito à fruta.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

As compensações do sistema: O rebuçado dos “observadores” e a chupeta de Xistra

Valha-nos Deus! O sistema futebolístico nacional não tem imaginação. Não tem massa cinzenta que a germine nem tem muito por onde escolher. Rouba o boi logo que reabre o açougue, distribui a seu tempo o rebuçado falsamente retributivo. E volta contente ao seu estado de permanente tramóia, sem descanso no esventrar da verdade desportiva, uma verdade que afronta as suas consciências e também as dos justiceiros portugueses, uns e outros a preferirem o festival ininterrupto da batota, numa momice de consagração etérea da sua própria imanência de seres fecundados na aldrabice.
Que a família Benfiquista não se deixe – tenho a certeza de que não – embasbacar por estes basbaques da falsa indulgência.

Com toda a pompa e circunstância, a comunicação social veio revelar não apenas as apreciações dos observadores dos árbitros que arbitraram dois jogos do Benfica mas ainda as causas dessas apreciações. Causas bem explicadinhas e com todos os preciosismos tendentes à confecção da doçura do rebuçado, pontuações bem evidenciadas na tentativa de acalmia e de sanação das feridas da nação Benfiquista.
Não conhecemos as fontes, sabemos que, por força das leis próprias, as apreciações dos observadores são confidenciais e apenas devem ser conhecidas do restrito número dos interessados no jogo em que o árbitro actuou.
Mas isto, tal como o apregoado segredo de justiça, é tanto um segredo quanto convém.
E por falar em conveniências, as apreciações dos observadores ao trabalho dos árbitros no Naval-FC Porto, Rio Ave-FC Porto e Nacional da Madeira-FC Porto parecem resguardadas, até ao presente, no segredo da confidencialidade conveniente.

Ao sistema importa tentar agora adoçar a boca ao Benfica e aos Benfiquistas, até porque as posições de boicote anunciadas não são para desprezar e fazem mossa, mossa essa comprovada pelas intervenções de responsáveis de vários clubes e, bem assim, por avençados e doutrinadores do próprio sistema que, se não incomodados, sem razão ficou o seu incómodo de escreverem sobre elas, na vã tentativa de as desvalorizar e mesmo ridicularizar.

O sistema fez o que sempre tem feito. Repetindo, rouba o boi do açougue assim que este reabre, com lavagens ao cérebro dos árbitros que sacia com fruta e outras iguarias, homenagens e condecorações com a ordem da roubalheira futebolística nacional. Beneficia-se o clube que já foi condenado por corrupção tentada – apenas na justiça desportiva e bem suavemente – e prejudica-se fortemente o concorrente directo.
Instalado este clube à distância que de algum modo o retira ou torna dura a luta renhida pelo banquete final, há que acalmar as hostes com o rebuçado de uma presumida contrição que desvie as atenções do total desvirtuamento da verdade desportiva.

O sistema vai sabendo o que faz! Teve um mestre da manigância que formou com distinção outro mestre na sua doutrina da mentira e da trapaça desportiva. Apóstolos e discípulos em catadupa, sacristães sempre prontos e caninamente esforçados em ajudar à “missa”.
Doar o rebuçado da divulgação pública das apreciações dos observadores aos que clamam contra a mentira e o desvirtuamento obsceno da verdade desportiva, não causa dano.
A pontuação real permanece aldrabada como foi pretendido, o concorrente permanece à distância que convém, a justiça desportiva continua amordaçada e aprisionada.
Os árbitros expostos, bem, esses ou se lhes aplica a táctica do eucalipto, secando-os e deixando-os ir à vida, ou aplica-se-lhes o sistema compensatório das falsificações – mais uma, menos uma, pouco importa a quem está acima da lei e é inimputável – das classificações finais.

Benquerença, por exemplo, bem merece a compensação, que ele foi convidado para demonstrar os bons exemplos do seu desempenho aos jovens imberbes que se iniciam nos caminhos do arbitrar. Mas para que a doutrina seja original, reconheça o “papa” representante da “cristandade” das trapaças desportivas, quem melhor que Benquerença, discípulo dilecto?
Depois, Benquerença é “forte”, segundo diz! É “forte” porque só os “fortes” como ele cometem vilanagem no exercício da sua função e se apresentam como os mais angélicos anjinhos, com asas e tudo!

Conhecíeis vós, Benfiquistas, que os fortes, fortes, eram apenas aqueles capazes de reconhecer as suas limitações e os seus erros e deles se penitenciarem?
Pois, conheceis agora também os “fortes” dos Benquerenças!

E tudo fica nos conformes, tal como assim o julgaram os juízes portugueses chamados ao julgamento dos vários casos de corrupção desportiva. O mundo ouvinte nunca esteve em presença de tantas provas condenatórias, nunca um julgamento beneficiou de tantas evidências de cometimento de crimes e dos seus agentes.
A justiça portuguesa é, porém, muito especial. Reiteradamente condena ou absolve por convicção ou por falta dela, de modo que, quando tantas evidências condenatórias se lhe deparam, fica baralhada nas suas convicções e, com toda a convicção do mundo, demite-se covardemente da sua convicção … e da sua função.


Xistra cavou provavelmente a sua condenação e pode talvez começar a pensar em adquirir a sua campa e o seu féretro, encomendar as suas exéquias da arbitragem no primeiro nível. E tudo isto por uma má visão na sua encomenda da chupeta. Pela sua experiência, já devia saber de cátedra que tão grandes chupistas da verdade desportiva não se contentariam com uma chupeta de tamanho médio ou grande. Para corruptores deste calibre e desta linhagem só um enorme chupetão os poderia saciar.

Xistra foi para o jogo armado de chupeta. Perdoou, como devia pelo seu fretamento, um penalti ao clube beneficiário da corrupção. Amarelou o atrevido que se colocou ao alcance das mãos de Fucile para que este o puxasse pela camisola. O que estava combinado era abrir as pernas e fugir da bola.
Poupou, assim, o segundo amarelo e a consequente expulsão do que expulso veio a ser porque trocou puxões por trancadas, coisa, aliás, mais de acordo com uma escola de pugilismo que, sabem todos, é marca instalada e registada, naquela e daquela seita beneficiária dos favores arbitrais.

