quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O SEGREDO DO CALOTEIRISMO

Finalmente, o segredo, desvendou-se. Timidamente, é certo, nas últimas horas foi dando aqueles passinhos de bebé que cambaleia, dá um passito e truz … dá outro e … truz … dá o terceiro e, depois de milagrosa ginástica do “tem-te não caias”, consegue finalmente manter-se de pé … e manda a sua risadinha eufórica de herói no seu crescimento.
Não pensem que, quando a este segredo que ora nos ocupa, a coisa foi toda assim tão prazenteira! No passinhar, talvez! Sopro aqui, sopro ali, alguma coisa se foi desvendando!

A revelação deste segredo resultou, de facto, de um parturir muito difícil! Mas isso já há muito que não causa nem podia causar espanto, sabendo-se da sua origem, do conteúdo que encerrava e da comandita de avençados sem avença mais os canídeos de fila domesticados com o chip da casa.
A revelação deste tipo de segredo contém em si, necessariamente como é de costume e de domesticação, uma eterna excomungação que ataca os crentes e os não crentes, que todos eles vêem entreaberta a porta da rua se caírem na tentação. Com efeito, é um segredo cuja revelação provoca mais do que um cisma doutrinário numa “cúria” santificada. Não tem nada a ver com o terceiro segredo de Fátima mas com o ruir de todos os predicados santificantes de uma “religião” de mentira e de tropelias à verdade desportiva, caninamente seguida por imposição, medo ou devoção.

Postas bem as coisas nos seus devidos lugares, quem ousaria pensar que a rafeirice da nossa imprensa, treinada na bajulação e ginasticada na maleabilidade da espinha dorsal em dobraduras que fazem inveja às piruetas dos saltimbancos circenses, fidelizada na covardia e expressivamente publicitada na hipocrisia, daria nota do segredo da sua “cúria”?
Pode-se lá duvidar da palavra e da promessa de uma gestão desportiva tão beatificada, mesmo que o seu “cúrio” superior tenha sido condenado pela justiça desportiva por ter tentado – que lindo eufemismo – corromper a verdade desportiva?
Não entendeu a justiça civil lavar as mãos como Pilatos, que ela tinha ocupação suficiente na necessária fabricação do melhor detergente para branquear o que alguns, timidamente, classificavam e classificam de sujeira, além de gostar de andar nas suas guerrinhas, guerrinhas entre os seus compinchas com vista ao melhor tacho e penacho?
Não se tratava de uma gestão modelo com transferências milionárias, conquanto bastantes desses milhões fossem parar aos cofres dos intermediários?
Não se estava perante um clube que, a soldo de tantas manigâncias branqueadas, conseguiu milhões e milhões de uma Liga dos Campeões para a qual soube sempre mexer, por mercê dessa santificada gestão, muito bem os cordelinhos que lhe proporcionavam a necessária aptidão, mesmo que alguns – actualmente arrependidos, após excomunhão de qualificação execrável – dissessem a todo o mundo que lá não queriam clubes trapaceiros?
Que é feito de uma SAD que tinha lucros e mais lucros, fruto dessa entronização celestial?

Uma gestão exemplar é aquela cujos arregimentados dizem demorar apenas (?!) cinco minutos para fazerem a sua assinatura. Talvez até fosse mais produtivo, pelo ganho de tempo, agarrar no polegar do novo compincha, escarrapachá-lo no tinteiro das impressões digitais e esborratá-lo a seguir no lugar da assinatura do dito. Mas se cinco minutos já revelam um entranhado analfabetismo dos assalariados, o que diriam desta borrada?

Nestes últimos tempos já surgiram novidades não costumadas quanto aos tempos necessários para garatujar os nomes. Contaram alguns, a medo, obviamente, que foi preciso mais de um mês para que um novo comparsa conseguisse fazer os seus gatafunhos a que chamam de sua assinatura. E até há um deles em que o clube dos cinco minutos parece que já espera há quase uma época futebolística para que ele esborrate o nome.

Mas isto não é nada comparado com o segredo vindo agora à tona muito “softmente”. Ia-se dizendo, para preservar tão demoníaco segredo, que o dito “fenómeno” futebolístico não jogava por questões … burocráticas.
E tinham razão os noticiaristas! Era uma questão burocrática e peras!
É verdade, os gestores santificados, a SAD milionária, toda uma gestão celestial, não tinha cheta e não pagava! Mas era lá possível que tamanha “santitude” pudesse ser caloteira?!

Afinal, era mesmo verdade! Chegou-se mesmo ao ponto de pensar, perante “tamanho” acontecimento, que o Jorge Gonçalves do Sporting e mesmo Vale e Azevedo, tivessem sido deportados para a “cúria” do “papa” mentiroso e condenado!


Dizem os mais chegados e adestrados que já seguiu parte do devido. Por isso, já podemos afirmar que os “santinhos” caloteiros parece que estão a tentar cumprir ao menos uma parte da sua penitência.
Do mal, o menos porque o “papa”, agora também, pelos vistos, caloteiro, já houvera dado provas de não cumprir promessas e, o que será mais grave para o comum das gentes, nem promessas feitas a mortos que, dizem os mais entendidos, são sagradas!
Todavia, assim o queira o Benfica e os Benfiquistas, pode ser que o caloteirismo se refastele lá para as bandas das manigâncias desportivas e se aconchegue numa eternidade que nos regale.
Foi um segredo que custou a parir, como é natural, mas que surgiu anafado de regozijo para a Família Benfiquista.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

OS MOVIMENTOS "RESSUMADOS" DAS BOAS INTENÇÕES …

Numa certa tertúlia Benfiquista – mas não a ela fechada – foi lançada a ideia de um “movimento de Benfiquistas por David Luís”. Seria um movimento, dizia-se, cujo objectivo era sensibilizar o jogador a permanecer no Benfica e a recusar hipotéticas mas bem prováveis propostas de transferência.
Para o efeito, convidava-se cada tertuliano a escrever um texto no qual manifestasse, através de um bajular exaltador das qualidades humanas e do seu, afirmava-se, manifesto e acrisolado amor ao Benfica, o desejo intenso de um “fica, David Luís”…
Os textos consubstanciariam o substrato literário de uma página na net, para o efeito constituída, e seriam mais tarde compilados, certamente de acordo com a aderência, num livro a entregar ao jogador.

