quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Os “bons samaritanos” e os mamões da pedincha

1. Os “bons samaritanos”

Na sua recente tomada de posição contra a adulterinidade constante da verdade desportiva, homenageada pelos adúlteros e sofregamente abocanhada pelos serventes do adultério, o Benfica anunciou que iria repensar a sua participação na Taça da Liga. Foi quanto bastou para aparecerem de imediato os lampeiros do costume que, apressurados, logo se esforçam por demonstrar a sua “ilimitada erudição” do mundo das leis portuguesas e desportivas – no caso – regulamentos a preceito, determinações e penalidades.
No entanto, Benfiquistas, não se enfureçam nem dêem muito crédito a isto! Afinal, é o seu modo pressuroso de “bons samaritanos”, mais a sua veia tentadora de demonstração da sua “sabedoria” da ignorância! Depois, nos órgãos sociais do Benfica nem há juristas e homens de leis, nem o Benfica tem um gabinete jurídico!... Há apenas, comparado com aquele “iluminismo” omnisciente e omnipresente, apenas ignorantismo pedante (!), uma visão que sempre os ditos “iluminados” conseguem descortinar, e com mediana clareza, no espelho que é a sua constante de reflexão … em sentido físico, entenda-se!...

Um sabichar tal, o destes “bons samaritanos”, que só consegue paralelo no seu silêncio sepulcral sobre os atropelos à lei, às constantes pantominices sobre a verdade desportiva, ao recebimento de árbitros em casa como complemento da “fruta” servida numa ceia faustosa, recebimento agora transmutado em homenagens à manigância.
Ademais, bem se compreende este silêncio sepulcral.
Por um lado, perde-se tempo a querer enumerar as leis, seus regulamentos, determinações e penalidades a quem não sabe o que é a lei, a quem vive fora da lei e a quem quase é aplaudido e homenageado por torpedear a lei por uma dita justiça que, diziam – e ainda dizem numa retórica recorrente para enganar o pilha galinhas que caia nas suas malhas – fora criada e existia precisamente para aplicar e fazer respeitar essa lei, ou seja, uma justiça para fazer Justiça, coisa de que há muito se esqueceu!
Por outro, de sepulcros estão eles, os “bons samaritanos”, bem doutrinados, tanto quanto sabem quem tem esse privilégio exclusivo de falar e prometer, às vezes sem cumprir, a mortos aí supostamente a descansar na sua última morada.

Estes bons samaritanos têm ainda outros atributos que não são de modo algum inéditos mas bem conhecidos. Eles recitam por mando e por conveniência às ordens do amo, o que não constitui segredo para ninguém! Assim, não será correcto referir-se que eles se esqueceram de citar a lei que impõe o prévio reconhecimento das provas futebolísticas nacionais, a sua ratificação pelos órgãos governativos próprios, para que estas provas se imponham a qualquer dos seus potenciais participantes.
A Taça da Liga, tanto quanto é sabido, não foi ainda reconhecida e ratificada conforme à lei. Pormenor insignificante, para os tais, mas que esvazia de efeito útil aqueles preceitos que eles tão pressurosamente vieram citar porque a Taça da Liga, enquanto não reconhecida e ratificada, não se enquadra nas suas previsões.

2. Os mamões da pedincha

Deve dizer-se em abono da verdade que aquilo que mais assustou os pobres do futebol português que vivem exclusivamente sustentados pela teta do Benfica e dos adeptos do Benfica, foi o pedido dos órgãos sociais deste clube para que os seus adeptos «se abstenham de se deslocar aos jogos fora de casa»
Os seus comentários são, deveras, interessantes, até por serem supostamente – na cabeça dos seus autores – uns aconselhamentos dignos de um bom “pater familias”, inspirados sem dúvida nos tão elogiados – pela justiça civil que o julgou – aconselhamentos familiares do “papa” da corrupção desportiva tentada.
Estes pedintes – presidentes do Olhanense, Portimonense e Rio Ave, até agora – só a custo é que reconhecem a “ferida” que a ausência provoca nos orçamentos dos seus clubes, se o “abono de família” e a chave real da sua sustentação económica falhar. Em vez de pedirem misericórdia como todos os pedintes que precisam, alongam-se nos ditos aconselhamentos.
«Então é lá coisa que se faça a uma equipa, retirar-lhe o apoio dos adeptos?»
«Então o pedido de abstenção dos adeptos ao campo dos adversários desportivos não retira crédito ao futebol português?»

“Apitos dourados”, batotice desportiva, conversas dignificantes das tramóias que circulam por todo o mundo via youtube, tudo isso são créditos ao nosso futebol, naturalmente. Retirar a chucha que lhes permite, pelo menos, sobreviver para serem comparsas dessa podridão da verdade desportiva, isso é que é descrédito.
E talvez tenham razão porque, sem mama, os compromissos – ordenados e outros – ficam naturalmente por pagar.
Querem dar-se bem com Deus e com o diabo?
Pois Deus retirou-lhes agora a mama!
Querem-na de volta?
Reneguem o diabo, juntem-se a Deus, abominem «os que ergueram uma organização à margem da lei e um modelo de violência e intimidação de quem não comer da sua cartilha». Basta que deixem de apoiar e, pelo contrário, condenem «os que trilham caminhos sinuosos sem problemas de consciência e sem reparo e sem castigo».
Ou a abominação da sujeira e da trapaça desportiva, ou o abono de família.
A escolha é agora bem clara.

E para que saibam ou não queiram fazer dos Benfiquistas apenas os ofertantes das chupetas que tendem a murchar, fica bem claro que os órgãos sociais do Benfica não pediram aos Benfiquistas que retirassem o apoio à sua equipa, nem nos jogos fora da sua casa. Pelo contrário, pediu-lhes para continuarem a apoiá-la “de forma inequívoca e sem reservas”.
Apenas foi recomendado que os Benfiquistas “se abstivessem de se deslocar aos jogos fora de casa”! Aos jogos, sublinha-se, o que significa apenas que se abstenham de se deslocar aos campos de futebol dos adversários, nada mais, pois é nestes campos de futebol que os jogos se desenrolam – ainda! – conquanto se saiba que não aí muitos dos resultados, previamente combinado fora de campo!
Não foi pedido aos Benfiquistas que não acompanhem a equipa de futebol nas suas deslocações, que não lhes façam sentir, nos seus trajectos de e para os campos de futebol dos adversários, o seu apoio “de forma inequívoca e sem reservas”.
Foi-lhes pedido apenas que deixem de ser a mama que sustenta a batotice desportiva do futebol português.

sábado, 11 de setembro de 2010

PINCELADAS ENCARNADAS

1. O BOM GIGANTE E OS ANÕES

Houve muita gente do futebol, aquela que ainda se mantém pura relativamente aos princípios que norteiam o viver quotidiano nos seus vários meandros, que se admirou com a ausência dos poderes do futebol nacional ao serviço fúnebre do Bom Gigante, José Torres.
Esta admiração, este estranhar, só é possível de perceber em corações puros, em corações de carácter límpido e genuíno. Trata-se de uma pureza que muitos terão tendência para apelidar de ingenuidade mas parece-me que essa manifestação de simplicidade de sentimentos merece alguns esclarecimentos.
Estamos em crer, efectivamente, que tais manifestações de carácter límpido conhecem bem os que não se movem no reino dos princípios da humana pureza mas apenas nos confins das trevas da vigarice, do “tachismo” e da subserviência como modo de sustentação das suas reles personagens. Todavia, tal como Cristo, estão sempre dispostos a dar a outra face numa expectativa de redenção pelo exemplo e por um pregar no deserto.
Só que com Cristo, foi o que se viu. Até um dos seus o traiu e o mais que conseguiu foi ser crucificado por aqueles a quem oferecera a outra face.

