sábado, 13 de março de 2010

Elogios, ingratidões, investimentos “à Benfica”

1. O elogio do pataqueiro

A cara rubicunda do menino reguila apresentada por Domingos Paciência, naquele seu aspecto de mofineza a que já nos habituou desde há muito, continua na sua senda de excelsar a agressão, num abominar oprobriosamente da vítima.
Já imaginávamos que Domingos Paciência, bom aprendiz das artes e das doutrinas cultivadas no reino “papal” onde se formou, consagrava a “virtude” patética que até a justiça civil portuguesa comove. Mas ele não se cansa de nos mostrar que tão “eminente virtude” faz parte do seu escapulário de sentimentos e de afeições.
Daí que não nos surpreenda quando ele considera “infeliz” um treinador apresentar queixa de um jogador. Pouco lhe importam os motivos que os fins tudo justificam. E que ninguém se esforce no sentido de poder considerar que um treinador é também um condutor de homens. Para Domingos, um jogador não é um homem e um treinador segue-lhe as pisadas. Daí que as nossas crenças na defesa da vítima e concomitante condenação do criminoso sejam para Domingos Paciência uma questão despicienda.
No reino de Domingos Paciência vale tudo. Os seus jogadores têm permissão para agredir a seu bel-prazer. Se o agredido for um treinador, é muito feio, no catecismo das “virtudes” teológicas de Domingos Paciência, que este se tente defender, pelo menos de acordo com os princípios de uma sociedade civilizada que esconjura a acção directa como regra de defesa de direitos, mesmo os mais fundamentais.
Mas, pelo que Domingos Paciência deixa implícito e também por via da sua sabida formação nas “virtudes” futebolísticas, estamos em crer que a defesa directa exercida por um treinador sobre um jogador … de Domingos Paciência, seria por este catalogada nos recônditos do mais absoluto das coisas execráveis!
Um jogador de Domingos Paciência tem permissão para fazer tropelias, as mais perversas e abomináveis, que a sua conduta será sempre de uma “candura inocente”.
O que Domingos Paciência não evita é que as pessoas que o vêem e o ouvem o considerem sempre um ser reles e sem a mínima estatura de decência numa civilização que ainda cultiva algumas das virtudes fundamentais do viver em sociedade, olvidadas e aviltadas por uma safadeza de pensamento prostituído no seu parturejar.
Por muito que a rabugice de menino birrento custe a Domingos Paciência.

2. A ingratidão do professor Jesualdo

Há pessoas para quem a recompensa não passa de uma ninharia ou de um luxo dispensável. Cabe neste rol o professor Jesualdo.
De facto, todos se lembram ainda do elogio da loucura que o jogador Fucile teceu acerca da forma de jogar da sua equipa. Disse ele a dada altura, referindo-se à sua equipa, “estamos a jogar de forma espectacular”!
É claro que isso sucedeu na sua antevisão ao jogo Benfica-FC Porto de Janeiro passado. Logo aí se viu que a equipa de Fucile estava a jogar “de forma espectacular”! Devemos ter na conta devida que ele, ao fazer o seu próprio panegírico, não especificou se essa “jogatana espectacular” se desenrolava dentro ou fora dos relvados!
Também é verdade que Fucile já fez o seu discurso há dois meses e que as memórias no reino do futebol são muito curtas.
Todavia, logo após o FC Porto ter “jogado de forma espectacular” nos “emiratos” de Londres e Fucile ter dado uma enorme contribuição para tamanho feito, tendo então toda esta equipa correspondido às promessas do “papa” aos mortos e conseguido o tão almejado “penta”, o professor Jesualdo compensou tal devoção e fervor com a ignomínia da ignorância e do obscurantismo, atirando com tão emérito jogador para o saco das coisas esquecidas!
Não se faz, professor Jesualdo!