Xistra bem se esforçou por agradar mas não inventou um penalti salvador e teve o topete de não atender ao fantasma de um penalti solicitado. Um penalti reclamado pelo senhor Vilas Boas – Um vilas boas que Xistra teve ainda o azar de considerar vilas más e expulsar – não que ele, Vilas Boas ou más, o tenha visto mas porque os seus jogadores lhe disseram ter presenciado tal miragem!...


Xistra também não conseguiu convencer-me. Não, não tem nada a ver com o favorecimento descarado ao FC Porto! Isso, perante a renúncia da justiça portuguesa em aplicar a Justiça, é a coisa mais natural neste reino futebolístico nacional dominado pelos impunes e inimputáveis corruptores.
Nesse favorecimento, Xistra convenceu-me.

Xistra não me convenceu quando aplicou correctamente as leis do jogo!
Xistra não me convenceu porque não fez com que o FC Porto ganhasse o jogo!
Xistra tornou-se, assim, parte do rebuçado com que o sistema tenta adoçar a nação Benfiquista e mais alguns rebeldes.
Com Xistra, o sistema, com o seu clube já bem empoleirado pela tramóia desportiva, pode agora ter a lata de apregoar que não é beneficiado pelos árbitros e que, bem pelo contrário, também por eles é prejudicado.
E tudo isto, quando o chamado clube da fruta, e só ele, foi favorecido e bem favorecido pelo arbitrar de Xistra!

Não foi o que Vilas Boas – ou más – já começou a fazer?!!!
E o próprio “papa”, chefe supremo da corrupção por que foi condenado, já não se deu ao trabalho de anunciar a sua bênção “urbi et orbe” a toda a sua doutrinada e domada cristandade?!!!

Esperem agora, Benfiquistas, pelas pregações dos avençados e serventuários junta letras do sistema!

Só um ponto final para apreciar a abundância ou a falta de visão, as boas ou más visões de Vila Boas. Nisto de visões, Vilas Boas deve aprender com o seu comparsa Domingos.
Domingos está sempre de olhos no chão.
Mas vê tudo, não precisa que lho venham dizer … nem sequer os seus jogadores!
Vê o que lhe interesse mas vê aquilo que mais ninguém viu!
Vê o que lhe não interesse mas diz que não vê o que toda a gente viu!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O “Campeonato dos túneis” e o Campeonato da verdade desportiva

Tempos houve em que, domesticados e doutrinados, muitos dos que se auto-intitulavam – e ainda intitulam – de jornalistas passavam o seu tempo de infertilidade imaginativa na citação dos ditotes de palermice a que chamavam, embasbacados de parolice, a “fina ironia” de Pinto da Costa.
Era então comum a comunicação social preocupar-se com gosto, relevando, das alarvices da criatura porque elas conduziam a notícia para o Sport Lisboa e Benfica que era, como sempre foi e é, a razão do viver, muito menos noticioso e muito mais económico, de uma comunicação pobre de imaginação e rica de intelectos obtusos.
A grandeza do Sport Lisboa e Benfica era – é – a sopa dos pobres das pobres audiências e das paupérrimas tiragens de ditos jornais que, na sua apurada tendência para o sensacionalismo bacoco, mais se aproximam do conceito de pasquins do que de coisa jornalística séria.

Justiça se faça a um hiato de bom senso, fruto de alguma vacinação desconhecida e inimaginável mas eficiente, que, no meio desta pandemia de mediocridade genética, sempre se distanciou do discurso da “fina ironia”. Este hiato é tanto mais sensacional quanto ele provém do supremo doutrinador da mentira, da mentira dos factos reais, da mentira dos factos históricos, embora perante esta virtualidade histórica alguns prefiram chamar-lhe de confusão congénita relativamente à sucessão dos acontecimentos no seu tempo germinante e no tempo do seu parturejar.
Referimo-nos a Miguel Sousa Tavares que, neste ponto, sempre preferiu o “discurso bacoco e provinciano” como uma catalogação mais apropriada. Um “provincianismo endémico que Pinto da Costa jamais conseguiu iludir, atenta a sua tendência natural para se rodear de gente pequenina”.
São opiniões de Miguel Sousa Tavares que nunca foi realmente muito na cantiga da “fina ironia”.

Mas a denominação de “gente pequenina” tem de ser entendida com muita cautela. Deve ser levada à letra no que tange à realidade moral, intelectual e desportiva da dita “gente”, mas não propriamente à inerência de cargos, ocupações e mais propriamente de tachos.
De facto, faz parte de uma realidade – que complementa o “pacote” de apropriação da “verdade desportiva” revelada pelo apito dourado e esquecida pela justiça criminal mas não pela justiça popular … de todo o mundo – o assentamento nos camarotes presidenciais, das Antas, primeiro, e do Dragão, depois, das mais “altas” individualidades que (des)governam este país, desde ministros, deputados, juízes de alta hierarquia e igualmente outras autoridades policiais.
Miguel Sousa Tavares disse que Pinto da Costa nunca se conseguiu desmarcar da sua tendência fatal de se rodear de “gente pequenina” … e só ele poderá completar devidamente e com clareza o seu raciocínio.

É uma verdade insofismável que o apito dourado consagrou, por parte da justiça criminal – coisa, de resto, muito previsível na justiça portuguesa – a impunidade total dos que, durante décadas, corromperam ou foram corrompidos para domesticarem a seu jeito a “verdade desportiva” dos campeonatos.
De todo o modo, não creio ter sido este facto o causador do decesso da “fina ironia”. Por razões conhecidas, Pinto da Costa sentiu-se obrigado a fazer promessas a mortos para conseguir alguma coisa dos vivos, nem que fosse a acalmia das suas hostes. E as promessas a mortos, sejam ou não para cumprir, têm de revestir um certo ar solene de ocasião, ainda que seja bacocamente apresentado.