José Torres foi um Homem do futebol, um Homem puro, um Homem bom que só soube dignificar o espectáculo com a pureza da verdade desportiva. Ele foi ao mesmo tempo um Bom Gigante e um Gigante Bom!
Ora, tal nobreza de carácter, ninguém pode exigir ser apercebida por quem se move nas entranhas da falcatrua, da vigarice e da tramóia subterrânea desportivas. Para estes, quem faz os espectáculos do desporto que atrai multidões, já vai para três décadas, não são os jogadores e muito menos os que marcam os golos. São os poderes podres que se instalaram na sua quinta nauseabunda e putrefacta da moldagem dos resultados conforme ao guião da corrupção que foi implementado no nosso desporto-rei, de modo a fazer sobreviver uma agremiação de bairro da qual os capatazes desses poderes são uns meros quinteiros e bajuladores do servilismo que é a sua única razão de sobrevivência.
Para tais poderes, não são os jogadores e os golos que marcam ou impedem de marcar aqueles que comandam os espectáculos desportivos e os destinos do desporto. No nosso país – e noutros tão ou mais atrasados, concede-se – os homens do apito é que foram transformados nas personagens fundamentais, bem assessorados pelos homens da justiça desportiva. Estes poderes transformaram um desporto cuja riqueza maior, a riqueza que dele fez multidões apaixonadas, era a incerteza final da contenda, num negócio escuro em que, com muita antecedência, os resultados estão feitos nos corredores escuros da batotice desportiva.

Os servis capatazes destes poderes são demasiado anões de carácter e sentimentos para se dignarem comparecer à despedida do corpo de um Homem bom, um Gigante de bondade humana e futebolística. Despedida de um corpo, sim, que a sua Alma Imortal ficará na História, na História das verdades e das Almas sublimes.
A comparência de tais poderes, cuja ausência alguns lamentaram, só conspurcaria, com a sua tremenda e nauseante sujidade, um acto puro de homenagem a quem foi Gigante como desportista e como Homem.
Os Homens com os Homens!
A canalha, com a canalha e no lugar apropriado à canalha.


2. A HOMENAGEM AOS CAPATAZES DA MENTIRA DESPORTIVA

A canalha, como todos sabem, tem o seu lugar apropriado e encontra-se junto da canalha, disse-se e é do conhecimento do povo do futebol.
Sendo assim, como é que alguém, demasiado ingénuo por ser tão simples e cristalino de nobres pensamentos, poderia imaginar que ela fosse sujar o despedimento do corpo de um Homem bom?
Ainda bem que não compareceu!
Não, a canalha, junto da canalha, estava entretida a homenagear um dos seus, por iniciativa da canalha. Estava no seu adequado lugar.

Não foi muito badalado o motivo para homenagear Benquerença mas a canalha sente-se tão confortável nas suas lides, já não sabe apresentar sequer resquícios de vergonha – que ela não precisa, em especial depois de ter ser sido abençoada pela justiça civil – e dispensa-se de tais ninharias. Isto é, de resto, aquilo que a grande maioria do povo do futebol pensa, numa catarse do seu pensamento tão absorvido pela contemplação da pouca-vergonha que vai avistando no dia-a-dia a olho nu. Mas o motivo é bem patente ou não se tratasse de um árbitro.

Benquerença deve ter sido homenageado por ter estado no campeonato do mundo onde não estivera qualquer árbitro português no mundial anterior. Isso teria sido o motivo propalado mas não passou de um motivo virtual.
Benquerença é um árbitro da associação de futebol de Leiria. A cúpula do futebol é a FPF, está sediada em Lisboa e não se argumente com o facto de ele arbitrar principalmente jogos do organismo autónomo, LPFP, porque ele foi convidado pela FIFA como árbitro do quadro da FPF.
Todavia, o facto de ter sido homenageado por impulso da associação de futebol do Porto, que também não pertence à Liga mas à Federação, só pode surpreender os incautos. Ele foi-o por quem tinha de ser, foi-o por quem há muito tem e domina a sua “verdade desportiva”. Foi uma homenagem programada, foi uma homenagem mais do que devida pela canalha da corrupção desportiva.
Não é só receber favores, há que pagá-los e, por outro lado, ir renovando os laços de submissão e, de todo o modo, relembrá-los para memória futura do homenageado.

Acresce que o “engenheiro” já não se sente à vontade para receber árbitros em sua casa. Se bem que o seu gesto benfazejo de “conselheiro familiar” tenha sido consagrado como um hossana por uma justiça que não se cansa de publicitar a sua injustiça, é sempre melhor prevenir do que remediar. Afinal, ainda houve um pouco de justiça desportiva que o condenou e o obrigou a cumprir pena.
Assim, vale mais que o receba outro Pinto que, sendo da mesma ninhada e da mesma linhagem, se encontra noutra capoeira, tanto para disfarçar como para ajudar a controlar a verdade desportiva do futebol português amordaçado na sua genuína vertente de pureza de espectáculo cativante pelas incertezas do desfecho que em si comportava e não nos homens que, em nome de uma gentalha, tornam certeza a riqueza da sua imanente incerteza.

E Benquerença não é nenhum desmancha-prazeres, muito menos um ingrato. Houve certamente, de entre os poderes da canalha, quem desconfiasse que Benquerença se começava a esquecer daquele Benfica-Porto já um pouco distante e daquele golo que não o foi para ele, como dele os homenageadores esperavam, apesar de Victor Baía ter defendido a bola bem dentro da sua baliza.
Por isso, refinou logo a seguir na recompensa, em Guimarães.
Desconheço se Victor Pereira tomou parte no repasto homenageante. Seja como for, não se esqueceu de pagar os favores de ter sido reconduzido no tacho pelos poderes instalados e agora reforçados. Para isso, nada melhor do que nomear para um jogo do Benfica, o inimigo a abater, o homenageado e enquanto ele mantinha a memória bem fresquinha da doutrinação homenegeadora.


