quarta-feira, 2 de junho de 2010

As contas das SAD.s de futebol

Que fique bem claro desde já que não sou especialista em contabilidade e que, por conseguinte, os números que vou alinhavar são mais um pôr em evidência dos mesmos do que uma sua análise valorativa.
Caberá aos leitores, a cada um, tirar as conclusões que considerarem melhor adequadas aos números.

Os números colocados em evidência comparativa referem-se aos proveitos e custos operacionais “tout court”, àqueles proveitos e custos “normais” do desempenho operacional da SAD, durante o período contabilístico que se toma como referência.
Alinhavam-se também os proveitos e custos com aquisições e vendas de jogadores.

Vejamos, pois, os números.

F C PORTO SAD

PROVEITOS NORMAIS
47,0 MILHÕES

CUSTOS NORMAIS
48,5 MILHÕES

Receitas venda jogadores
32,6 MILHÕES

Custos aquis. jogadores
18,4 MILHÕES

Nos proveitos operacionais normais estão incluídos cerca de 18,0 milhões de euros provindos da Liga dos Campeões.
O saldo entre os proveitos operacionais normais e os custos operacionais normais é negativo e ronda 1,4 milhões de euros.
O confronto entre despesas com aquisição de jogadores e vendas de passes deu, como se verifica, um saldo positivo de 14,0 milhões de euros.


SPORT LISBOA E BENFICA SAD

PROVEITOS NORMAIS
46,5 MILHÕES

CUSTOS NORMAIS
47,0 MILHÕES

Receitas venda jogadores
2,1 MILHÕES

Custos aquis. jogadores
17,5 MILHÕES

Nos proveitos operacionais normais estão incluídos cerca de 4,0 milhões de euros provindos da Liga Europa.
O saldo entre os proveitos operacionais normais e os custos operacionais normais é negativo e ronda 0,5 milhões de euros.
O confronto entre despesas com aquisição de jogadores e vendas de passes deu, como se verifica, um saldo negativo de 15,4 milhões de euros.

SCP SAD

PROVEITOS NORMAIS
27,6 MILHÕES

CUSTOS NORMAIS
30,6 MILHÕES

Receitas venda jogadores
0,4 MILHÕES

Custos aquis. jogadores
9,2 MILHÕES

Nos proveitos operacionais normais estão incluídos cerca de 4,0 milhões de euros provindos da Liga dos Campeões e da Liga Europa.
O saldo entre os proveitos operacionais normais e os custos operacionais normais é negativo e ronda 3,0 milhões de euros.
O confronto entre despesas com aquisição de jogadores e vendas de passes deu, como se verifica, um saldo negativo de 8,5 milhões de euros.

Perante estes números, poderemos fazer algumas especulações e tirar algumas conclusões.

Assim, quanto ao FC Porto, nem a participação na liga milionária o salvaria do vermelho e só o saldo altamente positivo entre compra e venda de jogadores lhe permitiu lucro.
Mesmo com o saldo altamente favorável na compra e venda de jogadores, se o FC porto não tivesse participado na liga milionária, teria lucro ou prejuízo? E de que valor?

Quanto ao Benfica, imagine-se que ele tinha obtido os milhões que o FC Porto obteve da liga milionária. Claro, continuava com prejuízos porque a diferença entre aquisições e vendas de jogadores é substancial.
Porém, no futuro, pode-se especular. O Benfica agora que tem uma equipa competitiva constituída – haverá lugar sempre para pequenos acertos – não precisa de despender tanto em aquisições, o que levará as contas ao equilíbrio.
Porém, se for obrigado de novo a despender verbas significativas, isso só pode significar que alienou jogadores e obteve as consequentes mais-valias.