De igual modo o dito “campeonato dos túneis”. Muita gente, em especial toda a nação Benfiquista, ficou e mostra-se escandalizada.
Sem a mínima razão!
O “campeonato dos túneis” foi a “penitência” que Pinto da Costa se propôs a si próprio porque incumprir uma promessa solene feita a mortos dá sempre um péssimo aspecto ao promitente, ainda que o morto esteja realmente morto e nem dê por isso. Acresce que, enquanto vivo, o donatário das promessas póstumas nunca se preocupou nem pediu ao vivo promitente um “campeonato dos túneis”! Tanto quanto se sabe, esse donatário exigiu foi a compra dos árbitros para ganhar campeonatos!
Por conseguinte, a “penitência” do faltoso promitente é uma falsa “penitência”. Pinto da Costa não precisa de se desculpar perante o seu mestre das manigâncias desportivas do “campeonato dos túneis”, coisa que nunca lhe prometeu nem este alguma vez exigiu.

Pinto da Costa é mestre que aprendeu com o seu mestre. Por isso, o seu clube já ganhou muitos campeonatos, os campeonatos ganhos da forma que o mestre ensinou e o discípulo se especializou. Já ganhou campeonatos da fruta, campeonatos dos cafezinhos com leite, campeonatos dos aconselhamentos familiares, campeonatos dos quinhentinhos, campeonatos das corridas a árbitros, campeonatos das viagens de férias pagas a árbitros, o campeonato das rotundas, o campeonato das ruas estreitas ou largas, o campeonato do “sempre em frente”, enfim, o campeonato da Madalena.

Madalena, Madalena, uma terra, dizem, tão airosa mas de ruas tão enviesadas que é uma dor de alma não ter havido engenheiro que aliviasse tal labirinto com a construção de um túnel ou dois!
Lá engenheiro, até parece que havia e haverá! Mas, segundo todo o mundo ouviu nas escutas, é um engenheiro chefe e da “caixa” ou de “cash” porque “cash” era o que o mestre exigia!

Daí que Pinto da Costa, não tendo túneis na Madalena nem sabendo o que é ganhar o campeonato da verdade desportiva, nem podia ter prometido ganhar um, nem outro!
Logo, não se queira estigmatizar um promitente, ainda por cima apelidado de “papa”, do sacrilégio do incumprimento de promessas, ainda para mais feitas a mortos a quem tanto lhe faz sejam cumpridas ou deitadas no caixote do lixo!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A coacção ou pressão, a influenciação ou a condicionalidade da arbitragem

Montada a máquina organizativa do futebol nacional, através do seu controle pelo único clube de futebol português, com respectivo presidente à mistura, que foi condenado por corrupção desportiva na forma tentada – para os menos acostumados a estes termos, poucos, foi uma condenação por tentativa de batotice da verdade das competições desportivas futebolísticas – só os sequazes, discípulos, mordomos, capazes e simples empregados domésticos da respectiva “cúria papal”, que há quase três décadas domina essa máquina organizativa, é que se julga licenciada para falar sobre arbitragens, suas virtudes e defeitos, seus méritos e deméritos.
A alguns amigos da teia, dobradas as suas respectivas cervizes e após cerimónia do beija-mão “papal – mesmo que alguns, dentre esses, tenham sido previamente presenteados com gozações brejeiras, obscenos “puxões de orelhas” considerados difamatórios ou injuriosos da sua honra, se honra lá morasse, tudo tornado público por via de “edificantes” escutas telefónicas – é tolerado de vez em quando um qualquer arrufo que destoe do monopólio da “cúria”. Doutro modo, só aos “evangelizados” tal permissão é consentida.

Que o Benfica fale das arbitragens é um sacrilégio, um sacrilégio que faz com que a turba do “papa” logo toda se esgadunhe no satanizar e esconjurar com os oráculos da “purificação” do dogma do seu mentiroso representante e “engenheiro” doutrinal máximo, qual sacerdote no afã de exorcizar os demónios que invadem as almas do purismo da sua religião da mentira e da manigância.
Contam para essa novena oratória, em particular, com os ditos treinadores que implantaram nos clubes amigos, satélites em caça das migalhas que sobram da ceia “papal” como se ela fosse a “última ceia” dos favores que esperam em troca de um dobrar da espinha e de um lamber de botas bem ensaiados e melhor representados. Contam ainda com a publicidade fastidiosa de variados lacaios da dita comunicação social que, por vezes com algum esforço, conseguiram domar e domesticar.
A plantação dos treinadores doutrinados e domesticados é uma das peças engendradas na servitude da engrenagem do sistema da máquina supra mencionada, tal e qual os lacaios da comunicação social em que, para amansar os mais destemidamente renitentes, não raras vezes houve necessidade de recorrer a black-outs, boicotes e até zurzidelas no pêlo, enfim, um último mas proveitoso recurso não apenas ensaiado mas praticado com destreza pelas milícias da “corte”, com ou sem guarda Abel, “pidá” ou Madureira, também apelidado de “o macaco”. Estas “coçadelas no pêlo” estão cheias de promessas reais de impunidade total, que elas foram abençoadas pelo “papa” e contra o “papa” não há quem ouse pecar!

Quando o Benfica fala de arbitragens apenas pede que elas sejam isentas, que cumpram escrupulosamente as regras do jogo, acentuando que ele não pede nem deseja favores mas apenas que não seja lesado com o incumprimento grosseiro das mesmas e sob a batuta ou a complacência daqueles cuja função era precisamente o cumprir e fazer cumprir a lei.
Todavia, a máquina organizativa do tal “sistema” futebolístico nacional foi engendrada e montada tendo como especial mas não único desígnio a domação das arbitragens no sentido do favorecimento do clube em redor do qual foi inventada, planificada e colocada em laboração plena.
No sentido do favorecimento directo e no sentido do desfavorecimento do seu concorrente, o Sport Lisboa e Benfica, este desfavorecimento tornado um óptimo favorecimento indirecto que disfarça os objectivos pretendidos da falsificação completa da verdade desportiva e conduz às “vitórias” da contrafacção de campeonatos que podem assim ser facilmente comprados nos supermercados, tal como Sir Alex Ferguson, mesmo lá de longe, não deixou de notar, tão flagrantes são as tramóias e as falsificações corruptas dessa mesma verdade desportiva futebolística.
Por isso, os sequazes do “papa” se aprestam na sua carpidura de virgens ofendidas pela ousadia do assomo na abordagem não autorizada de um tema de marca registada pertencente ao seu monopólio da batota desportiva, logo que o Benfica tente beliscar esse monopólio.