3. O investimento “à Benfica”

Surpreendentemente, o nosso chefe dos comerciantes e lídimo vendedor de banha da cobra futebolística, Senhor Dr. Rui Moreira, vem suplicar ao concílio “papal” que o FC Porto invista “à Benfica” na sua equipa de futebol, a fim de superar as “espectaculares” – não queremos deixar Fucile envergonhado – exibições e consequentes conquistas da equipa de futebol do seu clube na decorrente época.
Não sabemos bem qual o sentido da sua frase mas a nossa surpresa inicial prende-se apenas com o facto de uma organização sacralizada por todos os “entendidos” e avençados da cúria “papal” precisar de copiar algo a ela externo e, para cúmulo, do seu erigido inimigo de estimação.
Tão grande blasfémia até pode “premiar” o desavergonhado chefe com uma excomunhão do reino, valendo-lhe talvez a senilidade intelectual do “papa” para a esconjurar!
Seja como for, a menos que o chefe dos comerciantes não saiba fazer contas – coisa abominável no domínio da competência que tamanho mester requer – o FC Porto já investiu em grandura de euros não menos que o Benfica. Mas eu dou uma ajuda ao chefe dos comerciantes.
Belushi …………… 5, 0 milhões apenas por 50% do passe;
Prediguer ………… 4,2 milhões;
Álvaro Pereita …… 4,5 milhões apenas por 80% do passe;
Tomas Costa …….. 4,0 milhões de euros;
Ruben Micael (mais conhecido por “chorona”) … 2,5 milhões por apenas 50% do passe;
Mais uns “trocados” em Falcão, Valeri, Bolati, Miguel Lopes e outros, dá um total de quase 35 milhões de euros.
Posto isto, onde é que está a diferença?
Esta é possivelmente a melhor entrada para o segundo sentido da expressão do comerciante chefe. Investir à Benfica não significa tanto investir em jogadores analfabetos que necessitam, em regra, de cinco minutos para borratarem aquilo a que chamam de assinatura própria, mas sim investir em jogadores de qualidade, em sábios, artistas e artífices do futebol.
Mas aqui temos de novo o Senhor Dr. Rui Moreira em “palpos de aranha” com o seu reino e as excomungatórias pragas “papais”. Como é possível que o reino da ordem, da sabedoria, da excelsitude gestionária tenha, no fim de contas, de imitar uma administração que, na óptica dos comendatícios e avençados do regime, era uma administração desgraçada, estéril e suicida?

4º O “reaccionário” do reino dos “viscondes”

Numa primeira abordagem da questão, não deixa de ser absurdo, paradoxal e obtuso que um gestor supremo de um clube subserviente e que rasteja o favor de umas migalhas de um reino agora na penúria como ele, venha apregoar seguir uma administração “à porto”, quando os “cardeais”, “arcebispos”, chefes da banda ou meros paus mandados desta administração “à porto” proclamam a imitação de um investir “à Benfica”!
No entretanto, apurando um pouco mais a vista, comprovamos que tal arauto da récita da administração “à porto” actua sempre por reacção.
É saltitão por reacção, é chefe das maracas e dos saiotes folclóricos por reacção, despe o casaco, desabotoa as mangas, arregaça a camisa e cresce de peito feito para os adeptos por reacção, enfim, toda uma reactividade própria de um mero aprendiz de feiticeiro acostumado a andar na babugem.
Que lhe faça bom proveito.

quinta-feira, 11 de março de 2010

A ORAÇÃO DA OFERENDA DO “SINCA-ZERO”

Homem do sepulcro e mestre das tramóias desportivas que bem sabíeis pedir as lecas necessárias ao bom tratamento dos homens do apito, acudi-me nesta hora em que o crescimento da minha equipa atingiu o seu zénite do esplendor desejado nestas paragens de um Portugal mais vasto do que o bairro de Contumil. É que eu agora, caro mestre, já nem sei que fazer mais a uma equipa que mais não sabe fazer. E, para te confessar toda a verdade, que só assim ganharei azo às tuas sacrossantas prédicas, também já o “papa”, seus “cardeais”, “bispos e arcebispos”, “arciprestes” e “curas”, mais os “santos” e “santinhos”, seus guarda-costas e guarnição miliciana em riste, todos eles, em coro afinado desta vez, também menos sabem o que fazer comigo.
Conto contigo, digno mestre das esconsas vielas da escuridão das “verdades” dos apitos, nestes momentos em que tão azoinado me sinto após aquele topete dos “emiratos”.

Caro mestre, sei que te fizeram promessas que só poderei classificar atiladamente de velhacarias para com a minha desmazelada audácia, por via de tais promitentes nunca comigo terem proseado acerca de tais prometimentos, num tormentoso proscénio da minha arte de treinamento.
Pelo que vedes à causa disso, sabei que não estou nada satisfeito com gente ingrata, perversos velhacos de prometimentos vãos que, pertencendo ora ao nosso império, uns mais do que outros, tampouco se envergonham já de usar meu nome, agora muitas vezes aplicando-o a mim com títulos oprobiosos.
E ao saberdes bem que, embora se esgadunhem na sua assunção de atitudes sábias, de que massa são feitos, não serão eles somente loucos varridos de acordo com as ventanias sopradas do “papa”, assim se tornando uns sopranistas castrados na sua liberdade e acção?