Tive a oportunidade de me manifestar acerca da ideia proposta e das suas correlativas intenções. Não aceitei fazer parte e colaborar. Aduzi em defesa da minha posição várias razões. Desde logo, intui um natural divisionismo que a ideia comportava, fonte de ciúmes e de atritos associados a estas intenções baseadas muito menos na razão e muito mais no coração.
Mas a minha maior discordância fundamentava-se na injustiça do objectivo do movimento em relação aos restantes heróis da brilhante conquista do Campeonato e da Taça da Liga, assim como da nova afirmação do Benfica nos areópagos futebolísticos europeus. Essas brilhantes conquistas foram a consequência do esforço e das qualidades futebolísticas de todos os jogadores, no seu apego à causa Benfiquista.
Assim como o Benfica é UNO e só nele, não nas suas partes, se deve manifestar o Benfiquismo, entendi que qualquer Benfiquista devia desejar não que ficasse entre nós apenas um jogador mas todos os jogadores, todos os heróis que tanto nos entusiasmaram e alegraram.

Todavia, a ideia avançou com a pompa e circunstância que lhe foi possível, tal como o previsto e desejado pelo “movimento”, Ou, naturalmente, pela sua "vanguarda revolucionária".
Depois, aproveitou-se um torneio futebolístico, obtiveram-se as licenças – ou condescendências, não sei precisar – mendigaram-se umas imagens e umas palavrinhas noticiosas da TV que detinha os direitos desportivos do evento, igualmente da Benfica TV, … e entregou-se o livro ao seu destinatário.

Do mal, o menos. Parece-me que a excessiva ou mesmo a normal exposição mediática de casos do tipo “in casu” seria bem capaz de provocar um maior e nefasto divisionismo quando reparamos que, pela pena da principal – segundo deu para perceber – inspiradora da ideia, o facto acabou, mesmo assim, por provocar alguns ciúmes. Talvez os únicos que perderam com esse recolhimento foram os egos, os germinantes e os convidados participantes, os quais viram um pouco ofuscado o seu momento de fama e glória que ficou de certo modo escalvado como efeito mediático.

Jurar por todos os santinhos que nunca foi de suas intenções provocar potenciais atritos só faz com que nos relembremos mais acuidadamente do aforismo “de boas intenções está o inferno cheio”. E com acrescida razão porque nesta, como em outras questões, os resultados práticos não são minimamente contemplativos com tão fervorosa e cândida devoção.

Não creio que o “movimento”, mesmo que extremamente sedutor, tenha tido ou viesse a obter algum resultado prático, se a situação ideal para ambas as partes, Benfica e jogador, se apresentasse. E a situação ainda não foi totalmente ultrapassada que o 31 de Agosto ainda vem longe.
Não se duvida de que algumas traquinices e dotes futebolísticos de David Luís não sejam sinal de um certo jogador “à Benfica” e de que ele não sinta o carinho pela Instituição e pelos adeptos.
Mas isso também Ramires, na hora da despedida e mesmo em outros momentos, manifestou e ninguém teve a “brilhante” ideia de lhe tentar dedicar um livro de exaltações, as mais diversas, com igual e pungente pedido. E tenho sérias dúvidas sobre se Ramires não teria tido, no esquema futebolístico do Benfica, tão ou no mínimo igual preponderância no que de bom a equipa produziu.
O mesmo se diga de Di Maria.

A união do balneário é o bem mais apreciado, apreciável e decisivo na conquista dos êxitos desportivos. Os homens não são máquinas e essa união faz-se de múltiplas e pequenas-grandes coisas, muitas delas quase a passarem praticamente despercebidas.
E desunir é facílimo porque essa união caminha sempre, como nos tem testemunhado a prática, em bicos de pés sobre superfícies muito movediças e eriçadas de espinhos que espreitam a cada canto.

O que se verifica agora, passado o momento de maior frenesim exaltante, é que muitos dos entusiastas e contribuidores da ideia torcem o nariz, numa de treinadores em posição privilegiada porque após a contenda e o resultado, ao facto de não haver por ali aquela competência, vontade e garra que noutros tempos se manifestava.
A culpa é obrigatoriamente do treinador, sentenciam, porque “errou” ao colocar as “peças” e não soube incutir essa garra. De David Luís é que não foi, até porque ele se portou durante todo o jogo como o modelo do futebolista ímpar a que nos habituou, inclusive nos aspectos disciplinares!... Não se esperava, naturalmente, que ele correspondesse com menos amor a amor tão idolatrado, amor que só a ele viu como o bom destinatário do seu merecimento!

Certamente, até é bem capaz de não se tratar do mesmo treinador!...
Não se afirma que essa falta de garra seja uma consequência, ainda que ténue, dos tais ciúmezinhos de que falaram os autores e impulsionadores da ideia do movimento objectivamente “separatista”, numa abordagem real e sem subtilezas paliativas. Ou, particularmente, da saída de Di Maria ou Ramires, certamente porque não conseguiram a mercê de uma exaltação petitória em regra como o seu colega. E muito menos das posições assumidas, de certo modo inesperadas, por Luisão e Cardozo, também eles órfãos de tais “carinhos”.
Todavia, não incentivar motivos de potencial divisionismo, isso nem passou, e devia ter passado, pela cabeça de ninguém que deu contributo ao “movimento”.

Como há pouco disse um “expert” na matéria, actualmente o “amor à camisola” dos jogadores é o amor à camisola que mais lhe paga. A cor actual da camisola do jogador é a do profissionalismo pagante.
Observe-se o caso de Luisão – e dispenso-me até do de Cardozo – que no ano passado, antes do aumento salarial, dizia alto e bom som que o seu maior desejo era acabar a carreira no Benfica.
Só com base naquele actual princípio do “amor à camisola” é que as suas posições hodiernas não causaram espanto entre os Benfiquistas.
Mas Luisão também não interessa, não é verdade? Ele também não teve a sua quota-parte nos êxitos do Benfica! O que se sabe é que não mereceu livro nenhum que lhe refrescasse o ânimo, lhe apelasse ao coração cheio de “amor”, e, naturalmente, pode ter-se sentido traído no coração dos Benfiquistas e na miragem de uns euros a mais na sua conta bancária.