Sejamos claros com as palavras e os ditos. Quando o Benfica pede isenção às arbitragens, quando o Benfica reclama por ter sido gravemente lesado pelo não cumprimento grosseiro das leis do jogo que tem por objectivo e se concretiza no essencialmente consequente desvirtuamento dos princípios da verdade desportiva, quando o Benfica diz claramente que não quer ser beneficiado mas também não quer ser prejudicado como o tem sido e contra o qual se insurge, é inteiramente verdade que está a tentar influenciar a arbitragem, que esta objectivamente a tentar pressioná-la, a tentar condicioná-la.
Todavia, está a tentar pressioná-la, influenciá-la ou condicioná-la para que ela aplique correctamente as leis do jogo, cumpra e faça cumprir rigorosamente as regras regulamentares, e seja um veículo essencial de uma verdade desportiva e não o “motor” doutrinado precisamente para o completo desvirtuamento dessa verdade.

O Sport Lisboa e Benfica acentua, com reiterada e elevada ênfase, que não quer ser beneficiado, o que é um seu dever, mas que também não quer ser prejudicado, directa ou indirectamente, o que é um seu legítimo direito.

É fácil, assim, classificar o relambório dos empregados domésticos da “cúria papal”, treinadores com lugar de bancada nessa declamação de ordinarice. Quando repetem vezes a fio o mesmo oráculo dogmático de que a intervenção do Benfica condiciona, pressiona, tentando influenciar a arbitragem – num pulhismo de mensagem que muita comunicação social replica “ad nauseam” – eles é que estão, bem objectivamente, a pressionar e a condicionar a aludida arbitragem.
E a condicionar a arbitragem precisamente no sentido da manutenção do “status quo ante”, isto é, na continuação do favorecimento execrável e espúrio, directo e indirecto, de um clube que não sabe ganhar com regras limpas, claras, isentas e imparciais.
Todos esses magarefes do pulhismo, ao contrário do Benfica que só pede a isenção e o cumprimento integral e rigoroso das leis do jogo, doa a quem doer, estes empregados domésticos do “papa”, dizia-se, pedem, o contrário. Pedem descaradamente a continuação da mentira desportiva que o seu amo e senhor implantou e rege impunemente. Condicionam e pressionam a arbitragem para que ela continue a arbitrar como o tem feito, não cumprindo nem fazendo cumprir as regras do jogo, beneficiando o clube que detém o poder de a classificar ou desclassificar, promover ou despromover e prejudicando deliberadamente o seu opositor directo.

O Benfica pede isenção.
Os serventuários da “cúria papal” da corrupção desportiva e putativos donos das carreiras dos árbitros pedem a costumada, continuada e vergonhosa parcialidade arbitral.
Sir Alex Ferguson nem precisou de ouvir as escutas no youtube para chegar à conclusão óbvia, que só a totalmente descredibilizada justiça civil que temos é que não vê … o que não quer ver!

Todo este monopólio abocanhado pelo sistema da depravação da verdade desportiva em Portugal melhor se compreende quando o Sport Lisboa e Benfica, contra tudo e contra todos, se sagra campeão nacional.
Então, os servidores, empregados domésticos, paus-mandados, cardeais, bispos e abades da “cúria papal”, com seu “papa” à cabeça dando a sua bênção “urbi et orbe” aos da sua laia, andam sempre de boca cheia, repetem fastidiosamente que o Benfica “foi levado ao colo” pelos árbitros. Os árbitros, aqueles árbitros que eles dominam e cujo poder de lhes moldar a carreira a eles somente pertence. Árbitros, que continuaram igualmente a favorecer o seu clube na razão directa do desfavorecimento do Benfica, verdade que eles escamoteiam despudoradamente e com a anuência envergonhadamente cúmplice da comunicação social que domaram a seu bel-prazer.
E nem a pretérita oratória “papal” do “campeonato dos túneis” ensombrou tão devotada novena, pois ela serviu essencialmente e apenas para justificar o incumprimento da promessa feita a mortos.
É a prédica dos que, não sabendo ganhar, menos ainda sabem perder.

Sabe-se que muitos árbitros não confessam o seu “portismo” enquanto clube da sua eleição, nem os que, legitimamente, o possam sentir, nem os restantes de inclinação diversa, que serão talvez a maioria, se reflectirem a proporção adepta afecta a cada um dos chamados grandes.
Mas a sua carreira arbitral é uma razão que, mesmo quando sem razão, os faz deslizar num colaboracionismo militante com o poder de a influenciar positiva ou negativamente. Trata-se de condicionamento psicológico que nem todas as fraquezas humanas conseguem suportar e que a “corte papal”, sempre pronta na berraria contra o Benfica, mui respeitosamente silencia.
Mesmo durante o apito dourado os árbitros não conseguiram, ou não o quiseram, demonstrar alguma independência face ao poder “papal”. Talvez já adivinhassem – e face à experiência quotidiana da justiça portuguesa vinda já de alguns anos, nem era necessário ser grande bruxo – que o “papa” e os seus mais chegados fossem absolvidos com distinção e dita falta de provas, no meio de uma abundância delas nunca vista!

Colocar a carreira arbitral em perigo?
Pedro Henriques ainda agora sofreu na pele essa demonstração … e nem sequer era um dos árbitros “infiéis”!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Os “balanços” arbitrais, os precedentes e os ridículos da cúria

1. Dizem que Vítor Pereira inaugurou há dias uma fase inédita de apreciação crítica das arbitragens efectuadas pelos árbitros de cuja nomeação será o principal responsável, dado o seu cargo de Presidente da Comissão de Arbitragem da LPFP. Também já se disse, ele incluído, que esta apreciação será periódica, abrangendo conjuntos de cinco jornadas disputadas.

O primeiro “balanço” aconteceu numa situação sensível, mesmo para o responsável apreciador, uma vez que se seguiu a uma tomada de posição de força do Benfica contra vergonhosas actuações arbitrais, directamente em seu desfavor, culminando no jogo contra o Vitória de Guimarães onde se assistiu a uma das mais burlescas representações da arte e da artimanha do arbitrar.
Como se sabe, é muito mais perigoso e difícil, neste país futebolístico de tanga e de cerviz vergada, conceder uma ainda que imaginária atenção ao Benfica do que um árbitro cometer um suposto erro de apreciação contra o clube que os controla, premeia ou pune através das apreciações dos seus “observadores”.