Podemos também concluir, parece-me sem grande margem de erro, que o FC Porto tem a conta normal de exploração mais ou menos equilibrada, com a participação na Liga dos Campeões.
Mas o Benfica tem essa conta de exploração igualmente mais ou menos equilibrada, mesmo sem participar na Liga dos Campeões.
O que desequilibrou a balança foi o saldo entre aquisições e vendas de jogadores.
O que de futuro, pode desequilibrar a balança, em sentido inverso, é a participação do Benfica na liga milionária e a correspondente ausência do FC Porto.
E, se o FC Porto, mesmo participando na Liga dos Campeões, só se safa com vendas dos seus melhores jogadores, pode-se imaginar o que poderá acontecer sem a participação nessa liga milionária.
Que custos em aquisições de jogadores?
Que mais-valias em vendas de jogadores?

O Sporting vai ter dificuldade imensa. Porque não participa na Liga dos Campeões, porque não pode realizar grandes mais-valias com a venda de jogadores – se vende os poucos tarecos de valor que tem, então ainda mais vai gastar em aquisições ou conformar-se a ver os outros a arrecadar troféus e títulos, a participar em ligas milionárias, enquanto ele se vai ficar pela ninharia dos proveitos que consegue arrecadar.
Para o Sporting dar o salto e poder aspirar a lugares cimeiros, parece bem que terá de ver os seus custos de exploração subir em flecha e esperar que os proveitos venham depois atrás, se vierem.

Nalguns jornais vêm comparados os passivos destas SAD.s mas essa comparação é uma falácia. Só se podem comparar realidades iguais e, enquanto o passivo da Benfica SAD engloba o passivo da anterior Benfica Estádio, o passivo da FC Porto SAD não engloba o passivo da sociedade proprietária do Estádio do Dragão, ou seja, o passivo da Euroantas, e o passivo da Sporting SAD também não engloba o passivo do Alvalade XXI.



PS: Soube-se há pouco do desfecho, em primeira instância, dos julgamentos daqueles que, de acordo com as escutas telefónicas levadas a cabo, parece que viciavam as classificações dos árbitros. E, finalmente, houve alguém que clarificou os condenados e os absolvidos.
Quem foi absolvido de todo o processo apito dourado, afinal, foram as escutas telefónicas. Ao que parece, essas escutas foram consideradas prostitutas e as conversas que foram ouvidas apenas mero paleio de engatanço.
Ora, segundo dizem os entendidos, crime não é as prostitutas andarem no engatanço!
Crime é alguém facilitar esse engatanço!
E tal não se provou! …

terça-feira, 1 de junho de 2010

O “record” do risível e do ridículo

Andam os Portugueses muito tristonhos com as desgraças da vida e os cintos que cada vez mais lhes cingem as cinturas já de si tão necessitadas de flexibilidade para fazerem face às necessidades tremendas de uma vida de aperto a que tanto os obrigam.
Talvez não só os Portugueses, mas com as desgraças alheias pode-se bem. O problema maior é que, neste mundo global, as desgraças alheias terminam muitas vezes à nossa porta e aí “comemos” pela medida grossa as suas ressacas.
Mas, para tudo na vida há um escape. Um escape, se não para nos satisfazer o físico, ao menos para nos distrair a mente e nos fazer esquecer as agruras da vida.
Em Portugal, esse escape chama-se futebol e tem alguns protagonistas bem conhecidos que nos proporcionam os momentos hilariantes do esquecimento salutar.


Falemos, por agora, de um jornal que se chama “record” e cujo nome talvez não tenha sido escolhido ao acaso porque lhe assenta como uma luva quanto a certas e muito costumadas afinidades que faz gala em apresentar amiúde, tornando-se o “recordista” das mesmas, na consagração de uma nominalidade ridícula que bem lhe fica e que fazem questão de beatificar.
Apresentemos apenas uns seus pitorescos nacos de prosa vindos mesmo a propósito do seu “recordismo” de balelas incongruentes que julga presunçosamente como notícias. Servem somente para comprovar – e não seriam necessários – a conclusão de o Sport Lisboa e Benfica no seu desmentido bem recente:

« …os leitores do Record ficam a saber que só são enganados se quiserem ... »