De acordo com a divisa “e pluribus unum”, ainda sou dos que julgam que o Benfiquismo é o amor ao UNO, ou seja, ao Glorioso Benfica, e não às suas partes depois de nelas colocar divisórias.
Naturalmente que isto não faz com que abjure os egos que, em certos momentos e circunstâncias, possam sentir maior afecto por algumas dessas partes.
Mas não compreendo que esses afectos, que esses egos, se possam de algum modo sobrepor ao UNO, que eles não tenham sempre e unicamente presente o supremo bem do Único e Glorioso Benfica!
A idolatria da parte é, se não a negação, ao menos a redução do afecto ao TODO.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

VARIAÇÕES DA ACTUAL PRÉ ÉPOCA FUTEBOLÍSTICA

A actual pré época do Benfica tem, manifestamente, sido bem mais comedida do que a anterior, em especial por parte dos Benfiquistas. Há razões óbvias para isso, destacando-se em absoluto o ineditismo das “performances” futebolísticas apresentadas pela equipa do Benfica na pré época passada relativamente às últimas décadas, de tal modo que, de igual, só os cinquentões, ou a caminho disso, se lembram.
A par dessas “performances” e não menos decisiva, manifestava-se sempre imensa e renovada esperança do “este ano é que é” … finalmente!… Era o sempre renovado desejo intenso de uma “nação” clubística espalhada pelos quatro cantos do mundo de ver novamente o Benfica campeão, um desejo de um Benfica de regresso aos títulos que, no passado, fizeram a sua glória imensa e ímpar.
Conseguido esse desiderato, mantendo-se o treinador “milagroso” a fazer jus ao seu apelido e a base estrutural da equipa campeã, os Benfiquistas, continuando naturalmente eufóricos, já não sentem como sentiam a necessidade de exteriorização do seu sentimento profundo que, todavia, continua lá no âmago dos seus seres. Pelo contrário, agora sentem-se muito mais seguros e tranquilos quanto aos êxitos prometidos, a esperança encontra-se muito melhor alicerçada até porque as “performances” desportivas da equipa se mantêm intactas, continuando de igual modo a sustentar virtuosamente a fé Benfiquista.

Um facto comprova plenamente este maior comedimento de que falámos, consubstanciado numa (bem) menor afluência de Benfiquistas ao seu estádio nos dois jogos já lá realizados. É evidente que isto não significa de forma alguma um menor apreço dos Benfiquistas pela sua equipa de futebol, que eles não continuem a estar em pleno, de alma e coração, com os seus heróis.
Significa só que não sentem tanto a necessidade de um “levar ao colo” porque esses heróis, continuando a sentir como igual ou maior o pulsar da alma Benfiquista, já foram como que “ganhando asas” de uma certa independência advinda da sua natural e plena maturidade, aquela maturidade com que a equipa presenteou os Benfiquistas e todos os amantes do belo futebol espectáculo, fazendo calar os mais empedernidos e até os nauseados compulsivos aos quais tanto a sua própria náusea custou a engolir, provocando-lhes ainda o seu nojento, conquanto bem conhecido e costumado, mau perder.


É naturalmente óbvio que esta, digamos, pequena anestesia na euforia Benfiquista causou alguns incómodos aos avençados da náusea e aos seus pasquins, jornais ou televisões, tanto faz. Ficaram sem este tema recorrente e como são verdadeiramente falhos de imaginação credível, o facto obrigou-os a uma adaptação e restrição de temas.
Jornais e televisões, viram-se na ausência das suas “sapientes” profecias das desgraças quanto ao seu desejado desfecho de uma euforia que, infelizmente para os Benfiquistas mas que deixava estes avençados todos babados, sempre consideraram e se mostrou duramente infecunda. Mas era tema das graçolas parolas que gostavam de vomitar.

Para variar, portanto, foi vê-los a glosar constantemente o tema da venda de toda a equipa campeã, a qual venderam duas ou três vezes, titulares e suplentes, digamos assim, até porque nem treinador nem director desportivo escaparam àquela venda ou liquidação total que empreenderam na sua constante verborreia.
Como compensação, conseguiram comprar quatro ou cinco equipas completas, com substitutos e tudo. Sobrando-lhes em devaneio, magicação, cisma, ruminação, mania, quimera, delírio e, principalmente, desvario, o que lhes mingua em deontologia jornalística, foram entretendo o seu tempo, bolçando os seus vómitos e enchendo páginas e páginas de náusea.

Atentos os seus cérebros comandados, fica sempre a dúvida sobre se alguns se sentiram decepcionados com os resultados. No fim de contas, o que aconteceu foram as desgraças das suas profecias das desgraças, tendo em conta especialmente que eles, apesar do esforço, não conseguiram destroçar a equipa campeã.

Houve, no entanto, um tema que entreteu os avençados pelo menos durante uns tempos. Foi a adaptação de Roberto à sua nova equipa. Houve momentos em que eles bem se esforçaram por abater o guardião e, assim, glosar o tema do seu custo.
Não o conseguiram porque a família Benfiquista já os conhece de ginjeira e está-se marimbando para as suas tolices. E os Benfiquistas resolveram começar a gritar bem alto o seu apoio ao jovem e promissor guarda-redes.
Mas os tolos não desistem. Viu-se ainda agora, num treino ao ar livre, uma televisão mostrar os adeptos a apoiar Roberto de forma bem calorosa. Pois tais avençados de pacotilha, contra as próprias imagens que iam mostrando ao público, não se cansavam de bolçar as suas costumadas e endémicas palermices.
Mas já todos os conhecem, nem precisam de estar em “off”.


Dirigentes há que, certamente, irão sofrer no futuro as provações de se terem visto privados das suas justificações sobre as aselhices futebolísticas da sua equipa de futebol. É verdade que nesta pré época as coisas ainda não correram mal mas o certo é que a coisa ainda não foi muito a doer. Mas se a coisa der para o torto ou não for tão a direito como a sua euforia – eles também têm direito a ela – pretende, fica mais difícil arranjar bode expiatório.
Submissos como são e assim se apregoam, não imaginamos que se desculpem com as maçãs podres, quando vimos que essa submissão até os levou a enaltecer aquele dirigente – o que decide, o que foi condenado por tentativa de corrupção desportiva – que lhes apodreceu essas maçãs.
É, todavia, um enaltecimento que não espanta. Há já muito “portista” que, com toda a propriedade, se mostra agradecido ao clube submisso do seu. É um razoável clube para ir rodando e dando experiência a “promessas” futebolísticas que despontam e que depois, como maças podres ou sadias, vão servir nas hostes do clube – igualmente condenado – quando e se este bem entender. Compensativamente, o clube serviente é um bom caixote do lixo daqueles jogadores que não prestam para o clube dominante e que este não consegue despachar de outro modo.


Miguel Sousa Tavares é, contra o que seria suposto, um comentador que, neste defeso, até parece mostrar-se também bastante comedido e até deveras pessimista quanto à “performance” desportiva que augura para a equipa do seu clube. Este pessimismo, tanto quanto se apercebe, não é tão devido à menos valia dos seus mas à mais valia que sente no Benfica.
Aqui para nós – que Miguel Sousa Tavares o não confessou mas deixou implícito – a sua maior preocupação reside na menor amplitude – não confundir com ausência – dos poderes que o seu clube actualmente possui para dominar como quer a arbitragem e até mesmo a justiça desportiva. De facto, Miguel Sousa Tavares sublinhou que o Benfica só tinha perdido – até à data em que se pronunciou – duas unidades da sua estrutura campeã: Di Maria e o Dr. Ricardo Costa. Ora, sabendo-se que, de acordo com este “brilhante” raciocínio, o FC Porto se apetrechou com muitos novos jogadores, mais o Dr. Fernando Gomes – MST esqueceu-se de pronunciar o nome de Hermínio Loureiro – mais ainda o Dr. Herculano Lima – Juiz muito visto pelos camarotes das Antas e agora do Dragão – e não perdeu o conselho de justiça da FPF, parece óbvio que, mesmo depois de todas estas aquisições, só a menor amplitude de poderes para influenciar em tudo o que preciso for pode justificar um tão insólito pessimismo.