O “balanço” de Vítor Pereira só deu brado nas circunstâncias em que aconteceu, não na substância do que apreciou, substância que se limitou em grande dose à defesa das actuações arbitrais, mesmo quando reconhecidas possibilidades de outros ajuizamentos, relevando as dificuldades de visão estratégica posicional, de reacção decisória ao momento e do muito propagandeado erro desculpável, a saca sem fundo de praticamente todo o erro arbitral, menos quando esse árbitro se tenha mantido na neutralidade da salvaguarda do bom cumprimento das regras do jogo e, consequentemente, não tenha desfavorecido o Sport Lisboa e Benfica.
É certo que Vítor Pereira colocou uma certa ênfase nos erros de Benquerença, nos penaltis por marcar que favoreciam o Benfica, no fora de jogo mal assinalado a Saviola. De igual modo, abordou de forma um pouco mais preocupada do que o habitual o penalti perdoado ao FC Porto no jogo deste contra o Rio Ave.
Muito pouco para a imundice que, sempre numa certa direcção de favorecimento, tem sido o desempenho arbitral nos jogos da presente Liga Sagres.

2. Perante esta mui ligeira e suave apreciação da arbitragem, confesso que me causou surpresa, pelo seu acanhado conteúdo, o comunicado subsequente e consequente do Benfica depois da, de alguma forma, dura tomada de posição anterior. Deu a impressão de que suavizou o seu furor e de que se contentou com muito pouco.
É certo que sabia bem marcar posição, talvez querendo fazer ver aos cépticos por opção e devoção de que a razão estava do seu lado e fora confirmada pelo responsável mor das nomeações dos árbitros.

Na minha perspectiva, todavia, cometeu dois erros. Perdeu a oportunidade, se não de reforçar a dureza da sua anterior posição, ao menos voltar a sublinhá-la de novo, como que recordando não se ter tratado de uma mera brincadeira de oportunidade conjuntural, antes uma posição para executar em consonância, doa a quem doer. Acresce que, quem tem a força da razão, não precisa de aproveitar uma deixa, qualquer que seja e muito menos tão ligeira e suave, para fazer vincar a mesma força dessa sua razão.

3. A oportunidade e a substância do discurso de Emídio Macedo são perfeitamente compreensíveis. Não foi o relevo mediático e a quase confirmação dos ditos de Vítor Pereira sobre a razão das queixas arbitrais por parte do Benfica e que, directamente, beneficiaram o seu clube, a razão fundamental da sua aparição. Ele próprio nos demonstrou isso mesmo com o exemplo do jogo Braga-Vitória de Guimarães da pretérita temporada.
Com o seu discurso, Macedo só confirmou a razão do Benfica!

Emídio Macedo sabe bem que joga outro campeonato, a sua guerra é outra, é uma “guerra minhota” que o seu clube trava contra o Sporting de Braga pelo “campeonato do Minho” que concederá ao vencedor o título de “o quarto grande”.
Emídio Macedo também sabe bem onde está o poder. No ano em que o apito dourado ainda lhe deu falsas esperanças, ousou enfrentá-lo. Sofreu danos na pele, pelo que tem igualmente de ir adocicando a pílula. Ademais, sabe que o seu rival minhoto é clube satélite desse poder.

Macedo disse que, a partir de agora, Vítor Pereira está obrigado a falar de todos e de tudo!
Inteiramente de acordo, apenas me assalta uma dúvida que, sem falso pudor, reputo de legítima. Quanto a mim, o “tudo” de Macedo apenas parece ter como pressuposto a forma, não a substância!
Com efeito, Vítor Pereira devia e deve falar dos caminhos ínvios por que enveredou a arbitragem portuguesa desde que o “papa”, seus “cardeais”, “bispos”, “abades”, apóstolos e discípulos lhe puseram a manápula em cima e passaram a pôr e dispor dos seus destinos.
Emídio Macedo devia exigir que se falasse dos caminhos obscuros percorridos por um árbitro nacional que chega à Liga Sagres, desde a sua “primeira comunhão”, passando pela sua “profissão de fé na manigância desportiva e concluindo na sua “subida ao céu” da Liga Sagres, aí pregando finalmente a mentira desportiva em que o doutrinaram distintamente, com “canudo” e tudo.
Emídio Macedo devia exigir que se falasse da sua (dos árbitros) doutrinação “ad aeternum” a cargo dos “anjos e arcanjos” observadores pidescos da doutrina “papal” da subversão da verdade desportiva, tornando os árbitros nos “santinhos” da “cúria”.

4. Com MST temos o ridículo. Com Vilas Boas temos o ridículo e o precedente. Temos um precedente de um procedente esquecimento. Vilas Boas devia saber – e sabe, apesar de estúpido – que, estivessem o Benfica, o FC Porto ou qualquer outra equipa no lugar classificativo que estivessem, acontecessem ou não erros graves arbitrais, o precedente não nasceu na precedente conversa de Vítor Pereira mas germinou de uma intenção prévia ao início da Liga, devidamente divulgada.

Vilas Boas tem também, raramente, é certo, pequenos momentos de sanidade intelectual na abordagem das respostas. Sabe de ginjeira, nomeadamente, que deseja um Olhanense e outros amigos a jogar de olhos nos olhos, eufemismo que serve para apelar à macieza do adversário num amigável convívio de bons rapazes com o seu dono. Deu como exemplo o Beira-Mar, prevendo dificuldades maiores se o Olhanense e os outros não forem na cantiga.
O Olhanense, tal como o Beira-Mar, também foi!

A sua sanidade intelectual “in casu” advém-lhe de evitar falar em precedente porque, atendendo a todos os procedimentos precedentes, precedente seria ele falar em precedente. Naquela casa e até noutras casas do mesmo patrão – tem muitas em que é ele, patrão, quem paga os ordenados dos jogadores para o servirem, naturalmente – sabe-se há muito o que acontece. De resto, essa foi também uma teia montada pelo reino “papal” da corrupção desportiva condenado por tentativa e que é tão conhecida quanto vergonhosamente abençoada e omitida.
A teia de satélites foi constituída somente com o objectivo, complementar da doutrinação das arbitragens, de facilitar a caminhada do “planeta papal” e dificultar a do seu directo concorrente.