No mesmo dia e no mesmo dito jornal, um seu opinador escrevia assim:

« … Luís Filipe Vieira sempre esteve a par da decisão de Jorge Jesus em não contar com Quim e a decisão de Jorge Jesus nunca foi comunicada nas costas do Presidente. Vieira esteve sempre a par de tudo … »

Já outro opinador que se apresenta muito solene e é capaz em um dia de exprimir um sentimento por Mourinho treinador e logo ao outro dia exprimir o seu contrário, escrevia sob o pomposo título, “Quim…fusão”:

« … Quando Luís Filipe Vieira chegou a Lisboa tratou logo de dizer que “as coisas não eram bem assim” como Jorge Jesus (hipoteticamente) as apresentara …»

E logo encontra no seu bornal de pesporrência “um pequeno conflito” entre Vieira e Jorge Jesus.
E acrescenta:

« … alguma coisa fugiu ao controle de Luís Filipe Vieira na gestão de um dossier que para Jorge Jesus estava fechado e para Luís Filipe Vieira não … »

E continuando o nosso opinador feito bruxo, com o seu oráculo de meia tigela:

« … Vieira não quer que ninguém se equivoque: no Benfica manda ele … »!


Isto passa-se no mesmo jornal e neste bem escarrapachado no mesmo dia. Só falta saber se o “magicanço” burlesco de um teria ou não sido simultâneo com a seriedade e a serenidade do rigor informativo – as excepções só confirmam as regras – de outro.
Passemos a outro exemplo.


Num certo dia bem recente (31 MAI 2010), escreve o dito jornal:

« … Real Madrid já consumou a transferência de Di Maria … »

No dia seguinte, hoje mesmo, escreve:

« … Real Madrid tenta baixar dos 40 milhões … »

E acrescenta:

« … clube espanhol não quer pagar cláusula de rescisão … »


Tendo em conta que tanto o Presidente, Luís Filipe Vieira, como o Administrador da SAD para o futebol, Rui Costa, sempre afirmaram e reafirmaram – este último, ainda ontem – que não vendiam abaixo da cláusula de rescisão, parece que nem os deuses, por mais adivinhos e omniscientes que sejam, conseguem perceber como é que num dia a transferência de Di Maria está “consumada”, quando no dia seguinte se escreve estar-se a discutir o preço da dita.


Fica-se sem saber se o travesseiro e a noite de sono foram ou não bons conselheiros. Mas também não parece que este jornal se dê ao luxo de se preocupar muito com os bons conselhos.
Ou, visto de outro ângulo.
Que importa mais ao “record”?
Saber que os seus leitores só são enganados se quiserem ou fazer jus ao seu nome de “record” … de mentiras?


Serão os leitores, em especial os Benfiquistas – a quem o comunicado do Sport Lisboa e Benfica mais se destinava – os que têm a última palavra!
Que, quanto a eles, nem parece muito difícil de adivinhar!...

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Uma selecção “à porto”?

Pinto da Costa não se farta de repetir que, para o ano, vai ter de novo uma equipa de futebol “à porto”. Mas uma equipa de futebol “à porto” já todos conhecem de há muito! E ainda durante a época futebolística que passou ela se portou “magnificamente”“à porto”!

Uma equipa de futebol “à porto” é aquela que temos visto e revisto nos relvados portugueses e também nos túneis porque, se há túneis em Portugal, é a equipa de futebol “à porto” que faz os festejos, que deita os foguetes, dá marradas julgando tocar os bombos da festa e, não satisfeita, corre atrás das canas.
A equipa de futebol “à porto” é aquela que joga deliberadamente a bola com as mãos dentro da área só recebendo por isso os “méritos” de uma cegueira de quem não quer fazer ondas.
A equipa de futebol “à porto” é aquela em que o seu jogador Brun(t)o Alves pode “pentear” com os pitons das suas ferraduras as cabeças dos adversários que deitou por terra, ou que pode “limpar” os mesmos pitons nas partes do corpo que encontra mais a jeito, com as devidas loas e sem os merecidos castigos.
A equipa de futebol “à porto” é aquela em que o citado Brun(t)o Alves tem licença para espetar uns calduços nas fúcias do seu colega Tomás Costa.
Uma equipa de futebol “à porto” é aquela que chega aos túneis e resolve dar coices nas paredes que confunde com as que delimitam e a enjaulam nos seus curros, que faz esperas aos árbitros e faz demonstrações de pugilato para o que está bem adestrada e catequizada.
Uma equipa de futebol “à porto” é aquela que faz gala de todos estes seus “atributos”, vá para onde for e seja em que lugar se encontrar.