Por via das promessas que te hão feito de forma assaz solenizada pelas abomináveis faces de um “papa” da odiosidade que te julga ainda do seu reino quando tu, excelso mestre, nem nas tuas catacumbas o hás desejado ainda, tais peralvilhos deixaram de assuntar sobre os bacanos dos stwards e o velhaco do jurista chefe da comissão de disciplina, avacalhando-se agora unicamente no meu tormentório.
Pois esses fiéis velhacos do “papa”, menos bem conhecedores do meandroso crescimento nosso, assaz demonstrado na contemporaneidade do “penta” nas nebulosas aragens londrinas, mesmo assim não param de desentranhar rançosos papeis e domesticar quatro ou cinco vocábulos com os quais lançam a bruma sobre nossos entrapados feitos.
E assim vão lançando as poeiras aos olhos da cúria de forma que os de entendimento algum se compadecem do próprio saber e os de mitigado entendimento tanto os admirem quanto a proporção da própria ignorância.

Sabeis bem, desgracioso mestre sem canudo de oferenda dos prometimentos que a eles e não a ti só saciaram, que a minha conduta, rabugenta e rubicunda quanto baste, me tem parecido ainda assim mais modesta do que a que costuma ter a maior parte dos cúrios do reino.
Estes, se julgando de sábios dos maiores do mundo em compras e vendas e outras manigâncias em tempos de treva, os olhos fechados para o Farol que ascendeu da Luz, calcam todo o pudor aos pés e subornam qualquer panegirista adulador ou poetastro tagarela os quais, avençados ao oiro, recitam os elogios que os tempos de agora demonstram ser, afinal, uma ramelosa rede de mentiras.
São pavões a alevantarem as crinas, eles que, com voz de timbre descarado, houveram em tempos por bem comparar-me aos deuses, eu, um homenzinho de nada e do nada apresentado como modelo absoluto de todos os predicados futebolísticos, numa gralha de penas que enfeitaram nas suas.

Todavia, bom mestre das tumbas, não me regateareis, ao menos, algumas virtudes, eu que, nos tempos do ocaso da Luz e só com um subserviente do nosso reino “papal” a fazer de conta, consegui algumas trauliteiras conquistas.
Por isso, se outros as olvidaram na pusilanimidade das suas emplumadas penas de ronceiros com roncaduras comprados a pipetas de oiro e de “fruta”, mesmo e até por isso, em tempos modernaços de um novo “sincazero”, não me xingareis que faça a mim próprio o panegírico que ouso merecer, que ele, sendo verdade que talvez não seja oportuno, não é estudado ainda e, assim tão sincero como o novo “sincazero” que se sucedeu a tão intempestivo e azarado despacho de Alvalade.
Não vos falo por ostentação ou mesmo engenho como vos fez aquele tão baço quanto raivoso orador dos prometimentos do “penta” que só eu consegui sem to prometer.
Falo-vos porque gosto de falar sobre coisas que me interessam e são da minha área de entendimento e, com vários resmungos, diga o que me vem à tona. Não com as bacoquices de um promitente que, por se julgar “papa”, vos promete uma visão sem reparar que morais no aconchego das mortalhas e sem vos oferecer o preciso canudo com que possais espreitar, não o “penta” dele, o a vós prometido, mas o meu “penta” adornado do “sincazero”, agora em terras de Sua Majestade.

Bem sabeis que é assim, mestre engenheiro dos roubos de igreja na paróquia do “papa”. Por isso, se há ou houve alguém que não tu, que se tenha desastradamente iludido com a minha sapiência e homem das luzes do treinamento futebolístico, teria bastado e bastará que me olhe de frente para logo me conhecer a fundo sem necessário ser eu servir-me de palavras.
Não sou um simulador e eis que me arrelio tanto com as simulações e os atrevimentos de as assacarem aos meus pupilos da sorte. Os que ousarem o contrário, não serão eles mais do que macacos trapolas e burros vestidos com calças esfarripadas.

Por conseguinte, mestre também meu desde que aqui entrei, neste igualmente teu reino ido que conspurcaste com as tuas prédicas sobre a implantação da aldrabice futeboleira, aceita de bom grado esta minha pequena arenga como um presente de um bom amigo e coloca-a sob teu patrocínio sepulcral como coisa sagrada. Tende em conta que a arte que neste reino aprendemos é mais tua do que minha.
E, por fim, tende bem em conta que, longe de meus e de outros prometimentos quimeriosos, te apresento oferendas do concreto, coisas que não precisam de canudo, que eu as vivi com a santidade do nosso “papa” naquele reino de luz que dá por nome de “emiratos” e fica nas terras de Sua Majestade. As minhas ofertações não são quimeras mas reais.
O meu “penta” é um idolatrado e fulgurante “sincazero” que adorarás nessas tuas sepulcrais mansões! E podeis, finalmente, descansar na paz que todos os mortos devem gozar sem restrições, desde que não ouseis dar vez alguma mais ouvidos aos prometimentos de um “papa” envergonhado com o nosso “penta” e de tal modo medroso que nem a sua bênção paroquial nos protegeu na nossa chegado ao cantinho das trevas do seu reino.

terça-feira, 9 de março de 2010

A “DESBUNDA” DO PROFESSOR JESUALDO

No reino do dragão instalou-se definitivamente a desordem, a desordem na ordem que os avençados tanto santificaram. É o seu “papa” que promete a mortos o título sem, primeiro, lhe oferecer um canudo! É o professor Jesualdo, seu treinador, a queixar-se de fadiga quando há jogadores da sua equipa a dizerem que estão refastelados no sofá a verem até aos fins o “filme” do título, que deixar de o ver a meio não é para eles!