Vilas Boas conhece bem esta teia e os favores a ela associados, até porque o julgam sósia do “special one”.
E não disse este com todas as letras, ainda agora em Espanha, que «há equipas que oferecem o jogo ao Barça»?
É difícil de saber onde aprendeu Mourinho as primeiras e as últimas lições sobre tal matéria?
Em Inglaterra não foi porque aí joga-se a Liga mais limpa do mundo, a mais espelhada de verdade desportiva.
Em Itália também não porque, quando tem de actuar, a justiça desportiva italiana actua, cumpre e faz cumprir a lei, e castiga, não simbolicamente mas de acordo com a tramóia feita.

É bastante natural que as lembranças das lições que Mourinho aprendeu e de que largamente gozou enquanto treinou o clube que havia de ser simbolicamente condenado também por tentativa de corrupção desportiva –batotices desportivas cometidas enquanto aquele era o seu treinador – fossem agora despertadas pela vizinhança!
Natural é ainda que Vilas Boas também as saiba todas de cor e salteado, há muito tempo! Sabe que este precedente já não tem história, tão submerso de história ele se encontra! Afinal, Vilas Boas foi escrivão dos relambórios e dos relatórios de Mourinho!

Por todas estas “qualidades” já sobejamente demonstradas por Vilas Boas, é um desperdício afirmar ele que, “se não fosse ridículo, aconselhava a pedir a repetição do jogo Benfica-Vitória de Guimarães”. Irmanando de toda a sua pessoa, como herança congénita e patológica, esse dito ridículo de que fala, não é ridículo que ele sugira o sabidamente impossível e inalcançável. E não é ridículo ainda porquanto ele, na sua inveja dos precedentes, de precedentes da parvoíce deseja ser emérito autor!
Mas está numa casa que há décadas lhe roubou esse “privilégio”!
Tendo de contentar-se com a atoleimada sugestão. Ridículo, ridículo mesmo seria pensar que ele não sugerisse o ridículo!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A “jarra” faz de conta e o ridículo de Miguel

1. Já muito se tem falado numa famosa “jarra” onde são “aprisionados”, segundo dizem, os árbitros que, na opinião de alguns dos seus julgadores, erraram fortemente na sua função. A “jarra” será, ao que parece, uma espécie de prisão, uma prisão não da liberdade de movimentos mas da liberdade de arbitrar.
O julgamento do árbitro, não o do público do futebol mas o dos que o “condenam”, é altamente secreto. Só se sabe que um árbitro é punido com o “degredo da jarra” depois de ter sido “condenado”, pelo que se crê, apesar de tudo, que algum julgamento causal da punição se efectuou algures, no secretismo do espaço e do tempo.

Dá a impressão de que é um dito Conselho de Arbitragem, da LPFP ou da FPF, a entidade responsável pela escolha e a nomeação de um árbitro de futebol para a missão que lhe cabe no pleito desportivo para o qual foi nomeado.
Presume-se, pela ordem natural das coisas, que é esse citado Conselho que deve ser responsabilizado pelo bom ou mau desempenho do árbitro que ele nomeia, no que concerne à competência, capacidade e isenção deste para a missão concreta que lhe confiaram, qualidades intrínsecas e essenciais que devem estar caucionadas por quem tem a função da nomeação.
Como contrapartida dessa responsabilidade, será legítimo presumir-se ser esse mesmo Conselho a entidade julgadora do bom desempenho do árbitro que responsavelmente – outra presunção legítima – o designou para certa função.

O Portugal futebolístico, todavia, é um caso “sui generis”. Todos sabemos, com efeito, que a avaliação do mérito ou demérito arbitral, a avaliação responsável pelo seu enquadramento nos diversos quadros de juízes de futebol dos diversos escalões e divisões compartimentais em que está enquadrado todo o futebol nacional, bem como pela posição respectiva nas várias tabelas classificativas e nas subidas e descidas de divisão, com suas consequências em prestígio pessoal e principalmente económico, tal avaliação, dizia-se, pertence aos designados “observadores” dos árbitros, uma sociedade virtualmente secreta que, no secretismo da sua consciência, é quem realmente detém o poder de qualificar, meritória ou demeritoriamente, os ditos juízes.
E é esta organização “observadora” que define uma qualificação com consequências decisivas, boas ou más, para a carreira arbitral, não os que julgam e condenam os árbitros à “jarra”.

Estes “observadores” constituíam uma sociedade fechada, bem conhecida pelas suas tendências clubísticas, em primeiro lugar, uma vez que estão enfeudados a um certo clube que até já foi condenado, conjuntamente com o seu presidente, por corrupção desportiva tentada. Conhecida, em segundo lugar, dado ser constituída por comparsas constituintes que foram acusados de falsificação da classificação dos quadros arbitrais, com escutas bem conhecidas e melhor difundidas pelo mundo inteiro, menos pelos juízes da justiça civil portuguesa.
É uma sociedade fechada, enquistada na defesa dos privilégios atentatórios da verdade desportiva, uma sociedade de “compadres” da qual só podem fazer parte os que prestem o juramente ao compadrio devotado a uma organização clubística que, na sombra e às claras – estão acima de quaisquer consequências punitivas – assim manobra a arbitragem em prol dos seus desígnios ilegítimos porque desvirtuam o são e verdadeiro desporto.
É esta sociedade de “compadres” a que detém o verdadeiro poder no futebol nacional, conquanto como mera representante de poderes mais elevados. É ela a que classifica e desclassifica árbitros, que os promove e despromove, que arranja a escala classificativa a seu gosto. É ela que, em consequência, fornece aos responsáveis pelas nomeações concretas dos árbitros a matéria com que estes se têm de haver.

O árbitro de futebol é um juiz, um julgador de actos e comportamentos não conformáveis com as leis ou regulamentos e regras que regulam este desporto. Como tal, no processo para que é nomeado, deve analisar o cumprimento dessas leis, regulamentos e regras, bem como julgar o correlativo incumprimento e punir os infractores.
Só assim cumpre a sua missão, cumprindo e fazendo cumprir as leis do futebol.