Existe, no entanto, outro dado que pode ter tido a sua influência. Efectivamente, em pleno século XXI o alfabetismo parece ter regredido para as bandas do clube da “fruta”. Em anos anteriores, os jogadores do FC Porto parece que precisavam de entre quatro a cinco minutos para conseguirem fazer a sua assinatura. Este ano já se assistiu a um jogador ter demorado um mês ou mais para conseguir assinar e dizem que existe ainda outro jogador que anda há muito mais tempo para fazer essa assinatura, apesar de se ter escapulido dos treinos e permanência no seu anterior clube, refugiando-se agora, escreve-se na imprensa, no Brasil.
Talvez tenha andado aí por algumas escolas a fim de aprender a gatafunhar a sua assinatura mas é muito natural que não encontre escola melhor para este tipo de malabarismos de chico-espertice do que a escola do “olival” e de Contumil.

terça-feira, 27 de julho de 2010

OS DONOS DA EUFORIA

Tínhamos a esperança, nós, Benfiquistas, de que os “cónegos” avençados do “sumo sacerdote” da suavemente, muito suavemente, designada de “tentativa(?!)” de corrupção desportiva nos iam deixar este ano um pouco em paz com a nossa euforia pelas proezas desportivas que a nossa equipa nos é capaz de proporcionar.
É evidente que os nossos dirigentes, os nossos treinadores e jogadores nos prometem o bicampeonato e uma prestação desportiva superior à da época passada. Mas os ditos “cónegos” avençados deixam-nos hoje mais sossegados com a nossa euforia e já não parecem exigir, pelo menos tanto, que ela seja proibida de se manifestar porque, ao que parece por alguns ditos, essa euforia seria então e parece que já não é, não apenas a causadora de fortes perturbações bipolares de algumas outras equipas, mais tendendo para a forte depressão do que para uma euforia de resultados tão escassos, como ainda sinónimo de mais uma decepção encomendada e escrita pelos deuses como um fado sem retorno.

No passado, os “cónegos” escrivães da “santa cúria” não se esqueciam de refinar as suas profecias da desgraça com as prédicas da compra de jogadores caros que ninguém queria e que vinham só para gozar uma bela reforma ao ameno sol do solo pátrio, juntando-se a outros a quem a carapuça também servia às mil maravilhas. Podemos recordar-nos de Saviola, Javi Garcia, Aimar e Carlos Martins, entre alguns mais.
Se a isto acrescentarmos as suas orgásticas verborreias de guerras perdidas em questão de surripianço de jogadores analfabetos que precisam à volta de 5 minutos para fazerem a sua assinatura, tal o sermonário salvífico de “cónegos” tão devotados quanto domesticados, as profecias da desgraça não teriam, de facto, como não se consumarem.

Não, Benfiquistas, este ano foi-nos concedido o direito a ser eufóricos. E para o comprovar, aí está o rei das verdades da mentira, Miguel Sousa Tavares, hoje por hoje deveras “tão simpático” que nem só se não preocupa minimamente com os golos sofridos pelo Benfica como ainda parece destilar alguma euforia quanto à capacidade concretizadora do seu ataque.
Podemos ser eufóricos porque, apesar de campeões, são agora os “cónegos” ou “abades” – com descendentes de viscondes à mistura – os que se assumem no direito à euforia, com algum menosprezo pela euforia dos Benfiquistas.

Eufóricos se sentem, em primeiro lugar porque já nos foi vendida toda a equipa vencedora, deixando-nos apenas os restos para nosso contento. E se não foi tanto assim, pois se concretizou ainda somente a venda de Di Maria, tal é quanto basta para nos encomendar nossos sonhos ao mar da desilusão.
Mas a profecia da venda da equipa, essa mantêm-se com toda a força da sua euforia.

Gaitan não é substituto coisa nenhuma! Substituto era o James, outro guerreado nas batalhas do vencedor das guerras, incluindo aquela de não ter cumprido as promessas feitas a mortos – apesar das batalhas ganhas contra os Pereiras e os Falcões – conquanto o desconto da senilidade em época de saldos.

Mas não há dúvida de que nós, Benfiquistas, às vezes não temos sorte. Sendo James o substituto à altura de Di Maria, por que raio o Real Madrid, clube tão habituado às andanças da descoberta de galácticos e aos enredos das renhidas batalhas negociais, foi despender por um jogador uma quantia já bem elevada quando tinha à sua mercê o sucedâneo adequado pela sexta parte do preço!
E logo nos havia de levar o Di Maria!
E quanto ao Gaitan não ser substituto de Di Maria, apesar de sempre muito mais predispostos no abocanhar dos bons repastos, como é de sua fama e bom proveito, os “abades” avençados não deverão ter-se esquecido de que Di Maria também não era o substituto de Simão Sabrosa, tal como a “delirante” mente de Luís Filipe Vieira tivera a ousadia de proclamar, sem lhes pedir licença.
Mas neste pequeno(?!) pormenor, não creio que a sorte tenha sido madrasta. Não vamos acreditar que haja Benfiquista que hoje preferisse o substituído ao substituto.

Nós podemos ainda ser eufóricos este ano, sem correr os riscos de uma proibição da “cúria papal”, porque o direito à euforia é deles, actualmente. Eufóricos se encontram com os muitos golos sofridos pela defesa do Benfica.
Ora essa, tem lá alguma importância que o guarda-redes seja novo e se esteja a habituar à equipa … e até à bola?!
E que importância tem que a defesa do Benfica seja a única dos ditos rivais que ainda não voltou a jogar, apenas com excepção de um dos seus habituais elementos em campo?!
Esquecer que o Benfica marcou o dobro dos golos é também um motivo de euforia pela forma como se escamoteia, até porque alguém da sua laia “sacerdotal” não está interessado em goleadas.