3. A CANDURA DE LUÍS FILIPE VIEIRA

Luís Filipe Vieira parece-se também, em certos aspectos, com o Cristo que oferece a outra face. E, quando tem de barafustar com os vendilhões do templo, fá-lo como Cristo apenas para ser relembrado como episódio pitoresco e que se esvai no meio dos vendavais.

É evidente que a equipa do Benfica não apresenta o mesmo futebol do ano passado, aquele futebol empolgante e asfixiador. E isto, quer jogassem os habituais titulares, quer os ditos suplentes, conceito que, aliás, Jorge Jesus rejeitava e com razão. E não me digam que foram as outras equipas que aprenderam a defender-se. O poder legítimo, quando há vontade de o exercer e se exerce, não tem defesa, tem obediência assumida e aceite como inevitável.
Porém, compreende-se que os homens não são máquinas e oleá-las é que dá trabalho e canseira. Pode haver razões que a razão desconhece e compete a quem dirige a máquina afiná-la.

Mas o que ainda ninguém viu este ano foi uma equipa, qualquer que fosse, a exibir o futebol empolgante da equipa do Benfica o ano passado. Todas elas, umas mais e outras menos, vão sendo, quando muito, um pouco mais regulares … e acarinhadas pelos homens do apito.

Quando uma equipa não está no seu auge de forma que leva tudo e todos à frente com o seu futebol, as vitórias tornam-se muito mais difíceis. Às vezes, uma pequena ajuda do árbitro encobre as deficiências.
Foi o que aconteceu ao FC Porto na Figueira da Foz. Um penalti no mínimo duvidoso deu três pontos. Em vila do Conde, um penalti perdoado e um golo irregular deu-lhe três pontos quando podia ter terminado com zero pontos.
Não interessa que tenha jogado melhor do que o adversário, ou menos mal do que este. O que deve interessar é a verdade desportiva e esta advém apenas dos intervenientes jogadores no desenrolar do jogo e do cumprimento escrupuloso das suas regras.
O homem do apito é tão somente para regular esse desenrolar, não para intervir nele e condicioná-lo à sua vontade ou cegueira domesticada.

Quanto ao Benfica, não há crítica que lhe tenha apontado este ano qualquer lance de favorecimento arbitral. Também não é o que deseja. Mas, como todos e pela verdade desportiva – que devia, ela sim, ser homenageada, em vez de o ter sido a batotice desportiva – só exige que não seja prejudicado e que se sigam e consagrem as regras do jogo.
Porém, para além de outros penaltis por marcar, logo no jogo com a Académica, esta marca um segundo golo duplamente irregular. Primeiro, não se marca a grande penalidade cometida por um seu jogador. Segundo, do seguimento dessa jogada faltosa surge o golo que premeia o infractor.
Com o Nacional da Madeira, o árbitro também sonega um penalti que toda a crítica viu e impede o Benfica de, naquele momento, chegar ao empate. E depois se veria…
Em Guimarães, a roubalheira cumpriu com gordos juros a festa de homenagem do respectivo árbitro. Toda a crítica foi unânime. Dois penaltis claros por marcar a favor do Benfica, dois lances anulados por pretensos fora de jogo, um que dera até golo, cartões amarelos em barda aos jogadores do Benfica apenas por soprarem na bola e nos adversários.

Uma coisa é certa. As equipas podem estar em baixa de forma, a jogar pouco, até menos que os adversários. Todavia, isso não as subtrai às leis do jogo. Elas continuam a ter todos os direitos de intervenientes, a par dos seus correlativos deveres.
Logo, se é para cumprir os deveres, é igualmente para usufruir dos direitos.
E a equipa do Benfica não tem usufruído dos seus direitos, estes têm-lhe sido sonegados escandalosamente, para não dizer propositadamente roubados.
E aos seus rivais têm-lhe sido conferidos direitos que lhe não pertencem e não se lhes têm exigido os correspondentes deveres a que estão obrigados.
Claro, assim não existe verdade desportiva mas apenas a continuação da batotice que já vem de há quase três décadas.
Não se exige ou pede favor. Exige-se cumprimento e concessão de direitos, bem como “pagamento” de deveres.

Por mais que os dirigentes do Benfica, Presidente incluído, barafustem contra esta roubalheira escandalosa e de efeitos duplos, apenas conseguem, no estado actual, que deles se riam.
Repare-se. O Benfica é a instituição do desporto que, pacificamente, tem tantos adeptos como quase todos os outros clubes juntos.
Quem tem ele nos meandros dos poderes podres deste futebol – e outro desporto – de vigarice?
Ninguém!
Na FPF estão os capangas do “papa”. Na LPFP está o vice-presidente do reino “papal” da mentira e da corrupção. No mando dos árbitros está um subserviente e submisso do satélite do clube “pontifício” mentiroso e batoteiro. Na presidência da CD da LPFP está um juiz habitual condómino das cadeiras “papais”. No CJ da FPF estão igualmente os juízes das tribunas “cardinalícias” do dragão ou fazendo parte do lóbi jurídico da “cúria”.

Enquanto o Benfica, não tiver adeptos interessados a ocuparem lugares de poder nas instâncias dominadoras, de nada valem tais barafustes; enquanto o Benfica não cativar e arregimentar clubes parceiros, seja através dos empréstimos de jogadores em condições concorrenciais ou acordos de parcerias; enquanto o Benfica não souber capitalizar o poder dos pequenos em troca de um poder de limpar e de rasoirar a porcaria que domina o podre e concertado futebol luso; enquanto o Benfica não compartilhar disto tudo com gente sã de princípios morais e desportivos, só lhe resta ir conseguindo lampejos à custa de esforço enorme das suas gentes, em canseiras, desportivas e outras, em dispêndio de energias e de recursos financeiros e económicos, tudo numa escala muito superior ao normal e àquela que seria necessária apenas para ombrear com os rivais cujos recursos principais são a mistificação e a desonra da verdade desportiva.

O Benfica não deve querer, e não quer, trocar um sistema subterrâneo, podre, batoteiro, por outro.
O Benfica deve querer limpar essa podridão batoteira mal cheirosa por uma que seja respirável, transparente e verdadeira.
Não só mas com a ajuda de todos os que, de boa vontade e coração puro e limpo, estejam dispostos a dignificar este podre e pobre futebol português.
Até lá!...

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O "BOM GIGANTE"



Vi-te suceder a um Gigante, José Águas.
Soubeste Honrá-lo.
Dignificaste o Glorioso, como ele.
Honraste-te.

Ficaste, para sempre, no coração dos Benfiquistas, desta imensa Nação que teve o privilégio de te ver honrar a camisola que trazias vestida, dos que te viram suá-la e dos que ouviram dizer como a suaste com Glória.

Não morreste!
Não nos deixaste!

Também permanecerás Imortal!
Para Sempre!