As notícias mais recentes da equipa de futebol “à porto” surgiram-nos do desempenho dos seus jogadores na selecção dita nacional.
Ao que se noticia, Brun(t)o Alves, naturalmente incentivado pelo repisar da afirmação do seu patrono “papal”, como bom discípulo que é e se quer mostrar, vai de fazer uma demonstração no seu colega de equipa, o guarda-redes Beto que, pouco ou nada tendo jogado esta época futebolística – e foi se quis merecer as atenções de Queirós – parece ter mijado fora do penico – de Brun(t)o Alves – demonstrando a sua aselhice.
E Brun(t)o Alves é que não está com meias medidas, não admite que lhe chamem aselha na demonstração dos seus “méritos” e vai de espetar os já costumados calduços que ele, quando acha oportuno, distribui nos da sua equipa de futebol “à porto”.
Que diabo, se vamos (continuar a) ter uma equipa de futebol “à porto”, porque não implementá-la na selecção dita nacional, se o seu mais refinado intérprete dela faz parte?

Cristiano Ronaldo parece ter corrido sério risco na sua “faena” da pega., tenha ela sido de cernelha ou de frente, bem nos cornos da(s) besta(s). Demonstrou , como é óbvio, valentia, aquela valentia que Queirós, com a sua boçalidade e bonomia de banana não demonstra.
Ou então, quem sabe?!...
Será que Queirós, perante tantas críticas, não terá também resolvido implementar na sua selecção dita nacional o estilo da equipa de futebol “à porto”?

Se assim foi, Cristiano Ronaldo merece um castigo, ou seja, um par de bandarilhas!



PS. Disse Queirós um dia há pouco tempo passado que Mourinho não precisa de conselhos! Nada de especial até aqui, conquanto não haja ninguém que deles não precise algum dia.
O caricato é que Queirós se tenha posto, ou julgando que o puseram, na pele de se julgar alguém que, em termos futebolísticos, possa ter alguma competência para dar conselhos do género a Mourinho!

domingo, 30 de maio de 2010

Promessas ao Zé

Promessas, vis promessas! ...

Corria a dança do penta da bazófia assinalado
Já em tempos duros de suão em forte ventania
E o trapaceiro debaixo do cipreste abandonado
Promessas recitando em ondas de zurraria!

Aos mortos fala, facies tresloucado e indigente
Na promessa do penta continuando em finca-pé
Em tropelias senis recita poesia, alarvemente,
Ao seu mestre da trapaça, o funéreo Zé do boné.

Mas o Zé, enfim dormindo em descanso eterno,
Aprazido ao abandono da escória do odiento
O presenteia com desprezo mouco e mui sisudo

Enquanto espera, descansando, no Inferno
Por promitente senil, tresloucado e mofento,
Que o penta já se foi e vê-lo, só por um canudo!

sábado, 29 de maio de 2010

BICADAS DA ÁGUIA

1. O jornal “a bola” noticia hoje que o Benfica se prepara para fazer propostas de renovação de contrato a Moreira e Quim. Tal notícia pode ter baralhado muita gente face às resmas de notícias-boatos e interpretações consideradas mais ou menos sábias nos seus dotes de feiticeiros de pechisbeque.