Para haver condenação de um árbitro à “jarra”, é mister que se entenda ter o árbitro condenado incumprido as leis ou regulamentos, quer não os fazendo cumprir, quer não punindo de acordo com o que eles obrigam, quer aplicando-os de forma severamente defeituosa.
Um juiz que não cumpra nem faça cumprir a lei está constantemente a violá-la, por acção ou omissão.
Um juiz que, para além disso, a cumpra defeituosamente, não tem competência para a missão que lhe foi confiada e deve não apenas ser punido pelo incumprimento como ser responsabilizado pelos danos que a sua acção ou omissão ilegítimas provocam nas vítimas.

Estamos todos de acordo sobre o princípio do “errare humanum est”, aquele princípio que muitos pretendem seja o justificativo de todos ou da enorme maioria dos erros arbitrais. Mas o princípio do “errare humanum est” assenta na filosofia do erro desculpável e na sua essencial contingência, na fortuitidade imprevista da matéria sobre que recai e dos bens atingidos.
Não será, com certeza, em nome deste princípio que se julga e condena o árbitro à “jarra”. Tal condenação só deve assentar num julgamento que, justo, provou terem havido, não erros desculpáveis mas erros grosseiros, indesculpáveis. Esses erros indesculpáveis e grosseiros são aqueles em que houve, ou dolo ou negligência grave do infractor.
Por isso, devem ser punidos. Por isso, são certamente punidos com o “degredo da jarra”.

É natural que se pense que os incumpridores por erros dolosos ou gravemente negligentes não sofram apenas uma punição meramente mitigadora dos seus poderes de arbitrar e intrinsecamente simbólica. Existem vítimas que deviam ter direito a indemnização pelos danos sofridos através dessas acções dolosas ou gravemente negligentes.
Mas não são, apesar de verificarmos que tais erros têm sempre um mesmo e único beneficiário, directo e indirecto. Bastaria esta constatação de reiterada coincidência, ao longo de tantos anos, décadas já, para que não houvesse dúvida razoável, e bem razoável, sobre a fraudulência desses erros e sobre a corrupção activa que a induziu. No entanto, o que se verifica é que a “punição” com a “jarra” é normalmente um crédito de uma boa classificação na tabela classificativa arbitral. Pune-se a vítima, premeia-se o infractor.
Mas se até a justiça civil relevou essa acção fraudulenta, como Pilatos a morte de Cristo, conquanto os tribunais de júri populares a deram como sobejamente provada, o que há a esperar de uma organização tipo mafiosa que se mantém bem entrincheirada, imunizada e inimputável?

O julgamento e a “condenação à jarra” não têm, na verdade, e tal como a prática nos demonstrou e demonstra, qualquer utilidade prática. Não previne futuros “crimes” de incumprimento e violação, nem de forma geral nem de forma especial, não reassocializa o árbitro que é sempre um deus pronto a praticar as suas reincidências infractoras, que o premeiam nas classificações, disso tem ele a certeza. E muito menos os ditos julgamento e “condenação à jarra” preenchem o efeito retributivo que a sociedade sempre espera, ou devia esperar, de uma condenação, efeito que constitui princípio que é um seu elemento essencial.

A condenação à “jarra” arbitral é, em Portugal, mais uma das convenientes panaceias do “faz de conta” que adormece a turba, castiga as vítimas e premeia os prevaricadores.


2. Miguel Sousa Tavares aborda actualmente o tema da morte auto infligida pelo ridículo …
E fala de cátedra!
Endemicamente desmemoriado em questões históricas, compulsivamente condenado no exprimir de um chorrilho de mentiras, patologicamente aprimorado em afirmações labregas, dele não pode dizer-se que se auto suicida com o vírus do ridículo.
Miguel Sousa Tavares é a própria incarnação genética do ridículo!
Por isso, desde há muito que se suicidou no ridículo da seriedade de expressão do seu pensamento.

Entretanto, no ridículo de Tavares já lá vão 8 penaltis cometidos sobre jogadores do Benfica e não punidos, dois penaltis cometidos por jogadores do FC Porto e perdoados, golos limpos anulados ao Benfica, golos concedidos ao FC Porto com jogadores seus às cavalitas do adversário.

A panaceia do costume – de resto bem doutrinada pelos sequazes de quem é sempre o mesmo e único beneficiário, directa e indirectamente, dos erros arbitrais – é a de que uma equipa joga pouco, menos do que devia, e a outra joga muito, mais do que era obrigada.
Mas o que é que esta conversa tem a ver com as leis do jogo e com a sua aplicação aos casos concretos?
A aplicação das leis do jogo não depende do jogar bem ou do jogar mal mas do seu cumprimento e da punição pela sua violação. As leis do jogo nem sonegam direitos aos que estão a jogar de menos, nem isentam de deveres os que estão a jogar de mais.

A mesma panaceia com que se tentam iludir os tolos consiste em dizer – ainda em consonância e complemento da anterior – que, se um clube devia estar a jogar mais do que está, ele não precisava de que o árbitro fizesse aplicar rigorosamente a lei para vencer, venceria de certeza, enquanto que, por outro lado, se um clube está a jogar mais do que era pensável, igualmente o árbitro não precisa de aplicar com igual rigor a mesma lei, punindo as suas infracções, porque ele vence de qualquer jeito!

São os costumados oráculos vindos da “cúria papal”, sem enigma que exija poderes sobrenaturais para os decifrar. Se as promessas a mortos não resolvem, resolvem a doutrinação e os presentinhos do costume, belas classificações as mais preponderantes, tudo a cargo dos vivos, aqueles vivos a quem essa “cúria” colocou de apito na boca.

As leis de jogo são para cumprir e aplicar, seja em que circunstância for. Os direitos são para conceder, os deveres são para exigir, as violações são para punir. Em todas as circunstâncias, em todos os momentos, sem condições prévias ou posteriores.
Depois, vencerão os resultados desportivos, vencerá o futebol e predominará a verdade desportiva.

Mas os árbitros, vários árbitros, não fizeram cumprir as leis do jogo. Bem mais grave, violaram-nas, não punindo os infractores e punido quem as respeitou!
E assim se operou e cumpriu o desejado pela organização tenebrosa que estiolou o nosso pobre futebol, sujeitando-o à trapaça, à corrupção, à manigância, ao compadrio, aos resultados previamente determinados, enfim, à vitória da mentira desportiva.

sábado, 18 de setembro de 2010

Laurentino, secretário, e Madaíl, pé descalço e carapuço

1º Laurentino, secretário

Bem se lamuria Laurentino, secretário – de estado, dizem uns, do estado a que isto chegou, argumentam muitos mais – de que nunca ofendeu ou desrespeitou o Benfica.