Descansa em Paz.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

ENGANO OU DESEJO DE SER ENGANADO?

A comunicação social anunciou fartamente a compra, pelo Benfica, de quatro ou cinco equipas de jogadores para esta época. E eu estava absolutamente convencido, até aqui, de que o “leitmotiv” de tanta fartura jornalística era a mistura de uma imaginação pouco imaginativa mas bem visionária para vender jornais e captar audiências, provocar instabilidade no Benfica e desunir a Família Benfiquista.
No entretanto, depois do que li em várias manifestações escritas pelos mais variados meios de comunicação entre Benfiquistas – blogues, “googlegroups” e quejandos, “redes sociais”, etc – já nem sei o que mais pensar. Assalta-me agora, efectivamente, a dúvida sobre se eram aqueles motivos que levavam a comunicação social a fantasiar ou se foram os próprios Benfiquistas que, desejando um saco de compras tão bem recheado, o fizeram encomendar aos jornais e televisões.
Vejamos o exemplo Hleb.

Nenhum responsável pela gestão do Benfica anunciou vez alguma estar interessado e em negociações para a aquisição do jogador Hleb. Aliás, assistimos mesmo a avisos de sentido contrário, prevenindo contra a reiterada manipulação jornalística.
O Benfica já se sentiu obrigado esta época, por duas ou três vezes, a desmentir muitas notícias cuja substância real era unicamente a especulação. E no seu último desmentido acerca do jogador Maylson, o Benfica até nem se esqueceu de alertar os Benfiquistas, escrevendo, nomeadamente:

«Estes são os últimos dias em que o mercado permite inscrever jogadores. Já se esperava que os jornais multiplicassem os nomes e as especulações à volta de jogadores em que, supostamente, o Benfica estaria interessado. Já tivemos um longo desfile e, ao que parece, vamos continuar a ter até à próxima terça-feira.»

Que diabo! É assim tão difícil de entender que o Benfica não pode estar a toda a hora a emitir desmentidos, não só porque tem coisas muito mais importantes a tratar, como a maioria das notícias nem sequer merece que se perca tempo a conceder-lhes a mínima importância?

Mas o mais desconcertante – nem para todos, como é óbvio, que logo há os que se aproveitam das notícias especulativas, tanto ou mais do que os inimigos externos – é constatar que muitos dos Benfiquistas, que reclamam constantes desmentidos ou confirmações, não se cansam de chamar a atenção – que, assim, se torna numa mera retórica – para os objectivos daquilo que denominam de “jornaleiros, avençados ou pasquins” ao serviço do sistema com o único objectivo de desunir e desestabilizar o Benfica!
Porém, quando se trata de uma aquisição badalada na imprensa, nem que seja só pela imaginação jornalística, tomam-na logo como verdadeira e é raro que a não desejem fervorosamente consumada de imediato! Depois, quando ela se não concretiza, ai que a direcção não tem estofo, não tem dignidade, não sabe gerir. E acusam logo os gestores do Benfica de serem isto e aquilo, de serem, no fundo, uns enormíssimos incompetentes.

A propalada tentativa de contratação foi alguma vez confirmada pelo Benfica?!
E isso que importa?!
Foi badalada pelos jornais e televisões, logo é tomada e desejada como “verdadeira”!

A este propósito, gostava que os Benfiquistas lessem com atenção e meditassem um pouco naquilo que o jornal “a bola” escreveu em dias consecutivos.
No primeiro dia, noticiou em título, a letras gordas de página inteira, que Rui Costa se deslocara a Barcelona para fechar o negócio Hleb!
A seguir, escreveu … e passo a citar:

«Antes mesmo de ser colocada a possibilidade de aquisição do médio ofensivo já os responsáveis da SAD e a equipa técnica tinham dado por concluído o puzzle para atacar a temporada 2010/11 …»

No terceiro dia (hoje), reforçou … e cito de novo:

« … com a chegada de Salvio, que pode actuar em qualquer das alas, a SAD e a equipa técnica deram por terminado o trabalho de constituição do plantel … »

Alguém me sabe ensinar a forma de conciliar a primeira com as duas últimas notícias?
Se os gestores da SAD e equipa técnica já “tinham dado por concluído o puzzle”, se já haviam considerado “terminado o trabalho de constituição do plantel”, por quê noticiar que os mesmos andavam a tentar contratar o jogador em causa?
E faz algum sentido que um dirigente se desloque com o objectivo de ultimar uma contratação para um “puzzle” que já havia sido dado por concluído, ou seja, quando já se dera por terminado o trabalho de constituição do plantel?
Só para visionários … e para os oportunistas, não da crítica mas da maledicência!

Todavia, ainda que fosse verdade o fracasso negocial, isso significa logo incompetência, indignidade, falta de estofo?!
Bem, quanto a mim – e presumo com bastante dose de verosimilhança que a muitíssimos outros assim acontece, incluindo aos jornalistas – não conheço os meandros dos casos concretos que vão surgindo! Sei apenas que, ao longo da minha vida profissional, fui encarregado de fazer muitos negócios, compras e vendas, e a aconselhar outros … e muitos não os consegui concretizar ou que se concretizassem. Nem por isso, fui considerado – felizmente – incompetente, indigno ou sem estofo, durante quase 40 anos de profissão.
Com efeito, eu, como negociador ou conselheiro, sempre tive em conta que no negócio intervinham, pelo menos, duas vontades que tentavam chegar a um consenso a contento mútuo … e que eu só conseguia mandar na minha! E devo acrescentar que as coisas objecto dos negócios em causa eram apenas … coisas, isto é, não tinham vontade própria, o que simplificava obviamente a missão!
Mas nas transacções negociais dos direitos desportivos e económicos dos jogadores de futebol existe, para além das vontades do comprador e do vendedor, a vontade autónoma e soberana da própria coisa que está a ser objecto de transacção! E esta vontade poderá complicar seriamente, presumo, a conclusão negocial! Esta vontade também ordena, também quer a sua parte, e parte mais ou menos significativa, no negócio!
Será que o vendedor e, especialmente – como no caso em análise – o comprador, está obrigado a sujeitar-se à vontade das outras partes, mesmo que ambas, ou só uma delas, queiram impor condições ruinosas e não cedam, sob pena de ser logo apodado de incompetência e indignidade?

Noticia-se agora que o jogador disse também ter recusado propostas do Liverpool e Tottenham.
Oh! Que “indignas” e “incompetentes” direcções as destes clubes!...
Para que foram elas dar ouvidas e sujeitar-se à vontade da “coisa” objecto da pretendida transacção?!...
“Incompetentes”, “indignos”, “sem estofo”!...