É verdade que durante o ano inteiro se foi escrevendo e badalando que Moreira estava de saída e que Quim iria renovar. Bastaram, porém, umas simples palavra de Jorge Jesus para que todos os oráculos anteriores fossem parar ao caixote do lixo. Era lixo, ao lixo regressou.
De novo, os papagaios do lixo informativo, com os seus sapientes intérpretes, tiveram a ocasião tão ansiada de darem mais largas à pobreza – qualitativa, que não quantitativa, sendo certo e sabido que uma anda sempre na razão inversa da outra – da sua imaginação. Especulativos quanto baste, esforçam-se por colocar as falas de Jorge Jesus nas suas bocas e partem à aventura da informação que mais a jeito das suas conveniências se apresenta.
Agora já é Moreira que vai renovar e é Quim que vai mudar de ares.

Não é preciso, porém, estar muito atento para perceber que Jorge Jesus apenas disse que Quim já sabia com o que o treinador contava, uma vez que já pessoalmente havia conversado com ele. Por variadíssimas vezes, Jorge Jesus afirmou e reafirmou que os seus jogadores são sempre os primeiros a conhecer o que o seu treinador deles pensa.
Até aí, qualquer especulação é sempre creditada à ordem de um qualquer sabichoso saloio que julgar ter a sorte de lhe ter saído o “furo” jornalístico da sua vida. Depois, o “rebanho” segue sempre na peugada do da frente, ainda que se tenha de atirar ao poço.

Jorge Jesus, de facto, nem disse que Quim não iria, nem disse que iria renovar! E também nunca disse que não contava, ou que contava, com Moreira.
“Mutatis, mutandis” se passou com os dirigentes do Benfica, aqueles que são os únicos que merecem, e devem merecer, a confiança dos Benfiquistas. Até que eles se pronunciem, a baboseira noticiosa da comunicação social estranha ao Benfica não passa disso mesmo, de uma baboseira encartada do boato relativamente ao Benfica, tal como lhe convém.

Talvez nem precisemos de ser adivinhos – basta-nos recordar o passado bem presente – para pensar que a boatice nas baboseiras informativas não tardará a informar que a direcção do Benfica – leia-se, Luís Filipe Vieira e Rui Costa – contrariou Jorge Jesus e o obrigou, no mínimo, a engolir sapos. Seguir-se-ão os conselheiros encartados a opinar que Jorge Jesus falou demasiado e a destempo.
E não faltarão depois os devidos conselhos! …
E nunca se recordarão, obviamente, de que Luís Filipe Vieira tem afirmado e reafirmado por diversas vezes de que no futebol profissional tudo é feito em consonância … com o treinador!

Esperemos, pois, os próximos capítulos das reles novelas a que, até em todos os sentidos, nós, Portugueses e Benfiquistas, já estamos bem acostumados.
Considerando, como é devido, que esta última notícia da renovação dupla continua um mero boato até à sua confirmação pelos únicos canais informativos credíveis dos Benfiquistas.


2. O jornal “record” não foge à linha da boateira e desprezível informação a que em Portugal nos acostumaram, tendo ou devendo ter os Benfiquistas já criado e recriado anti-corpos suficientes para não serem “infectados”.
Noticia ele que o Benfica teria rechaçado uma oferta de 37 milhões de euro por David Luís.
Até aqui, nada de mal para além do boato da notícia, enquanto não confirmada pelos únicos com crédito para esclarecer os Benfiquistas. O risível vem a seguir.
Com efeito, o “record” acrescenta “ser certo que o Benfica tenciona vender os direitos desportivos do jogador”!

Isto é, o boato noticioso vai contra tudo o que tem reafirmado Luís Filipe Vieira porque este máximo dirigente sempre tem afirmado aos Benfiquistas que não tenciona vender ninguém, só se forem “batidas” as cláusulas de rescisão! Mas aí, não se trata de um “tencionar vender” mas de um “ter de vender”!
Nós, benfiquistas, também já vamos estando habituados a que o “record” se engane. E não se engana mais vezes porque, quando surge uma verdade relativamente ao Benfica, ela passou-lhe completamente ao lado!