Que nunca ofendeu esta Grandiosa Instituição, concorda-se. Laurentino, secretário, é muito pequeno, tacanho de hombridade, para ofender quem tão Imenso é, nem grama de poder tem para o conseguir beliscar.
Não ofende quem quer mas só quem pode e Laurentino, secretário, pode pouco no reino da compostura desportiva, perante a Grandeza de uma Instituição centenariamente Gloriosa.
Já a respeito do desrespeito, a coisa não é tão inocente como tão inocentemente Laurentino, secretário, tenta prantear-se.

Laurentino, secretário, também lacrimeja inocência quanto à sua “inocência” a respeito do apito dourado. Procede sempre assim, diz ele, deixa a Justiça à (in)justiça, separa bem os poderes, não se imiscui, ajuramenta, nos dos outros.

A coerência de Laurentino, secretário, salta à vista desarmada. Por exemplo, no caso Nuno Assis.
Nuno Assis foi julgado pela justiça desportiva portuguesa, em primeira e segunda instância.
Laurentino não se imiscuiu!... Aceitou os poderes da justiça, separou-os da sua sanha vingadora, um exemplo de coerência e … digna decência de comportamento exemplar!...
Pois foi mesmo assim!!! Só por respeito ao Benfica e à justiça desportiva portuguesa se assanhou “respeitosamente” porque ele já havia julgado e condenado e o seu ego pragueja sua satisfação defeituosa! Que direito tinha a justiça, a justiça desportiva “in casu”, para ousar afrontá-lo e absolver o que Laurentino, secretário, havia previamente condenado?!
Laurentino é secretário, de estado ou do estado, mas secretário!
Separação de poderes?!... Respeito pela separação de poderes?!...
Isso são ditos!... Que disparate!...

Claro, Laurentino, secretário, é “coerente” e disso se gaba. Por isso, apadrinhou agora o caso de Queirós com sua zanga à vespertina visita levada a cabo por uma instituição sob sua tutela!
Pede-se à justiça desportiva para julgar o incidente dos melindres das comadres, todas muito ciosas dos seus “direitos” e dos seus bitaites. A justiça desportiva julga mas as comadres sob tutela de Laurentino, secretário – este não, está-se veniando, sempre “respeitosamente”, para a separação dos poderes – continuaram fazendo beicinho e amuados! E vai daí, abocanham processo vingador apropriado e amandam-nos com um modelo de (in)justiça em causa própria.

Visto isto, Laurentino, secretário, encangado na tutelagem destes justiceiros poderes e nos apelos destas comadres ofendidas, acha muito bem! É como a GNR ou a PSP, atira lá do alto da sua secretaria!

Pois é! Não tarda nada, há um pilha galinhas por aí que resolve xingar um polícia. A justiça da (injustiça) portuguesa ou manda soltura no homem ou abranda no seu justiceiro condenatório!
E a polícia resolve julgar e condenar o xingador! Mas vai apregoando, com seu tutor incluído, … “respeito pela separação de poderes”!
E as suas decisões?!!!
Quando convém! Mas por que é que estes senhores de “separadores nos poderes”, “respeitados” na linguagem, não desagravam os seus – dos “respeitadores” – amuamentos?
Por que julgam e decidem eles em “desrespeito” por quem tanto lhes ajuramenta “respeito”?

Tudo bem, e nem será preciso que Laurentino, secretário, seja o tutor das polícias, que ele, a respeito do “respeito” pela separação dos poderes é um prodígio modelar!
Por Laurentino, secretário, já não faltará muito! E com tantos Laurentinos por aí, secretários igualmente, de estado ou do estado, tanto faz, os receios a respeito de um tão devotado “respeito” não parecem ser mesmo nada virtuais!

2. Madaíl, pé descalço e carapuço

Costado vergado na serventia, farrapão na glória e na desonra de uma assolapada e destroçada selecção dita nacional, alpercatas surradas nos caminhos da solicitude reverencial, carapuço enfiado e baraço ao pescoço, de mão estendida, eis Madaíl a caminho de Madrid num esmolar de pedincha salvatérica.
Consciência obnubilada, talvez se julgue um igual aio redentor da honra traída por um rei fundador de uma independência que rompeu o jugo da desonra e a reclamou, obtendo-a para um povo não disponível a vergar a cerviz.
Madaíl é apenas um pedinte pobretão em busca de salvadora e continuada servidão a uma “cúria papal” que impõe o jugo, num esmolar de dependência e não de independência.

Enganou-se no sítio! Ficou à margem!
Enganou-se no benfeitor que, de esmola, lhe concedeu apenas um pouco de compaixão, “tocado” pela mão estendida, carapuço em riste à espera do vintém, numa pedincha angustiada e lamurienta.

Madaíl viveu no tacho do pendura da selecção nacional e dos seus resultados à custa de nobre geração futebolística.
A mama acabou-se!

Mas Madaíl prossegue o tacho, que os seus senhores se aprestaram a prometer-lho de novo, servo da gleba com obra serviçal prestada.

Carapuço esvaziado de vintém, sem prato de sopa ou naco de pão duro, Madaíl fez meia volta, desonrado no propósito, rejeitado no intuito, tremelicoso na passada e de carapuça bem enfiada!
Bem ao contrário daquele aio digno, D. Egas, que ofereceu a honra e mais honrado o devolveram em graça e paz, exaltado na sua acção de homem ilustre, nobre e distinto.

Dizem que não desarma, o baraço tem folga ainda, a vergonha pereceu há muito, a persistência no naco de pão duro e a boina estendida são apetências da servitude.

Será que terá sorte?
Mesmo que até possa aparecer alguém mais caridosamente compassivo com a desdita do farroupilha e lhe atire algum vintém ou alguma côdea de pão mirrado, o labéu é o seu fado.
Bem pode o miserento recitar o seu padre-nosso e as suas abluções de agradecimento canino!
Lambida a côdea, hão-de ficar sempre, ao menos, o carapuço e o baraço como símbolos da serventia do dono!