Não é que não goste de confusões no reino do dragão, que até gosto … e muito! Mas não podem levar-me a mal que me “admire”, tanto mais que os avençados das lavagens aos cérebros se têm esmerado nas lavagens mas não, ao que parece, nas limpezas dos cérebros.
Falo dos cérebros da casa, obviamente, que o resto é mera publicidade do seu serviço, tipo oração ao “papa” para ser bem por ele encomendado nas suas prédicas à Divina Previdência.
Vale a pena, de resto, rever um pouco as coordenadas do fenómeno, quanto mais não seja por mera diversão.

Aqui há cerca de um ano, o professor Jesualdo queixou-se da “desbunda” que grassava no futebol português. Confesso que, numa primeira análise após deparar com o termo, fiquei confuso também. A palavra não consta do meu dicionário e assaltou-me a dúvida sobre o seu sentido significante. Quereria ela dizer descalabro, desordem e confusão no reino do dragão?
Se assim for, terei de dar algum mérito ao professor Jesualdo pela sua arte profética. De facto, profeta ou só adivinho, conseguiu de todo o modo recitar um oráculo que previu antecipadamente o actual estado no reino do dragão.
Mas o professor Jesualdo não é imune ao estado da “desbunda”. Bem por essa altura, o professor Jesualdo dizia frente às câmaras da tv estas singelas e elucidativas palavras:

« … o árbitro foi permissivo ... há um penalty sobre o Lisandro que não foi marcado e tivemos oportunidade de ver no outro jogo que hoje envolveu um candidato ao título, que as coisas funcionaram ao contrário» …

Num estádio mais avançado do campeonato passado, o professor Jesualdo fazia questão de colocar a sua “coerência” em ordem – e não em “desordem”, como seria suposto – e presentear-nos com mais estas sentenças, em resposta à pergunta sobre a actuação de Pedro Proença no FC Porto-Benfica de então e mais concretamente sobre o penalti simulado por Lisandro:

« … Esse é um assunto de que não falo mesmo, para mim não é tema de conversa. Por que não? Porque não é da minha área» …

Nós até já sabíamos que não foi na área dele mas na do Benfica que Lisandro simulou e que o árbitro se foi na onda! ... “Se foi” e não apenas “foi” porque me assalta uma dúvida que mais abaixo explanarei, como é de bom tom.
Bem, voltemos ao escalpelo da “desbunda” do professor Jesualdo …

Posteriormente, no fim do jogo Académica-FC Porto e acerca de uma célebre mão de Raul Meireles com resultado em 0-0, o professor Jesualdo reforçou essa “coerência” e essa “ordem” do dia, respondendo à pertinente pergunta:

«…não comento arbitragens, acho que devíamos estar a discutir futebol em vez de coisas que não contribuem para a dignificação do futebol» …

Para compor o raminho, citamos este ano só os dizeres do professor Jesualdo após o Leixões-FC Porto:

« … sentimo-nos prejudicados e não é só pelo penalti não assinalado sobre o Rúben Micael. Tenho dificuldade em qualificar um jogo da primeira liga com tanto anti-jogo, sem que o árbitro fizesse nada»…

O professor Jesualdo vai pondo a escrita em dia no calcorreio da sua “desbunda”. Fala sobre arbitragens às vezes, outras vezes vai dizendo que não fala porque não é a área dele.
Há, todavia, um mérito que estou inclinado a conceder-lhe. Se bem se lembram, o professor Jesualdo bradou imenso contra a penalização de Lisandro pela simulação no dito jogo FC Porto-Benfica que proporcionou o penalti salvador à sua equipa. É que a coisa foi tão descabelada que me parece que o simulador foi Pedro Proença e não aquele jogador!
Não, não, não tem nada a ver com a apregoada filiação deste árbitro no Benfica para tramar o Benfica! Tem apenas a ver com a encenação “in casu”. Quando o erro é tão grosseiro que todos topam que é erro, o aproveitamento do erro é que traduz a simulação. E quem aproveitou o erro foi Pedro Proença, não o jogador!
Com efeito, até pelo passado deste árbitro nos jogos do Benfica, acredito mais que tenha sido Pedro Proença o simulador, bem se tendo sabido aproveitar da reles encenação de Lisandro. Como se consegue – ou conseguia – ser bem classificado e tacho de internacional?