3. Pinto da Costa não tem, naturalmente, memória. Ou melhor, memória há sempre o que ela está é apenas direccionada.
O curioso e engraçado é a dualidade de promessas que a sua mente desmemoriada quando quer lhe faz vir à mente. Pinto da Costa faz promessas a mortos quando a vivos afirma e reafirma que não faz promessas.
É compreensível, os vivos podem querer cobrar as promessas, os mortos descansam, supõe-se, em paz, na paz da eternidade que não quer ser importunada.

Que Pinto da Costa se queixe a mortos dos seus infortúnios, também não parece que daí advenha algo de mal. Nem sequer para os mortos, presuntivos ouvintes, que, no seu sono eterno, se estão marimbando para as suas alegadas mágoas.
Mas que se queixe de o Ministério da Administração Interna e a comunicação social nada fazerem perante um hipotético apelo aos adeptos para pegarem em armas, feito numa “televisão da Meo”, é que já volta a ser mais uma demonstração da sua insanidade intelectual por profundamente desonesta.
De facto, será que ele não assistiu ainda há bem pouco a um suposto jogo de futebol em que os adeptos da casa – por acaso, adeptos do seu clube – levaram cestos de bolas de golfe e de isqueiros e se entreteram durante o jogo a jogar golfe e isqueirada para dentro do campo, ou melhor, para as cabeças dos adversários do clube golfista?
E não assistiu ou viu pela tal comunicação social os apedrejamentos do autocarro do adversário do seu clube?
E o MAI e a comunicação social, viu-os fazer alguma coisa?!
Sim, sim, um funcionário do MAI, aliás, já com algumas responsabilidades acrescidas, fez alguma coisa, fez!
Fez – e disse – que não viu o que toda a gente viu! …
Mas isto está perfeitamente de acordo com aquilo que todo o mundo ouviu que fizeram, conquanto neste caso os que fizeram e se fizeram ouvir nunca negaram os feitos e só se insurgiram contra os ouvintes que não deviam ouvir!

Numa das hipotéticas hipóteses, teria havido um hipotético apelo e nada mais. Na outra situação, já não hipotética mas real, houve armas e elas foram brandidas contra os supostos adversários que a esquizofrenia “papal” transformou em inimigos.

Pinto da Costa não está preocupado com as realizações! Está preocupado com as imaginariamente hipotéticas ameaças!
Mas Pinto da Costa é assim. Rodeado de gente “fina”, até tem motorista que cospe naquelas de que Pinto da Costa (já) não gosta!
E não tem guarda-costas a preceito e a condizer porque este, presume-se, se encontra enjaulado a cumprir mais de 20 anos de cadeia.
Rodeado de gente desta, Pinto da Costa só pode gozar mesmo, como até aqui gozou, do estatuto de inimputável e desmemoriado a condizer.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

PINCELADAS ENCARNADAS

1. Foi esta semana noticiado que o FC Porto penhorou as receitas televisivas da União de Leiria, no âmbito de uma acção executiva que aquele moveu a esta.
Com esta penhora, acrescentava-se na notícia, a União de Leiria ficava impossibilitada de poder pagar os ordenados – já em atraso, sublinhava-se – e corria sérios riscos de não se poder inscrever nas competições profissionais, ou seja, participar na Liga Sagres.
Sabendo-se a política que sempre foi seguida pelo FC Porto – até mesmo de sempre e não apenas do tempo “papal” da corrupção desportiva condenada por tentativa – a notícia não contempla grande novidade. E, pelo eco da “boa e servil” impressa da “cúria”, esse facto de novo se confirmou.
O FC Porto tem na sua génese a política do eucalipto. É algo que nele é endémico e congénito. Suga, usa, abusa, seca e depois deita fora, vai em busca de outro para sugar. Toda a gente sabe disso porque os exemplos têm-se multiplicado ao longo dos tempos.
Agora, de novo … e tão amigos que eles eram!...
Todavia, na primeira, todos podem cair. Na segunda, só cai quem quer. Nas restantes caem os que gostam do masoquismo.
E mais masoquistas do que os asnos não se conhece!
Será que o Belenenses volta a ter sorte?!
Só se ainda não estiver completamente chupado!