Sem que os “cónegos” ou “abades”, ou “curas”, seja lá que título dignitário tenha o avençado que, não alforriado, vai gatafunhando o que dita o seu “sumo pontífice”, tomem parte na dança das euforias, confesso-vos, Benfiquistas, que podemos ser eufóricos à vontade quando o tema é a “maçã podre”.
Em princípio, poderia não ser assim, porquanto ainda houve um ou outro tresloucado que, sorrateiramente, tentou engendrar mais uma guerra em disputa da “maçã podre” e que teria tido como vencedor o habitual perdedor dos ditos das suas conversas e promessas aos mortos.
Mas dois pormenores, ambos de realce mas de muito desigual importância, tiveram influência decisiva no abafar da euforia da “cúria”.
Um deles, o bem mais importante e à distância de todo um universo, é o de que nunca os princípios por que se rege o nosso Grandioso e Glorioso Benfica aceitariam maçãs podres no seu seio.
O outro, de diminuta importância mesmo em termos absolutos, mas nem por isso despiciendo, consiste na réstia excepcional de uma catarse de discernimento. Não se pode esquecer que o condenado por tentativa de batotice desportiva, ainda consegue “merecer” as graças de ser considerado por uma (in)justiça como um “bom conselheiro familiar”.
Essa catarse ainda conseguiu distinguir que maçã podre só no reino “papal” se encontra no seu meio propício.

E quando se trata de valores ou da falta deles, a distância entre o “pomar” adequado às maçãs podres e os lugares sadios em que aquelas nunca entrarão, está bem referenciado nas palavras do nosso Presidente para o qual … “o futebol deve ser uma ponte que ajude a transmitir valores à sociedade”… “deve ser orientado por princípios e deve ser assumido sempre com verdade” … “a desonestidade não deve caber nele” … “é de pessoas íntegras que se deve construir o futebol”…
À luz destes princípios, é fácil confrontar o Benfica com o “pomar” em que todas as maçãs podres – algumas cebolas também – têm o seu poisio à medida.

Lembram-se, Benfiquistas, do que Luís Filipe Vieira disse acerca da catástrofe natural da Madeira?
Não precisou de “cónegos” ou “abades”!
E foi cumprir, ainda pessoalmente! Aliás, o único que até agora cumpriu com o que prometeu! Nem Governo, nem Comissão Europeia, nada! Só o Glorioso Benfica!

Lembram-se das promessas do “papa” da mentira, mandadas dizer pelos seus acólitos, com vergonha de pessoalmente as assumir?
Que o seu clube ia ajudar com um joguinho de futebol! Com Ronaldo, o Cristiano, e tudo! E futebolistas que jogassem em clubes da Madeira!
Cumpriu?!!!
O chetas! Apesar do seu amigo Jardim, a verdade é que este não parece ser burro nenhum que se deixe levar, nem que seja por um “papa” da mentira e condenado. Deve estar bem lembrado da promessa de ajuda aos farenses. Toda impante, a equipa do FC Porto lá foi fazer a jogatana prometida! Só que os espectadores foram tantos e a receita do jogo foi tal que … deu prejuízo!

E Jardim, com risco de ser esconjurado, deve ter dito ao “papa”:
«Vai-te ganho que me dás perca!...»

E é assim que os donos da euforia se vão euforicamente exaltando nas suas conseguidas avenças do gatafunho subserviente.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A equipa B do FC Porto

A transferência de Moutinho para o FC Porto provocou assombro e um burburinho ruidoso que teria escandalizado o mundo do futebol. Diga-se, todavia, em abono da verdade, que os mais estupefactos e incrédulos nem parece que tenham sido os sportinguistas. Estes dão sinais evidentes do seu fatalismo, do fado inexorável que rodeia a sua agremiação e vão-se mostrando resignados com o seu (triste) destino.

Pela minha parte, e sem conceder o mínimo crédito ao pré ordenamento do destino, acho este assombro e este burburinho perfeitamente disparatados, tanto quanto eles são até parte estranha na questão.
É certo que há muito e por toda a parte se vem praticando o princípio de que se não deve reforçar o rival, mas não há regra sem excepção!
Ora, conquanto a memória futebolística seja bastante curta, não deve esquecer-se que o “gestor exemplar” daquela “gestão modelar” afirmou ainda na época futebolística transacta que o seu grande rival na luta pelo título era o Sporting de Braga e, não obstante, reforçou-o ao longo da época com jogadores que lhe pertenciam.
O resultado animou-o, ao que parece, e agora encontra-se na fase da redenção.

Como disse, um Benfiquista, graças a Deus como parte estranha, não se preocupa nem se assombra com estas questões de pormenor. O Benfiquista, com efeito, não esquece a febre que aqui há alguns anos infestou todos os clubes a disputarem um campeonato qualquer com as suas equipas B. É claro que, sabendo-se das dificuldades da grande maioria dos clubes para sustentar uma só equipa, a sua equipa principal, a falta dos correspondentes recursos económicos fez com que as tais equipas B se esfumassem tão depressa quanto foram imaginadas.

Houve, porém, diferentes motivos justificativos para se acabarem com as equipas B, alguns a somar à falta dos recursos económicos. O FC Porto, por exemplo, que necessidade tinha de outra equipa B, se já possuía uma em Alvalade e que lhe ficava economicamente muito mais em conta?
A acrescentar a esta desnecessidade, há muito que as possibilidades de sustentar uma só equipa, a sua equipa principal, se vinham deteriorando substancialmente para os lados de Alvalade. Assim, transformar a sua equipa na equipa B do FC Porto, corresponde a uma consolidação de vontades e necessidades convergentes.
Por conseguinte, melhor harmonização de interesses será difícil de conceber. João Rocha, primeiro, e Dias da Cunha, depois, foram apenas pequenos grãos de areia que pouco conseguiram emperrar uma engrenagem bem oleada pelos saberes de um “papa” que conhece onde há-de filar o dente e apresentar as soluções como casos consumados.

Mas o burburinho de assombro é ainda menos justificado perante os factos concretos. De facto, este mundo do futebol até parece que anda nas nuvens porque devia saber bem que os gestores dos destinos de uma e outra das agremiações desportivas são efectivamente os mesmos, a isso não fazendo mossa o facto de uma delas ter sido condenada por tentativa de corrupção desportiva e a outra se dar ares genéticos de viscondado.
Os acordos são para se cumprir se quem o exige for o “papa” que é o gestor mor da sociedade em questão. E as necessidades apertam!...
Os actuais assombrados do mundo do futebol bem deveriam saber quem são os dirigentes que mandam e quem são os vassalos, meros paus mandados e porta-vozes de conveniência.

Já durante ou no início da época futebolística transacta foi amplamente noticiado um encontro ajantarado entre Moutinho, o seu empresário e o gestor que tudo manda naquelas duas agremiações. Para esse encontro ajantarado nem os capatazes paus mandados foram convidados e não sabemos se eles, pelo menos, não rabiaram por falta de consideração perante as suas necessidades fisiológicas.