Embora o estado de fadiga avançado pelo professor Jesualdo não rime lá muito bem com as sestas no sofá a ver o filme do título, também se lhe deve, em todo o caso, dar algum crédito. De facto, dissera ele há alguns meses apenas que o “FC Porto há-de crescer à medida que os seus jogadores crescerem também”… Ora, como o FC Porto tem visto esse crescimento por um canudo – que deve ter pedido emprestado ao seu satélite bracarense – é natural que seja a fadiga a causadora de todos esses males.

Há, porém, outra explicação possível. Efectivamente, tendo em conta a labuta que as suas “toupeiras” têm desenvolvido nos túneis, e o respectivo “crescimento” nas artes marciais, pode ter chegado a hora de “pagamento” de todo esse esforço extra.

Continuo, no entanto, a dar crédito a Helton e à visualização do filme do título bem refastelado no sofá. Ele e os seus comparsas, naturalmente! Já durante o jogo de Alvalade os jogadores “portistas” estavam de poltrona, talvez empenhados mais em pedir canudos aos seus amigos de Braga para continuarem a espreitar o título.
Parece, contudo, que no jogo contra o Olhanense, os amigos de Braga – acho que são piores do que os de Peniche – ainda lhes não haviam dado satisfação ao pedido que eles se encarregaram de tornar ainda mais premente.

Já relativamente a Fucile, as coisas miam mais fino. Antes do jogo Benfica-FC Porto, de Janeiro passado, aquele espectáculo de jogador havia dito, “jogamos de forma espectacular”! …
Teria ele também já pressagiado a sesta no sofá a ver o filme do título, aquela sesta a que Helton se refere?
É bem possível porque outro espectáculo se não tem descortinado! Isto, é claro, sem qualquer menosprezo pelo espectáculo dado pelas ditas “toupeiras” nos túneis!

Não se pense, como é óbvio, que a estadia de poltrona a ver o filme do título é sinónimo de pacatez. Não, de vez em quando há umas disputazitas para ver quem fica com os melhores lugares da plateia! Ou já não se lembram da estalada de Bruno Alves em Tomaz Costa e a “pega” entre Fucile e Raul Meireles?
Já dizer que isto faz parte da desordem, talvez seja um exagero! …

No meio de tanta “desbunda”, vem agora o FC Porto amofinar-se contra uma lei que propôs e fez aprovar, querendo limpá-la do reino das coisas vivas porque parece que o seu papa se dá melhor com os mortos. Por causa disso, já há muitas vozes que se levantam e assinalam a incoerência deste procedimento “modelo”.
A este propósito, só se me oferece dizer que estas vozes são insensatas na sua pretensão. Afinal, a coerência daquele reino de corrupção desportiva revela-se precisamente nestas vielas! O FC Porto não fez aprovar tal lei para lhe ser aplicada! Quem é que é tão insano que queira ver um FC Porto do “papa” respeitador de leis?
O FC Porto não obedece a leis, está sempre fora e se julga acima da lei! E quem “teve” juízo foi a justiça civil do apito dourado! Aplicar a lei a um fora da lei cujo dirigente mor, ainda por cima, recebe bênçãos na AR dita berço da democracia – e das leis – e se senta à direita do maior magistrado da Nação?

Razão têm os avençados para andar sorumbáticos com a sua pena de molho. Não, naquele reino até já nem petróleo há! Depois, os trinta milhões postos a render esta época na compra de jogadores parece que só têm dado juros para alugar o filme do título!
E se querem canudo, até têm de o pedir emprestado aos seus subservientes bracarenses!