2. Pinto da Costa disse solenemente que “não tem gabinetes para receber os pais dos atletas”. E não é preciso ser-se muito esperto para o compreender. Por muito grande que seja a cúria, por muito benevolente e benemérita que ela se considere, tudo é finito, tudo tem um limite e até os aposentos do “papa”, por maiores e mais variados que possam ser, não podem acolher todos os devotos e, se alguns devem ficar à porta, esses serão, com certeza, aqueles que, em vez de “padre-nossos” e outras oferendas, se aprestem em pedidos que não tragam qualquer mais-valia ao “venha a nós – ao “papa” – o vosso reino”!
Também não é necessária grande imaginação, nem esforço, para entender que todos os gabinetes, e serão alguns, os bastantes, estarão reservados, nomeadamente, para receber árbitros amigos e para, no meio de amenas cavaqueiras com cafezinhos e leite, se abençoarem os aconselhamentos familiares daqueles que, quanto à família, andam no reino de perdição.
Um “papa” não cumpriria bem o seu “papado apostólico” se não desse o mais estrénuo e estremado exemplo do que deve ser um “bom chefe de família”!


3. Ainda pelas bandas da “cúria papal” da mentira desportiva, veio noticiado que o professor Jesualdo demonstrara, numa rara manifestação de carinho e apreço compensador pelo belo pontapé no rabo que acabara de lhe ser proporcionado, “inteira disponibilidade”, que “sempre estaria disponível” para o FC Porto.
O que mais me impressionou foi o emprego do advérbio “sempre”, tanto mais que foi noticiado paralelamente que ele acabara de recusar o cargo de director técnico para todo o futebol … no FC Porto!
A deficiência de apreensão do significado de “sempre disponível” deve ser mais do intérprete do que do autor, o que até se desculpa a este, uma vez que o professor Jesualdo se esqueceu – e talvez nem seja caso para tanto – de fazer logo ali uma interpretação autêntica da sua “profissão de fé”.


4. Os “apóstolos” da “cúria papal” também se esmeram bem amiúde, como se sabe sobejamente, no exercício do “apostolado” da defesa da corrupção desportiva condenada por tentativa. Daí que não seja nenhuma admiração que Rui Moreira, muito adestrado na tentativa da venda da banha da cobra a favor da sua profissão de fé clubística, venha agora “queixar-se” de Hermínio Loureiro não ter dado a conhecer a “vida negra ou encarnada” que o Benfica lhe teria feito e “qual o antídoto usado para a pacificação” entre estas duas entidades.
Rui Moreira é uma pessoa muito inteligente … e coerente porque inteligência sem coerência não dura mais que um minuto. Inteligência e coerência que, ao longo de toda uma época desportiva – tornar-se-ia enfadonho recuar mais – foi plasmando em escritos lapidares de suma sapiência, espelho cristalino desse perfume coerentemente inteligente. Basta consultar as citações de Ricardo Araújo Pereira e de “Jotas”, aquelas em “A Bola” e estas no seu blogue “A Catedral do Desporto”, sob o título “PEQUENAS PÉROLAS – o que eles foram dizendo durante a temporada”, para se ficar com uma ideia bem aproximada das “virtudes” aqui em destaque.
Um “morcão” – como eles, os da sapiência na arte da corrupção desportiva tentada e na barrela do seu branqueamento – ou um jumento nos dotes da inteligência, diria de imediato que a tal “vida negra ou encarnada”, usada como pressão sobre Hermínio Loureiro, teria sido apenas a da exigência da imparcialidade e o esforço da limpeza da porcaria que há décadas conspurcava a verdade desportiva neste futebol nacional, sempre impune porque os seus agentes se julgaram inimputáveis.
E o “antídoto usado nessa pacificação” teria sido apenas o esforço denodado , seja-se justo reconhecer, para corresponder àquela imparcialidade e àquele esforço.
Todavia, uma mente sumamente inteligente – e coerente – só podia ter-se visto ao espelho das virtudes proclamadas pelo “papa” condenado por tentativa de corrupção desportiva e apregoadas pelos seus fiéis “apóstolos”, tal como o senhor Dr. Adelino Caldeira.
E daí imaginar e mesmo sibilinamente julgar, muito inteligentemente – e de igual modo, coerentemente – um processo tipo mafioso como o usado pelos seus confrades.