É verdade que, para formalizar com alguma solenidade os detalhes, dizem, dos acertos do que acertado há muito estava, se noticiou um tête-à-tête entre mandantes e procuradores. Bettencourt, assediado para comentar o encontro, dizem que não quis falar, não confirmando nem desmentindo. Alguns jornalistas mais simpáticos, douraram a pílula e escreveram que Bettencourt “fintou” a curiosidade dos questionadores.

Néscios estes hipotéticos “driblados” que tantas vezes exaltaram as vanglórias da “gestão modelar”! Já se esqueceram eles daquilo que o youtube divulgou com toda a pompa e circunstância?
O “papa” faz gala na divulgação telefónica da sua gabarrice! Jactanciosamente, confessa aos seus amigos o gozo orgástico que sente ao deixar estendida a mão do (seu) “cavalo branco”!
Ora, para empacotar o feito e dar-lhe algum verniz que não estalasse entre os resignados sportinguistas, seria sempre de bom tom que se noticiasse o tradicional aperto de mão entre as partes, não obstante estas pertencerem todas à mesma “família”, apenas hierarquicamente diferenciadas entre gestores mandantes e mandatários capatazes, paus mandados e porta-vozes de conveniência.
É óbvio, pois, que o “papa” não ia convidar para a “cerimónia” solene o (seu) “cavalo branco” a quem deixa de mão estendida!

É patente que aqueles néscios daqueles questionadores e louvaminheiros da “gestão modelar” deviam saber que Bettencourt não estava em condições de responder às questões que lhe colocaram!
Não foi por birra e muito menos por artes futebolísticas!
Foi por total desconhecimento!

Já se noticiam mais desejos de trocar de ares. Mas quem haverá que não compreenda os jogadores actuais?
Se eles são aliciados para jogar na equipa A, por que raio de motivo hão-de continuar a penar na equipa B?

Santa ingenuidade esta que, ela sim, devia causar e não causa assombro! Os eucaliptos boavisteiros, salgueirais, leixonenses e demais, já secaram a norte!
Os eucaliptos de Belém seguiram-lhes as pisadas, mau grado a mui penhorada oratória do seu speaker de serviço!
Os eucaliptos de Alvalade ainda vão beneficiando de umas mijinhas!
Os da pedreira começaram agora a ser regados! A seca seguirá sorrateiramente lá para daqui a uns tempitos!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A saga da venda da equipa do Benfica e as toneladas de compras…

Se perguntarem a um português o que é que está a dar nas televisões portuguesas, responderão sem titubeio que são as novelas. Não importa que se diga que são novelas ordinárias, em termos de trama, de linguagem e de representação. Interessa que sejam novelas!
As telenovelas, de facto, são hoje o produto mais querido e consumido pelas famílias portuguesas. Superam mesmo em audiência a grande maioria das transmissões de futebol, o futebol que, diz-se, é tanto a paixão como o ópio do povo frente às agruras do dia-a-dia.

As novelas dos jornais, jornalecos, pasquins, pasquineiros e outros afins, com os desportivos à cabeça, são as danças de jogadores e treinadores de futebol, as questiúnculas e os enfados de uns e de outros e entre os dirigentes, se eles pertencerem a um dos chamados grandes, tudo com imensa predominância para o que se passa no reino da Águia.

Em rodapé, vão-se dando algumas notícias sobre aquisições e dispensas do Sporting. Por vezes, aparece em surdina alguma confrontação de desejos entre este clube e o FC Porto. Não muita, porque a hipotética disputa entre ambos acaba sem ter começado. O FC Porto fica com o que quer e dispensa os restos ao seu satélite.
É difícil ver-se notícia dando conta de confronto do género entre Benfica e Sporting. Jogador que o Benfica pretenda é tão alto para o Sporting que lhe fica verde e não o pode tragar. Jogador que o Sporting pretenda é tão banal e insignificante que não desperta atenção a ninguém e menos ao Benfica.
Os fazedores de novelas nem tentam a trama, reles como todas as outras mas que nem um bocejo provocaria na audiência. O Sporting é tão inofensivo que a ninguém interessa o que dele se diz ou escreve.

Quando se trata do Benfica, então os novelistas do calão “sentem-se em casa” para produziram a sua costumada e óbvia novelória.
Vemos então os jornais e jornalecos, pasquins e pasquineiros, como produtores; jornalistas, jornaleiros, avençados, cronistas, comentadores e opinantes, os realizadores; “artistas” auto convidados e proxenetas do cacau que matou o amor à camisola, os clubes vendedores ou compradores e os empresários dos jogadores; coristas, os jogadores manipulados de onda em onda que quebra onde lhe disserem para quebrar.
Depois … restam os comedores, com caras de espanto por vezes mas sempre tão bons “garfos” quanto de gosto medíocre, eles sempre dispostos ao “fast food” de péssima qualidade por que se deixam empanzinar, menos por conhecimento do serviço e mais por narcisismo.

As novelas futebolísticas produzem-se em catadupa porque têm consumidores atentos e fidelizados, uns por ingenuidade, outros por propensão para a auto flagelação e para o masoquismo, outros ainda por conveniência. Se a maioria do potencial consumidor é adepta do Benfica, a novela desenrola-se em torno do Benfica.

Em todos os defesos, a trama vai centrar-se, sem desvios, na venda de toda a anterior equipa do Benfica e na compra de quatro ou cinco equipas em sua substituição.
Paralelamente e para apimentar o enredo, encena-se uma guerra Benfica-FC Porto em que o Benfica é apresentado como o ingénuo que constantemente se deixa assaltar e tão inútil e incompetente que nem adquire um sistema mínimo de alarme e videovigilância.
O FC Porto aparece sempre como o vilão da gatunagem de jogadores e, não obstante, cheios de encómios pelo seu chico espertismo.

A este propósito, é costume enumerar uma série enorme e recorrente de exemplos, de tal modo que, se assim não acontecera, a equipa daquele clube da rapinagem – como dizem e escrevem – nem tinha equipa nem tinha nada. Pelo contrário, a equipa sistematicamente rapinada, se já tem uma mão bem cheia de jogadores em excesso, nem num quartel apropriado conseguiria meter tanta gente.