segunda-feira, 8 de março de 2010

OXALÁ APROVEITEM

Vivemos uma época paradoxal, em que se levanta um clamor universal a favor da paz, enquanto afloram como cogumelos de Outono guerras por todo o lado. A perplexidade de muitos intelectuais é manifesta pois acreditaram que as raízes da guerra se encontravam no enfrentamento entre blocos e uma vez caídos os muros esperavam uma espécie de “pax romana” ou “pax augusta”que acompanharía o triunfo da democracia e dos Direitos Humanos
Mas o fenónemo da guerra encontra-se arraigado na naturaza humana que parece nao depender das circunstâncias históricas.
Tudo isto a propósito da táctica do Polvo, pois disso se tratou, de criar um permanente estado de guerra contra o BENFICA, mas foi mesmo guerra a sério.
Neste caso também se trataria de conseguir após o aniquilamento, ou pelo menos do total controlo do inimigo vermelho, da pax romana, neste caso traduzida por pax pintista.
Aquando da revelaçao do Apito Dourado, logo, seu pintinho, veio a terreiro bradar aos céus( e às autoridades nao esqueçamos), para que igual processo fosse levantado contra o BENFICA.
Deixou no ar suspeitas e “suspense”, ciente de que as pessoas, inclusive os próprios correlegionários, ainda acreditavam nele.
Por temor, os ditos jornalistas, deram-lhe cobertura.
Mas… a humana inclinaçao para a guerra a busca da paz opoem-se nao tanto como extremos de uma contradiçao, senao como uma tática de sobrevivencia.
Predomina hoje em dia a noçao de um ser humano submetido a uma dialéctica entre guerra e paz, entre destruiçao e produçao entre violência e convivência social.
Análogamente, poderíamos falar de violenta nao-violência, ou de un belicismo pacífista.
O Presidente do BENFICA, e quanto a mim muitissimo bem, traçou como linha de rumo, nao haver referências aos roubos e aos sumaríssimos.
Poucos acreditaram que pelo menos até hoje, isso iria ser seguido à risca.
E mais que diversificar vários aspectos da guerrilla verbal e física lançada por pintinho, apareceu a táctica dos túneis, que logo foi imputada ao BENFICA como nao podia deixar de ser, pintinho e seus esbirros, esbarraram com o muro do discurso calmo, sereno, podemos mesmo dizer que pacifista.
E é este aspecto que quanto a mim está a derrotar verdadeiramente o Polvo: foi-lhe sonegada uma parte importante da sua táctica, que era(e é) a da palabra venenosa, que os média se encarregariam de hiperbolizar em todos os meios da dita comunicaçao social.
Quando um nao quer, dois nao lutam.
Faltando a parte do palavreado resta ao Polvo a outra táctica, a da confrontaçao física e a subsequente vitimizaçao.
Daqui até uma patética vigília, pela verdade desportiva foi o pulo de uma cobra.
A verdade é que recebeu pronta resposta do BENFICA, com a entrada “mais tarde” nas cabinas que a equipa adversária.
Mais um ponto hilariante no anedotário do futebol por essa Europa fora.
Mas o que é certo é que a táctica dos túneis era uma carta na manga da batotice, pois foi o próprio Polvo que fêz aprovar a suspensao de jogador que nos túneis se “passasse.
O azar é que no túnel da Luz as câmaras mostraram quem é quem.
Como o ridículo nao mata, o Polvo veio muito pressurosamente bradar aos ventos, que sempre usou em linguajar cretino, que afinal a lei que ele próprio impôs era…inconstitucional.
Podemos dizer que esta foi a guerra entre a quantidade e o tamanho- quantidade de braços do Polvo, contra o tamanho incomensurável do BENFICA.
E temos que reconhecer que ganhou, e outra coisa nao seria de esperar, ganhou dizia eu, ganou o tamanho e já agora a qualidade.
Nao raro, os jornais desportivos, embora apressadamente para em Maio fazerem parte do tamanho, já nos vêem com capas laudatórias.
Já somos a melhor Equipa, já denotamos pujanza, já somos o Clube innovador, e eu diria mais, já somos o Clube mais imitado em Portugal, mas a distância já é tao grande que nos perdem de vista.
Para quem andou décadas a arrastar-se subserviente ante D.Giorgio e capangas, o estado actual do GLORIOSO, na liderança a todos os níveis, e nao só na classificaçao da Liga, será o grito do Ipiranga, de jornalistas, juizes, autarcas, políticos e toda uma fila de formigas obedientes.
Até isso nos devem.
Depois de décadas a perseguirem o BENFICA, a colaborarem na maior mentira do futebol mundial, que como todos sabem sao os títulos comprados pelo clube da fruta, o GLORIOSO, permite-lhes a reabilitaçao, dá-lhes a oportunidade de serem homens de coluna vertebral directa.
Oxalá aproveitem.

sábado, 6 de março de 2010

O optimismo da penúria desportiva

1. Gosto sempre de ver e ouvir pessoas optimistas. Um mundo de pessimistas seria, com efeito, um mundo lúgubre, sem chama, que a esperança havia sucumbido no meio de um vendaval de renúncia à determinação e conquista que são o “leitmotiv” da vida.
Por isso, conquanto não aprecie o guarda-redes do FC Porto – como não aprecio nada do que vem de tal agremiação desportiva que cultiva o ódio gratuito naquilo que deveria ser, antes de mais, escola de virtudes – compreendo-o. Deixar de lutar pelo campeonato será retirar-lhe mais uma oportunidade de, sempre que as coisas correrem mal à sua equipa, voltar a fazer, com os seus “ilustres” companheiros, mais uma demonstração de artes marciais quando o seu futebol andou na gandaia e o resultado soçobrou nas esperanças de um combate ao desânimo.