De facto, que importam estas considerações para muitos Benfiquistas?
Há aqueles que, não por serem Benfiquistas mas por se sentirem uns excepcionais negociadores, aproveitam o que podem para enaltecer os seus “méritos comerciais”, os quais lhes servem de disfarce para logo maldizer as “incompetências” dos que gerem e que não são da sua simpatia.
Será que não serão melhor disfarce para as suas próprias incompetências, desde logo porque nem sequer conhecem os meandros do negócio em causa ou, conhecendo-os, tão pouco isso importa porque … no aproveitamento (demagógico) da situação é que está o ganho?
Como se pode analisar e, principalmente, qualificar o que se não conhece, e até mais, aquilo que nem sequer se sabe se existe ou existiu, tendo sido, ao menos para já, apenas conversa dos “media” e dos empresários dos jogadores, isto é, recados encomendados por quem pode querer tudo menos a defesa dos supremos interesses do Benfica?

Mas, infelizmente, há Benfiquistas que, à falta de melhor, qualquer pretexto serve para sua afirmação pessoal e para vincarem a sua oposição de princípio meio e fim aos dirigentes que lhes não agradam.

Num novo registo de interesses, volto a afirmar que não se trata, da minha parte, nem de criticar a crítica – a crítica, não a maledicência – nem de impor o unanimismo. Não defendo nem ofendo a pessoa de qualquer gestor do Benfica ou de qualquer Benfiquista porque só analiso factos, actos e comportamentos. E sempre senti a honra de lutar pela liberdade e pela democracia, mesmo à custa de sacrifícios pessoais.
Porém, não se trata aqui de uma crítica “construtiva” por parte dos Benfiquistas que assim procedem, porque ela não assente em factos concretos, conhecidos e confirmados, mas apenas em conjecturas, devaneios, boatos – toda a pretensa notícia, enquanto não confirmada por quem de direito, não passa de mero boato – e desejos de que assim aconteça.
Não é crítica porque não é alicerçada em bases sólidas, justificativas dos actos e comportamentos, nem acompanhada das alternativas conformes ao caso real e não ao caso virtual.
Trata-se somente de um aproveitamento demagógico de algo que, sem ter sido confirmado, foi logo tido como certo por ter sido noticiado por estranhos ao mesmo, e bem mais por assim ter sido desejado que tivesse acontecido.
Vem a jeito!

É evidente que muitos destes “críticos” – não todos, felizmente – logo se defendem como sabem … e podem, ou seja, com os recorrentes e estafados qualificativos do “carneirismo”, do “unanimismo”, do “seguidismo”, da “idolatria”. Esquecem-se, de resto, que esses qualificativos são totalmente reversíveis. Tais adjectivos são aplicados apenas àqueles que, pelo menos em certas matérias, não concordam com a opinião destes presumidos “críticos”.
Contudo, como qualificá-los a eles, se os tais “carneiristas”, “unanimistas” e “seguidistas” estiverem sempre e totalmente de acordo com os que, julgando que o não são, estigmatizam os que não alinham pelas suas presuntivas “críticas”?

Um dos males de que padece uma nação enorme e tão apaixonada como a nação Benfiquista consiste no facto de muitas e muitas vezes não se criticar o acto de gestão mas a pessoa dos gestores. Muitos destes ditos “críticos”, Benfiquistas à sua maneira, apaixonam-se ou odeiam mais a pessoa dos intervenientes, jogadores e gestores, do que propriamente apreciam o acto ou comportamento dos mesmos e, consequentemente, o Benfica. Ainda agora e a todo o momento, parecem ser ou ter sido mais Vilarinistas, Damasistas, Azevedistas ou Vieiristas do que Benfiquistas!
Ou então, são do contra por compulsão ou antipatia pessoal!

No plano externo, contra os ataques do anti-benfiquismo, defender o dirigente enquanto representante do Benfica é obrigação de todo o Benfiquista que se preze.
No plano interno, o único deus a venerar é apenas o Sport Lisboa e Benfica.

Visto assim, não haverá carneiristas, unanimistas, seguidistas ou idólatras, mas só Benfiquistas. Para isso, as críticas têm de ser dirigidas ao acto ou ao comportamento e não à pessoa. E a crítica, a chamada crítica “construtiva” – qualificativo que mais não é do que um seu sinónimo – deve ser justificada e propor a alternativa devida, se for o caso, porque pode haver crítica que se consubstancie, com a mesma legitimidade, no enaltecimento desse acto ou comportamento.
E a crítica tem tempo, modo e espaço.
De contrário, não é crítica, é maledicência. Depois, saltam as ofensas entre quem se diz apaixonado pelo mesmo símbolo imortal e grandioso, porque é a única coisa que resta a quem não consegue respeitar a unidade da substância no seio da riqueza da diversidade e não considera a divergência a forma acessória mas igualmente essencial do fortalecer daquela união.

Será que não se serviria melhor o Benfica, se todos os Benfiquistas conseguissem interiorizar estas máximas – que não pertencem a ninguém, são universais – e praticá-las como a única doutrina do Benfiquismo?

terça-feira, 31 de agosto de 2010

PINCELADAS ENCARNADAS

1. O abanar do rabinho

Ou muito me engano ou o Rio Ave é o – ou um dos – “eucalipto” a secar como castigo para os que mijam fora do penico e como advertência àqueles que, sendo cordeirinhos domesticados, endireitem o rabinho e se esqueçam de saudar o dono com as suas abanadelas de submissão. E o Rio Ave foi um dos que, no ano futebolístico transacto, contribuiu para o abortar do tetra ao deixar-se empatar com a equipa do professor Jesualdo. Tratando-se de ovelhas do rebanho, não é o FC Porto que empata ou perde, são as ovelhas tresmalhadas que se não deixam perder.

Brito já compreendeu isso, compreendeu que a seiva virtual secou. E como não está nada interessado em afundar-se com o clube que treina, saberá saltar oportunamente do comboio em andamento, na caminhada deste rumo ao descarrilamento anunciado. Só assim se compreende que Brito não tenha tido uma palavra acre para as patifarias arbitrais do super dragão Jorge de Sousa e do seu acólito José Ramalho que permitiram e validaram o primeiro golo do FC Porto, após Falcão se ter encavalitado nas costas do guarda-redes contrário, bem como fizeram vista grossa a um claríssimo penalti em que se pune a vítima e se premeia o algoz.

Fossem os adversários Cardozo e Luisão que aqueles dragões da escola da corrupção desportiva tentada e condenada teriam continuado a ver apenas a realidade virtual, aquela realidade que interessa aos desígnios do seu amo, directa ou indirectamente, como então se verificou no jogo Braga-Benfica da época passada. Ainda se lembram por que foi anulado, na versão daqueles “virtuosos” da virtualidade material que convém ao seu dono, o golo de Luisão que daria o empate?