5. Há mais um senhor Sérgio qualquer, jornalista do gabarito e também digno representante do jornalismo de sarjeta a que o novo jornalismo português nos vai habituando, que vem escrever na sua notícia no correio da manhã que “Jesus colocou os dedos, por duas vezes, na cara” daquele travestido de jogador de futebol e repetidamente rejeitado, e bem rejeitado, no Reino do Glorioso. Como justificação para o teor da sua notícia, arrolou a matéria que, a este respeito, teria sido provada no processo que decorreu na CD da LPFP.
Muitos outros jornais e jornalistas escreveram e deixaram sub-repticiamente no ar a ideia da prova da infracção, alguns mesmo chamando-lhe agressão, mas estes socorrendo-se da expressão “dois” dedos que Jorge Jesus teria encostado à cara do travesti chorão, atenta a versão processual deste.+

Isto é grave sob o ponto de vista deontológico e da seriedade jornalística porque em lado algum o comunicado da CD da LPFP considera provada qualquer infracção cometida por Jorge Jesus. É verdade que aquele jornalismo de sarjeta apenas se estriba nos ditos dos jogadores, Rúbem Micael e Edgar Costa, isto é, exclusivamente na versão de uma das partes em conflito.

Sejamos claros e, já agora, honestos, intelectualmente honestos. A CD da LPFP abriu apenas um inquérito e, no decorrer deste, verificou que havia prescrito a eventual sanção disciplinar de que acusavam Jorge Jesus. É certo que o comunicado que decidiu arquivar os autos de inquérito fala em indícios. Mas indícios não são provas e podem até estar muito longe de o virem a ser. Não foram ouvidas mais testemunhas, não foram recolhidos mais elementos de prova.
E mais importante ainda, nem sequer foi posto em execução o sagrado direito de defesa.

Mas tudo isto tem uma explicação muito simples! Numa qualquer demanda, seja cível ou criminal, antes de qualquer sentença condenatória ou absolutória, os julgadores começam sempre por apreciar as questões prévias e incidentais que possam infirmar o processo em causa. É o que se designa, “lato sensu”, por “saneamento do processo”.
Só depois os julgadores se debruçam sobre o fundo da causa a decidir, julgam e proferem a decisão substancial sobre a matéria em julgamento.
E só desta decisão de fundo pode sair a prova ou a não prova da acção em causa, com a consequente condenação ou absolvição.

No processo Rubem Micael / vs Jorge Jesus nunca se chegou à fase sequer da produção da prova e muito menos à decisão que, apurando ou não o cometimento da infracção, condene ou absolva o acusado.
O único julgamento que houve foi o dos jornais e jornalistas que, levianamente, essa versão apresentaram, implícita e alguns mesmo explicitamente.
É evidente que o jornalismo português, ao considerar – implícito e até explícito nalguns casos – o cometimento da infracção de que Rubem Micael acusava Jorge Jesus, estava a fazê-lo, ou por má fé, ou por ignorância crassa, ou na tentativa deontologicamente condenável de promover as vendas dos seus produtos.
Mas é por tudo isto que o jornalismo português é considerado, por grande franja dos seus leitores, um jornalismo de sarjeta.

quinta-feira, 27 de maio de 2010