O exemplo mais recente dessa rapinagem chama-se, dizem, James Rodriguez ou Rodriguez James, não sei muito bem nem é coisa que deva interessar a um Benfiquista.
Os produtores, realizadores, “artistas” e coristas começam por falar numa abordagem de contratação pelo Benfica e outros clubes estrangeiros. Acrescentavam eles, relativamente ao Benfica, que esse tal jogador seria o substituto de Di Maria, venda há muito consumada pelos mesmos.
Pouco depois acrescentavam-lhe a natural e “óbvia” intromissão do FC Porto, aquela intromissão que, pelo seu costume, já tinha falta marcada.
No entretanto, o FC Porto, escreveram os mesmos, negava solenemente o seu interesse no dito.
E Jorge Jesus dizia à Benfica TV – dizeres transcritos em tudo o que era jornal – que o substituto de Di Maria já estava encontrado … e não era James ou lá o que é, mas Gaitan.
Só que os jornais, como convinha, continuaram com a novela, substituto e disputa, que culminou, segundo eles, na contratação pelo FC Porto de 50% do passe por mais de 6 milhões.
E logo alguns tocaram em sentido o seu hino da rapinagem.
Mas nem por isso um jornal deixou de noticiar ao outro dia, tipo pílula do dia seguinte, que o Nápoles ainda não desistira do tal James e que o Benfica era o seu grande obstáculo à concretização do negócio, atenta a disponibilidade financeira proporcionada pela venda de Di Maria.
Dá para tudo, para estar contratado e para não estar contratado, à vontade do freguês de ocasião.

Que os intervenientes autores, realizadores, personagens representativas e suas coristas permaneçam no seu afã noveleiro de pechisbeque não é coisa que preocupe, nem deveria ser coisa que preocupasse os Benfiquistas.
Só que a novelística continua porque existem sempre Benfiquistas hospedeiros deste parasitismo novelesco.

Até hoje, ainda se não ouviu uma palavra dos nossos dirigentes ou treinador sobre o tão propalado interesse no dito James. E são eles a única fonte da verdade de tudo o que, a este respeito, houver que contar.
Algumas entidades pressurosas na aplicação, sublinham, da lei apenas para os lados do Benfica, obrigam aqueles dirigentes à desconfirmação daquilo que eles nunca confirmaram, sem se preocuparem com quem inventou e divulgou as notícias e que por elas é único responsável.
Os mesmos dirigentes vão acrescentando bem alto e compreensivelmente que não podem nem são obrigados a confirmar ou desmentir notícias de que não são autores.

Mas não chega este esforço dos dirigentes do Benfica. Não chega porque há Benfiquistas mais predispostos a engolir qualquer balela da imaginação jornaleira e pasquineira do que a confiar e a unir-se àqueles a quem livremente elegeram.
Esses, aparecem logo a dizer, «Sim, precisamos de uma Jurista Benfiquista para ver se não somos comidos todos os anos nas aquisições que queremos e que vão para a Contumil FC…».

Triste Benfiquismo este que confia nas notícias de um qualquer reles jornal ou pasquim e faz orelhas moucas aos órgãos oficiais do seu clube.

E há ainda aqueles Benfiquistas que estão nas suas sete quintas com esta trama e que, aproveitando-a, vão tecendo a sua própria, com deméritos iguais ou piores.
E vão fazendo as suas proclamações de regência:

«No que diz respeito ao puto James Rodriguez, estou a ver muita conversa, muita tinta a correr, muito tempo a demorar o fecho do negócio - onde é que eu já vi este filme!!!!! O jogador, bem aconselhado, recusou o mercado russo, pelo que ficam Espanhol e Benfica na luta. E o interesse do SLBenfica é real…»

Há quem escreva e escreva! Só com um pormenor. Chega-se ao fim da leitura e não se entende muito bem aonde é que o escriba quis chegar. O discurso é assim a meios que enrolado, não se sabe se é feitio, se defeito! Talvez feitio porque é sabido bem o objectivo final!
Alguma água consegue levar, porém, ao seu moinho. Basta pensar que até parece ter conquistado alguém que tanto se desunha no combate ao “giorgio de bufa”, ao “peidoso” e “flatulento”, à “etar de contumil”, a “palermo”, justificando esta linguagem pelo “tem que ser” para defesa do Benfica.
Pois este nosso afadigoso atacante do “geogio de bufa”, “peidoso” e “flatulento”, e emérito defensor do Benfica, virou também defensor convicto daqueles que, subrepticiamente, vão fazendo que fazem oposição – o pleonasmo fica bem pela surdina do faz que faz – sempre que a maré está a jeito, àqueles dirigentes que ele, igualmente afadigoso, ajudou a eleger e que, em todas as outras ocasiões, defende nem que seja à força de cajado.

Estes são aqueles que, não sabendo nada ou pouco mais de nada … sabem tudo! Até de faxes privados!...
Todavia, se outro mérito não teve o afã destes que “sabem tudo” do Benfica, conseguir tal conversão é, com certeza, uma grande conquista!
Pela minha parte, nada sabendo também, sei apenas que, se os dirigentes e os órgãos de comunicação do Benfica nunca me disseram nada sobre a abertura de um negócio, não estou à espera que eles o fechem porque só se fecha o que está aberto.

Qualquer dia fica bem penoso ser dirigente do Benfica. Não tarda nada, até vão obrigar estes dirigentes a noticiar e comunicar à CMVM sempre que tenham de ir à casa de banho esvaziar-se, com todos os detalhes e detalhinhos, o tom das flatulências eventuais – será moléstia que vem do “papa” do norte? - das dores de barriga, do hipotético tesão por depararem nem que seja com a fotografia de gaja nua, da cor das cuecas, a marca do papel higiénico usado nas limpezas, sei lá mais o quê!

Esperemos para ver. Até lá, façamos votos para que os Benfiquistas, de uma vez por todas, não sejam hospedeiros do parasitismo que só à custa deles se alimenta.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Di Maria, o Benfiquismo e o profetismo desgraceiro

Que televisões, jornais, jornalistas, noticiadores, cronistas, comentadores, opinantes, avençados, presuntivos sapientes de ocasião e demais interessados em meter a colherada, toda esta cambada do parasitismo que o Benfica tem de alimentar para que não morra escanzelada pela fome – e alguns vão pifando, apesar da côdea, v.g. “24 horas” e outro esterco afim – tentem deitar abaixo o Glorioso Sport Lisboa e Benfica com as suas tão costumeiras aleivosias, nada deve estranhar à imensa Pátria Benfiquista!
Que alguns Benfiquistas – aqueles que mal convivem com a derrota das suas alternativas numa demonstração de pura democraticidade – se aproveitem de algumas ingenuidades e, em especial, da onda daquele séquito externo devidamente catequizado e orientado na destruição do genuíno espírito Benfiquista, sendo de lamentar, também vai sendo usual e conhecido da imensa, devotada e prestimosa Família que tem a Águia Majestosa por seu símbolo eterno e imortal!
Agora que a Imensa Família Benfiquista se deixe – ou pareça deixar – ir na onda dos satãs da desunião, ao mais leve indício – enganador – de tormenta é que é algo de inusual e inesperado!