Brito nem sequer demonstrou um pouco de solidariedade para com o seu jogador, a vítima punida por se ter deixado ser vítima, o que, de resto, acontece no reino desportivo corrupto deste país e que é bem copiado pela justiça civil e criminal. Não são, de facto, os agressores os culpados por fazerem vítimas dos seus actos de agressão! São as vítimas que se vitimizam só para tentar punir os seus agressores!
Brito sabe bem, pois, que tem de manter o rabinho entre as pernas para continuar a merecer do dono o “osso” salvador da sua carreira de fidelidade futebolisticamente canina.


2. A mistificação da realidade

A comunicação social anunciou que Raúl Meirelles foi transferido para o Liverpool por 13 milhões, conquanto houvesse algumas notícias que falassem em apenas 11 milhões.
Seja como for, logo um jornal vem, com a objectividade, seriedade e verdade jornalística a que nos acostumaram todos os do género, dizer que «Raúl Meirelles “pagou” João Moutinho».
Mas o que esta notícia conseguiu foi deixar-nos baralhados nas contas! Só que, no meio de tanta seriedade, objectividade e verdade jornalística, esse é, quando não o objectivo desejado, ao menos o objectivo normalmente atingido.
Não se esquece, com efeito, que a mesma comunicação social nos noticiou ter João Moutinho custado 11 milhões de euros, mais os 50% do passe de Postiga, no montante de 2,5 milhões de euros, mais o jogador Nuno André Coelho.

Isto foi o que se noticiou à época! E, naturalmente, os Benfiquistas sabem que Postiga não vale efectivamente nada, faltando agora confirmar se Nuno André Coelho vale alguma coisa. Se guiados pelo passado, sabe-se que o “papa” não costuma preocupar-se em oferecer algo que valha ao Sporting, seu fiel e submisso satélite que lhe serve de nabal para formar jogadores que depois adquire pelas formas mais variadas, sendo algumas delas ínvias, bem como de caixote do lixo que lhe estorva e lhe não rende.

Também se espera que as más línguas não façam interpretações abusivas da opípara oferenda de Elmano ao Sporting na Figueira da Foz. Não se trata de um inflacionar do preço de Moutinho! Nem sequer agora se pense que foi mais uma manifestação da esquizofrenia arbitral de Elmano!
Não, nada disso! Desta vez, Elmano limitou-se a ser o testamentário das últimas vontades do “papa”! Esqueceram-se de que este afirmou que “torcia” pelo Sporting?
O “papa” pode não cumprir promessas feitas a mortos! Mas vai cumprindo promessas a mortos-vivos! E tanto mais quando ele sabe que estes “cumprimentos” não lhe causam comichão! Tais “legatários”, na sua completa sujeição às vontades “pontifícias”, o mais que respingam é um agradecimento submisso, mesmo após o pontapé no rabo que meteram entre as pernas! No fim, mostraram-se aliviados porque o papa os livrou da sua maçã podre!


3. A “virtude” dos que nunca se enganam

Quando um Primeiro-Ministro de Portugal veio comunicar aos portugueses que «nunca se enganava», é claro que habilitou os seus governados a pensarem que, não sendo menos do que ele, também nunca se enganam. Então, se estivermos no domínio da política e da gestão futebolística deste país, a quantidade daqueles que fazem alarde de tais atributos é tão elevada quanto falha de qualidade … e diga-se que essa quantidade não é só elevada, é enorme, em particular no seio dos que estão com o “rabinho” de fora!

No meio desta plêiade dos que nunca se enganam, há, todavia, que fazer uma distinção entre aqueles que assumem esse dote como pessoal e intransmissível e os que, sempre o assumindo naturalmente como seu, o assumem ainda naqueles a quem devem a sua fidelidade canina existencial, como obrigação ou devoção a que se encontram subjugados.
Podemos dar como exemplo destes últimos, aqueles que endeusam fielmente a gestão que nunca se engana, a gestão desportiva modelo. Esta gestão que nunca se engana também adquire sempre, e por bom dinheiro, jogadores de alto gabarito. E, por vezes até também não se engana quando, julgando ter-se enganado, procura enganar outro parceiro.
Nesta última espécie cabem jogadores como um tal Diego e um tal Luís Fabiano, em especial este que, após a gestão modelar o ter mandado enganar outro, se tornou um titular indiscutível da selecção brasileira.

Deste “exaltante virtuosismo” fazem parte imensos Benfiquistas, seja em honra do seu masoquismo exacerbado nas últimas décadas, seja em honra da sua imensa “competência” nos negócios da bola. Só é pena que, ou não se disponham a pôr ao serviço do seu Benfiquismo tanta inteligência, o que revela alguma cobardia, ou, dispondo-se, os Benfiquistas lhe não concedam a graça de lhes reconhecer tanta “virtude” e dão-lhes o seu veto em vez lhes ofertarem o seu voto.

domingo, 29 de agosto de 2010

MÉRITOS E DEMÉRITOS DA FIDELIDADE CANINA

Como de costume, ontem mais uma vez vi a Benfica TV no rescaldo do jogo Benfica-Vitória de Setúbal. Mais até de que os comentários feitos pelos convidados do programa, interessam-me as opiniões pós jogo, expressas pelos nossos jogadores e treinador, bem como o sentir da nação Benfiquista, através do contacto telefónico com o programa televisivo.
Um dos Benfiquistas intervenientes queixou-se dos comentários da televisão detentora dos direitos desportivos da transmissão do encontro, coisa, aliás muito longe de ser inédita. Dizia ele que tais comentadores deixavam sibilinamente implícito uma espécie de frete tácito que a equipa setubalense estaria a fazer ao Benfica, sendo muito “macia”, pouco interessada na acutilância – leia-se, jogo duro e trancada, receita que está na ementa de todo o anti-benfiquismo, com o beneplácito dos árbitros da partida – e em colocar problemas à vitória do Benfica. A equipa setubalense estava a ser, na opinião destas “inteligências”, aquela equipa macia, sem fazer “ondas”, que o Benfica precisava para se “regenerar”.

Este tipo de queixa é recorrente e, salvo o devido respeito, não tem a mínima razão de ser. Não o digo apenas em atenção à substância dos comentários. Refiro-o e reitero-o relativamente à importância que um Benfiquista ainda dispensa a algo tão reles como isso. É dar-lhe inadequadamente a importância, ainda que pouca, que tais ditotes a ressumarem estupidez não merecem de todo. Não ofende quem quer mas só quem pode e tais comentaristas da sabujice não possuem poder para tanto.
O convidado Pedro Guerra ainda aconselhou o Benfiquista “queixoso” a desligar o som da televisão. A mim até me parece mais aconselhável – considero-o muito mais higiénico – não sintonizar essas televisões. O Benfiquista respondeu que, a partir da audição de tais palermices, optou antes por ouvir o relato na Benfica TV.
Uma resposta à altura de um Benfiquista que só é pena não tenha sido dada desde o início.