Claro que a sua equipa tem todas as possibilidades de conseguir o título. Todas as possibilidades menos aquelas que se desvaneceram nas derrotas de um mau futebol e péssimo comportamento, sem contar que algumas delas talvez se tenham esvaído na ponta dos dedos que até com alguma frequência abriram a porta da capoeira.
Porém, este ano ainda há umas migalhas para ganhar! Se lhes deixarem!


2. Há um vulgar opinador – vulgar nos temas e sua dissertação e vulgar no estilo e conteúdos literários – que, sendo sportinguista, tem nos seus genes o natural e profundo complexo de inferioridade relativamente ao Benfica, acompanhado da também costumada inveja das conquistas alheias.
Compreendo bastante bem o opinador e a dificuldade em aceitar que o seu clube – com toda a sua cagança balofa que, apesar de surrada e esvaziada de dinheiros e conquistas desportivas, lhe vai servindo de mitigação sublimatória – seja desde há alguns anos já o terceiro clube português.
Ora, para suavizar a desgraça da sua afeição clubística, nada melhor do que chamar à colação apenas a história muito recente, aquela que se plasmou na realidade após o último campeonato ganho pelo Benfica. É certo que o opinador pretende falar e apresentar o FC Porto como a deusa inspiradora do seu (fraco) opinar mas é o Benfica que lhe preenche, naturalmente, o seu consciente e mesmo o seu inconsciente. O Benfica joga sempre onde jogam o Sporting e o FC Porto, isso é sabido, mesmo que não esteja lá presente a sua equipa de futebol.
É o tributo de se ser Grande.
Até há pouco tempo atrás, o descaminho dos adeptos sportinguistas nem sequer os cânticos ao Benfica podia proporcionar porque eles primavam pela ausência junto da sua equipa. Mas bastaram dois resultados para fazer esquecer tanta mágoa acumulada e tão pouco futebol jogado para julgarem a barriga cheia de misérias.
Naturalmente, para quem esmola migalhas e a migalhas está só acostumado, já se pode considerar de barriga cheia.

O opinador, diz-nos, tem 40 anos. Nasceu, pois, em 1970, se ele não se esqueceu ou não errou a conta.
Desses 40 anos de vida e mesmo descontando os anos da meninice, certamente que se havia de lembrar de alguma história futebolística. Mas o nosso opinador escolhe a história que lhe convém e tenta apagar, missão inglória, a que lhe é contrária aos seus desígnios.
Não espanta ninguém, por isso, que ele tente esquecer e que outros esqueçam, pela desvalorização dos anos, a história grandiosa do Benfica.
Os Benfiquistas também lhe não pedem mais do que isso nem pouco ou muito se importam com as suas escolhas porque elas serão sempre rafeiras no porte. Mas podem sorrir de complacência perante mais um complexado.

Para que não pareça mal, o “nosso” opinador começa por escolher só os últimos 15 anos de história porque, nesse período, consegue que o seu clube tenha dois campeonatos e o Benfica apenas um. É claro que os 19 anos de jejum e os actuais 8 anos em que o seu clube penou e continua a penar pouco lhe dizem porque ele escolhe a seu bel-prazer o ciclo e as menções históricas que lhe dão mais jeito.
Todavia, quando bem lhe interessa, até se lembra de história mais antiga e fica todo enfatuado com a descoberta! Para compensar a, segundo ele, ajuda do seu clube ao Benfica, na jornada transacta, conseguiu recordar uma vitória do seu clube sobre o Benfica na época de 1985/1986 – há 25 anos, portanto – que ajudou o FC Porto a ser campeão.
Não se lembrou, convenientemente, de mais nenhuma vitória do Benfica, depois ou antes disso! Apesar dos seus possíveis 15 anos na altura do evento rememorado!
Nem toda a gente pode ser virtuosa de entendimento.

Mas o seu mote de glória não podia deixar de ser, como se compreende e depreende facilmente, a recordação das últimas quatro épocas. São quatro anos em que o Sporting conseguiu, num aconchego das ânsias de satisfação plena dos seus adeptos e dirigentes, ganhar o seu campeonato.
O pobre, não necessariamente de bens materiais, diga-se, desconfia sempre de esmola grande e tem sempre grande aprazimento em vitórias de porte rasteiro.
E agora, ufano de ter ganho por três ao clube dominante do seu, fácil foi esquecer-se de que levou cinco do mesmo, ainda não há muito tempo.
E também já esqueceu que, no seu estádio, o seu clube levou quatro do Benfica. Apesar de só terem passado pouco mais de duas semanas!
Por isso, até já promete que agora há que ajudar o Braga, vindo à Luz vencer.