A repetida mensagem dos gestores do Benfica, ao seu mais alto nível, era a da venda de qualquer jogador cobiçado apenas pelo valor da cláusula de rescisão.
Todavia, o Benfica comunicou à CMVM a venda do jogador, depois de muitas, cansativas, ridiculosas e nevoentas novelísticas que rodearam as conversações, por 25 milhões de euros, a cerca de 60% do valor da estafada cláusula de rescisão!
Foi este o número fixado pelos “entendidos”, um número por uns já largamente difundido como um dogma. E um dogma que até encontrou eco num órgão de comunicação social que, pasme-se, chegou a noticiar ser esse montante pago durante seis – repete-se, seis! – anos!
Ou seja, esse mago do bruxedo ou se confundiu com a duração do contrato, ou achou que era “sábio” sentenciar que o Benfica, se vendia por seis anos, só devia receber um sexto em cada ano!

Quanto aos ditos Benfiquistas, alguns que juram sistematicamente a pés juntos a sua devoção imaculada junto de quem elegeram para gerir os destinos do seu Glorioso Benfica, o tremer da sua fé chegaria quase a um manifesto de “reforma” apostática, tão lamentosos e furibundos foram os seus queixumes.
Entendidos nas artes de mercadores encartados e experimentados no negócio, depressa vêm exigir, sob pena de uma pré-sentenciada excomungação, todos os detalhes e detalhinhos do contrato, vírgulas e pontos, pontos e vírgulas, que pontos de exclamação e de interrogação quanto baste soltaram eles de imediato!
E as expressões pomposas e presuntivamente cáusticas quanto sapientes não se ficaram atrás. Falou-se da «estratégia, quase fanfarrónica, de quase diariamente acenar com as cláusulas de rescisão…», dos perigos de, a partir de agora, não haver «razão moral e empresarial para impedir um outro qualquer jogador de querer sair pelo preço que oferecerem…», sentenciou-se, ponto e vírgula, que «ou eram os €40 milhões ou DI ficava e ponto final...»
Para cúmulo, até deparámos com um dito “indefectível” que veio mostrar-se arrependido das “bocas” que mandou a um “cavador de oposição” que ninguém entende, nem a oposição nem o cavador, sentenciando diplomática e sentidamente que tal «cavador está certo nas reticências que faz ao LFV…»

Também nos aparecem os fazedores de contas – que isso de um mercador, ainda por cima sabido, não apresentar as “suas” contas era um sacrilégio – com contas que não batem certo com outros fazedores de ofício. Não batem certo nos preços de compra dos direitos económicos e desportivos, não batem certos nos valores já arrecadados com a venda de parte dos direitos económicos, omite-se a parte que cabe ao participante no fundo, o Sport Lisboa e Benfica, Futebol SAD.
São contas à vontade do freguês!

Há quem diga que, afinal, os 25 milhões entram de imediato nos cofres do(s) vendedor(es) e que 5 milhões esperam apenas a inscrição do futebolista na respectiva Liga.
São estratégias comerciais de mercadores que “nada percebem da poda” porque têm o desplante de salvaguardar o “segredo como alma do negócio” mas que toda a gente quer devassar para ficar satisfeita!
De facto, não se elegem dirigentes em quem se confie para gerir o clube mas apenas paus mandados e correios encartados de todos os esses e erres, com a obrigação de tornarem público e bem público todo esse “correio”, como carteiros diligentes, responsáveis e pressurosos.
De todo o modo, a transferência não é, de facto, de 25 milhões mas de 30 milhões!
Acrescem mais 6 milhões que dizem respeito a performance desportiva do jogador.
Bem, aqui a coisa é mais subjectiva e a caterva de mercadores entendidos logo vem questionar a sua plausibilidade. E até pode ser difícil a sua consecução, só que nos esquecemos de um pormenor que, salvo erro, tem alguma relevância. Na verdade, se a performance desportiva do jogador render zero, então é porque esse jogador pouco vale ou, ao menos, não é uma “maravilha desportiva” tal como a pintam! Mas, não o sendo, afinal teríamos de concluir que o negócio até foi … muito bom!

Mas não, ripostam os cépticos, o jogador tem uma cláusula de rescisão, o vendedor diz que só vende pelo valor da cláusula, então tem que ser assim ou nada!

Pode ainda acrescentar-se um jogo contratado para o Estádio do Sport Lisboa e Benfica, de cachet zero para o Real Madrid, e que pode render aos cofres do Benfica, em assistência, direitos televisivos e publicidade, bem mais do que um milhão.
São estratégias comerciais mas que, perante os mercadores encartados do sabe tudo e com todos os detalhes publicitados, ou se omitem ou correspondem a meras bagatelas que não devem ser tidas em conta.

O montante estipulado para a cláusula de rescisão tem as suas funções. Dar um aviso ao jogador para não ficar de cabeça no ar à primeira proposta que lhe aparecer. O aviso serve ainda para o seu empresário. Se houve melhorias salariais, há contrapartidas a dever.
O aviso serve igualmente e muito em especial para o mercado.
Claro, quando chega a ocasião, há negociações e negociações implicam cedências mútuas. Ou não há negócio.

Assim procedem os verdadeiros negociadores e gestores.
Os mercadores encartados não negoceiam, exigem. O resultado normal é que fazem maus negócios, não negociando. Mas apresentam-se como os sabedores de tudo quanto é arte negocial, incluindo a parte que respeita ao “segredo como alma do negócio” que para eles é uma pechincha, pelo menos quando são os outros a negociar.

Houve alguns Benfiquistas que, em conversas de tertúlia e mesmo em blogues do domínio público, logo aproveitaram a deixa para proclamarem a sua fé no contra. Argumentaram mesmo com a falência do Alverca, atribuindo-a a Luís Filipe Vieira e, mui sabichosamente, pregaram a doutrina do apocalipse de que tal “Satanás” de falências estava endemoninhadamente possuído.
O que responder a estes sumos pontífices profetas da desgraça?
Que, afinal, na falência estava o Benfica de tais pontífices quando Luís Filipe Vieira – e não eles – o veio salvar?
Então, qual seria a diferença?
E como poderiam apresentar-se como heróis nestes tempos se, na hora da verdadeira desgraça, ou deram o fora, ou papaguearam em frente de tudo o que era câmara e microfone?

O Benfiquismo é uma religião, uma religião tão profunda e entranhada no Benfiquista que nenhum “pastor” de outra qualquer religião – nem que seja “papa” – pode catequizar com algum pingo de êxito, por muitos e variados que sejam os seus dotes tipo milagreiro, conquanto assentes normalmente na batotice.

Até se admite – nos dias de hoje com mais acuidade – a existência dos “são-tomenses”. Ver para crer é o lema destes.
Mas os verdadeiros são-tomenses esperam com paciência até ver, não crêem antes de ver, proclamando ter visto e acreditado antes do “ver para crer” que juraram seguir como doutrina logo esquecida na sombra das conveniências.