Sem colocar de lado a substância da matéria supra expressa, admira-me muito que algum Benfiquista ainda consiga ficar perplexo com comentários do género. Não é por se saber – ou dever saber – que quem é futebolisticamente pequeno neste país não tenta ser grande para igualar o Grande. Tenta apoucar o Grande para o tornar do seu tamanho, ou seja, pequeno como ele. De se tornar grande, não é ele, o pequeno, capaz.
Ora, para isso é de fundamental importância a existência de avençados, serventuários, comissários paus-mandados que, com reverência canina, só procuram agradar ao dono. E todos os Benfiquistas já sabem que toda essa sevandija tem que abanar o rabo à espera do osso prometido … muitas vezes igual à ausência do pontapé no rabo.

Para toda essa gentalha de pantomineiros amestrados, o mérito nunca está do lado do Benfica. Não! Se o Benfica perde ou empata é apenas por demérito seu. Se o Benfica ganha, nunca é por mérito do Benfica mas sempre por demérito do adversário … e ajuda do árbitro também! Aquele foi macio, incompetente, quiçá, fez o jeito! Este foi corrupto – não se esqueçam que, em questões de corrupção, tais “comissários” estão doutorados, ou não tivesse o seu “papa” sido condenado por causa dessas coisas – levou o Benfica ao colo!
É, pois, por isso que um campeonato “à Benfica”, como o do ano transacto, ganho “à Benfica”, não chegou a ser, na opinião de muitos destes provincianos pequeninos cuja missão é abanar a cauda ao dono, ganho … por mérito do Benfica! E a isto não se opõe o facto de ter havido alguns cuja fidelidade canina é um pouco mais amena – em toda a regra há excepções – que, engolindo sapos, é verdade, mesmo assim sentiram-se obrigados a reconhecer muito timidamente esse mérito.
Na época futebolística transacta, as equipas, quase todas elas, foram uns “docinhos”! Até o Braga! Ou já não se lembram dos “docinhos” que alguns jogadores deste clube resolveram ofertar a jogadores e outros dirigentes do Benfica, aquando da visita à pedreira?!
Perguntem a Cardozo!
Até mesmo o FC Porto foi um “docinho”, ao menos no jogo da final da Taça da Liga em que foi goleado, com bandarilhas de fino recorte e pega de frente a condizer com a banda, ao nível da tourada protagonizada pelos seus jogadores Alves, Cebola, Meireles e C.ª, sob os bons auspícios do super-dragão Jorge de Sousa, designado para dirigir o toureio.


Num jogo de futebol, defender um penalti é, como sempre foi, um acontecimento que muitas vezes se verifica. Dá-se-lhe relevo porque é uma tarefa difícil de quem defende, normalmente, e concede-se sempre a este alguma glória, umas vezes mais outras menos. Às vezes é apenas demérito de quem marca.
Assim foi agora com Roberto.
Todavia, as maiores honrarias que lhe dispensaram, dir-se-ia, unanimemente, não tiveram tanto a ver com o feito em si mas mais com os defeitos que antes foram devidamente apregoados acerca dos atributos do agora “herói”. De facto, parece-me que a concessão de tais honrarias teve mais a ver com uma nova oportunidade de sublinhar os defeitos do que enaltecer o feito em si. Se não fosse isso, certamente que não assistiríamos a qualquer concessão de mérito de quem o defendeu mas à proclamação do demérito de quem o marcou.
Muito em particular, penso que também se aproveitou de novo, mais ou menos insinuadamente, para continuar a semear uma certa divisão na família Benfiquista.

Roberto, com o seu feito, teve, enfim, direito a adjectivos de honor. Desde o “antes mal amado” a “de vilão a herói”, passando por um “perdão” finalmente concedido – por quem?! – pela salvação da “ira dos adeptos” e pela “conquista do amor dos Benfiquistas”!…
Os Benfiquistas foram, efectivamente, “tocados” no seu Benfiquismo! Assim acontece, regra geral, com a habitual “seriedade”, “honestidade” e “verdade” – tudo, futebolisticamente falando – de jornalistas tão compreensivos e atentos ao relato dos factos reais que se passam no seio do Benfica! Tão atentos e “verdadeiros” que alguns até escrevem ter o Benfica perdido por 2-0 com o Nacional da Madeira!

No entretanto, os Benfiquistas sempre aplaudiram Roberto, nos treinos e até nos jogos. Por exemplo, logo após o Nacional da Madeira-Benfica, os adeptos Benfiquistas deslocaram-se ao primeiro treino, mesmo sendo ele “fechado”, para apoiarem Roberto. E no jogo de toda a “redenção” contra o Vitória de Setúbal, os adeptos do Benfica aplaudiram e apoiaram Roberto, logo que ele se aprestou para entrar em campo, o que significa que o aplaudiram e incentivaram … antes de ele defender o penalti!
Não depois, mas antes!...
Pode ter havido Benfiquistas que assobiaram Roberto, não o nego. Em toda a regra há excepções o que significa que, verificando-se a existência de excepções é porque há uma regra! Depois, ainda há, infelizmente, Benfiquistas para quem o prejuízo futebolístico do Benfica é o seu único benefício.

Houve alguém que escreveu não admitir que se pudesse comparar, em caso algum, Victor Baía com Roberto. Naturalmente que não existem duas pessoas iguais, já todos o sabemos há muito e de sobra. Mas há motivos de comparação.

Quando Baía foi vendido para o Barcelona, estava no auge, era considerado dos melhores do mundo, foi das mais caras, à época, contratações de guarda-redes. Mas Baía foi praticamente sempre suplente, e muitas vezes terceiro suplente, no Barcelona! E por quê?
Porque nos seus primeiros jogos pelo seu novo clube fartou-se de dar “frangos”. Por exemplo, lembramo-nos de um célebre encontro para a Liga dos Campeões em que o Barcelona, em sua casa, foi goleado por 4-0 e em que Victor Baía foi considerado culpado em, pelo menos, três golos! Por isso, apesar do seu grande valor, que ninguém contesta, nunca se conseguiu impor neste clube e foi recambiado, alguns, poucos, anos depois, a preços de saldo, para o seu antigo clube.
E aos mesmos que rejeitam qualquer comparação e acrescentam que Victor Baía ganhou tudo o que havia para ganhar, basta relembra-lhes que não foi bem assim. Para já, houve um jogador português que também ganhou os troféus que Baía ganhou. Referimo-nos a Figo.
Todavia, Figo, além dos troféus que ganhou, foi ainda campeão do mundo de sub 20 por Portugal, coisa que Baía nunca foi, apesar de Portugal ter sido duas vezes campeão do mundo nesse escalão etário.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A HISTÓRIA DAS "ESTÓRIAS"

Para que conste do meu registo de interesses, um chavão que está na moda e que, por isso, mal igualmente me não assenta, também eu me sinto “como peixe na água” a opinar e sobretudo a fazer as minhas especulaçõezinhas sobre factos já consumados. Esclareça-se, porque devido, que aquela “água” tem de se encontrar em condições mínimas de sobrevivência para tais criaturas, que já vai havendo que chegue para lhes servir de cadafalso e de cemitério.
Confessava eu que, de acordo com o meu supra citado registo de interesses, me sinto muito confortavelmente, mesmo refasteladamente acomodado, a emitir as minhas “sábias” opiniões sobre o “como devia ter sido e não foi”, as minhas alternativas prenhes de “sapiência” explicativa dos acontecimentos, alternativas cheias de “bom senso e acerto” porque eu nunca falho como falhou o meu criticando, depois de conferir os resultados contrários aos meus desejos.

Quero deixar bem claro que este tema tem como pano de fundo, para mim e para os outros “entendidos”, matérias que, à partida, são susceptíveis de prognose múltipla e de diagnose incerta, tão só devido aos naturais sortilégios que lhes são imanentes e que sem eles aquelas não seriam o que são.
São-no à partida porque, à chegada, após a sua consubstanciação na realidade, já toda a gente deste mundo acerta no diagnóstico e faz por vincar, com acentuado pragmatismo, o brilhantismo do acerto do seu prognóstico. Já toda a gente acerta, eu incluído, em todos os por quês de ter sido assim e não assado e deleita-se nos ensinamentos de subidas explicações, que descem ao pormenor, para seu maior embelezamento, das causas e dos efeitos.

Como já devem ter bem percebido, obviamente que não falo daqueles acontecimentos tipo totoloto ou “euromilhões” em que do mesmo modo muitos prognosticam e muito poucos acertam. Não é que tais acontecimentos não possam gerar discussão prévia e póstuma em que as inteligências mais superiores diagnosticam sempre razões da sua razão. Mas dão sempre o devido desconto, em altas doses até, às máquinas e às bolinhas que ditam a sorte e, em geral, a falta dela.

Os homens acertam … e erram, menos os que nunca fizeram nada ou que apenas diagnosticaram tudo depois da autópsia.
No futebol, se acertam, até imensas sumidades a contragosto se obrigam à exaltação dos feitos bestiais. Se erram, nem que seja logo a seguir a tais façanhas, não há sumidade que não prognostique e em especial diagnostique a besta.
Em qualquer das suas façanhas, estas inteligências “deleitam-nos” com as suas explicações mui prenhadas de sabedoria, de tal modo que, eu incluído, muitos de nós só podemos sentir-nos pequeninos e lamentar que num país onde tanto se fala de improdutividade por deficiente formação profissional se desperdice tanta e tanta erudição no como, modo e por quê das coisas.
Considerar nos areópagos internacionais, com difusão interna quase orgástica, que este país tem uma taxa de analfabetismo elevada relativamente a países evoluídos, é um “tremendo equívoco” e uma “forte injustiça”, em especial a tantos e tantos opinantes sobre a coisa política deste país mas muito mais sobre treinadores, directores desportivos e presidentes de clubes. Opinantes que apresentam, constante e reiteradamente, tanta competência para o treinamento, a contratação, a gestão e até para a filosofia e a psicologia das massas.

Quando o Benfica anda mal, a nação portuguesa anda triste e acabrunhada porque a grande maioria dos seus nacionais pertencem à outra grande nação, a nação Benfiquista.
Nestas ocasiões, os minoritários tão amantes da justiça desportiva que até por ela são condenados devido às suas manigâncias, ao menos na forma tentada, fazem os seus devidos responsos aos fiéis serventuários. Os ecos naqueles Benfiquistas que sonham com a glória de mandar mesmo que os que detêm o poder de lhes conceder o mando não os queiram, ribombam nas suas trombetas como hossanas de glória. No prejuízo vêem eles, muitas vezes, o seu único benefício.

Todos estes que identificámos sabem que conseguem colocar aqueles Benfiquistas que vibraram há bem pouco com a glória a tecerem agora todo o tipo de comentário onde aquela “sapiência” de que se falou aparece exaltada em toda a sua infalibilidade, incluindo no apontar dos culpados. Alguns destes últimos, por descargo de consciência, lá vão escrevendo que os seus “desabafos” se circunscrevem num certo círculo que julgam fechado. Se for preciso, acrescentam que o Benfica é um clube democrático onde impera a liberdade de expressão.
Por mim, parece-me que sentir necessidade de mostrar a sua liberdade de expressão nestas matérias e nestas circunstâncias, julgando-a exercida e demonstrada em tais circunstâncias e matérias, é uma fraca via de afirmação. Mas eu também neste assunto estou a opinar depois das demonstrações reais, depois, digamos, dos resultados, ou seja, dos comentários de tamanha exaltação de sapiência. É falta de imaginação gritante, mas nem sempre podemos sentir-nos tocados pela deusa da inspiração.
Logo, dêem o devido desconto se eu me não pronuncio sobre competências e tácticas depois dos resultados apurados – mesmo sentindo-me muito comodamente nesse papel, se o quisesse exercer – sobre competências de directores desportivos e de gestão, ou seja, sobre negócios de que não conheço os contornos do caso concreto nem o ambiente geral que reina nesse mundo de contratação.
Mas de uma coisa estou seguro e para essa vos peço desconto zero: Num negócio há sempre, pelo menos duas vontades, não antagónicas mas opostas, de sentido contrário. E que para esse negócio se realizar tem de haver acerto de vontades que passa por cedências mútuas.
Claro que há sempre bons negócios para todos, e bons e maus negócios para alguns, dependendo da perspectiva e dos resultados.
Só que estes resultados muitas vezes apenas se conseguem verificar “a posteriori” e não são previsíveis nem diagnosticáveis, acabando até por serem, não raras vezes, surpreendentes.
Mas, está claro, há sempre os que nunca erram! São os que nada fazem para além de emitir opiniões muito “eruditas” … mas só depois dos factos consumados! Eu diria mais, quando o “rabinho” está de fora!

Nestes momentos de conturbação e de profusa dissertação de ideias sobre o certo e o errado, após a manifestação real deste e da entronização virtual do certo, uma enorme pandemia de “estórias” vai povoando as mentes de fantasias recriminatórias.
Queremos melhor do que a “estória” Moutinho?
Foi uma fantasia o jantar entre Moutinho, Pinto da Costa e o empresário daquele, há um ano?
E depois, se Moutinho foi (virtualmente) oferecido e rejeitado?
Não o foi por um treinador que há bem pouco era o mais bestial dos bestiais?

A terminar, uma pergunta:
Será ao Benfica que interessam neste momento todas estas “estórias” e estas “sabedorias” e palpitações de treinamento e de gestão que só desabrocham depois do facto consumado?
Será que não seria bem mais benéfico para o Benfica que os Benfiquistas se mantivessem unidos, apenas aplaudindo, reconfortando e manifestando todo o apoio como nas vitórias?