Como disse ao começo, gosto de optimistas, em especial quando eles, depois de umas migalhas que lhes mataram a fome e lhes fizeram esquecer a campanha escanzelada de vitórias, já pensam que conseguem ganhar de novo o seu campeonato. Porque, se o seu campeonato este ano se foi há muito tempo, resta-lhe o campeonato de uma vitória sobre o Benfica para se sentirem felizes.
No fundo, esta cagança do pobre lagarto com tão pouco até serve para desanuviar o ambiente daquela choradeira infinda que inundou Alvalade e ajudou a estragar aquele relvado sem jeito.
Primeiro, num alegreto a solo da carpideira “forever”!
Depois, numa sinfonia desafinada de um coro esverdeado e esvaído na sua penúria desportiva!

Mas, se eles se contentam com o seu esmolar migalheiro, por que havemos nós, Benfiquistas, de deixar de sorrir do ridículo dos esfomeados de vitórias e de norte?

quinta-feira, 4 de março de 2010

O “requiem” e os peditórios dos arautos da “verdade desportiva”

Foi assaz “comovedor” assistir àquilo que designaram por manifestação espontânea e vigília às portas da Liga, aqui há uns dias na cidade do Porto. Uma manifestação convocada por vários meios de comunicação mas, ainda assim, “espontânea”, saída do nada, por “motu próprio”, sem sugestão de quem quer que fosse.
Mais comovente, todavia, foi o intuito da manifestação e esse deve ser gravado a letras, não direi de ouro, mas de latão que até este mal se sentirá em tais achados. De facto, assistir a manifestações pela “verdade desportiva” por parte de quem se encontra condenado por atentados a essa mesma verdade não deixa de ser sintomaticamente instrutivo da plebe que dá corpo a desideratos tão eivados de veracidade quanto de hipocrisia e cinismo.

É nessa luta que um clube impulsionado pelos seus dirigentes de gabarito tal que até falam com a Divina Providência e se acobertam à sombra da Justiça Divina prossegue a sua saga em prol da (sua) “verdade desportiva” de que são arautos e tão sacrossantos fiéis.
O novo passo é, agora, a luta para desfazer a lei que propuseram e aprovaram, a tal lei das suspensões por tempo indeterminado que era óptima e constitucionalmente “verdadeira” – na sua versão de “verdade desportiva” – para apanhar outros na ratoeira armadilhada.
No entanto, quando o rabo de palha é grande, sujeita-se a ficar preso na armadilha que engendrou. Nessa altura, a bem da tal “verdade desportiva”, apela-se aos santos da terra que considerem má aquilo que tais apóstatas tinham por certa e verdadeira, se a outros infligida.

Estamos a falar de gente prenhada de todas as virtudes, gente de bem, de verdade e honorabilidade na vertente desportiva, gente que não nega as manigâncias que as escutas confessam, mas nega o direito de serem ouvidas fora do circulo dos “virtuosos”. Trata-se de gente que já excomungou todos quanto se propuseram investigar os seus andarilhos negociais mas que anda de tribunal em tribunal a contas com uma justiça que, de justiça com tal gente, vai sucumbindo nas rezas sacrílegas do reconforto na sua “Justiça Divina”.
Não espanta esta atribulada peregrinação em gente cujo fervor petitório encontra eco num “papa” de mentira e de “verdade desportiva” tal que, por ela, se encontra condenado. Esse “papa” tem dado o exemplo do que é frequentar os tribunais, não raras vezes na pele de arguido protegido pelos santinhos da justiça civil que, com cafés e leitinho, se convencem de uns aconselhamentos matrimoniais.

Não é o nosso (deles) “papa” o que terá assento agora nos bancos dos réus em tribunal. São os seus fiéis “cardeais” e “arcebispos” que, cantando a mesma missa e rezando os mesmos padre-nossos, aqueles que agora têm direito ao “honorífico” assento. Os seus fieis da corte próxima, dos ofícios “papais” quotidianos e os seus fieis que, em tempos de pedincha, se sentavam no trono civil de uma cidade pagante das tropelias sacrossantas do reino.

Ninguém de nós, eternos e felizardos pagãos de tão “augusto papado”, se pode surpreender com as penúrias do reino “papal” da corrupção desportiva condenada. Trata-se, afinal, de um reino que já nos habituou a vê-lo percorrer os corredores da arguição criminal por várias arenas da insossa justiça civil portuguesa, seja pelo seu “papa”, seus guarda-costas, cardeais, arcebispos e bispos, arciprestes e todos os “dignitários” da cúria.
Afinal, a procissão ainda vai no adro e a justiça civil portuguesa só nos habitua a vê-la passar e recolher com as vestes apenas enferrujadas do “não provado” que o provado é insulso.

Um reino de sacrossantidade tanta não tem dificuldade, em tempos de aflição penuriosa, quanto a igrejas, sés, catedrais – menos a nossa – capelas e capelinhas para, de boné e mitra, carapuço e barrete – que agora tiveram a subida honra de enfiar – estendidos, ir rezando a todos os santinhos a fineza de uma miserenta esmolinha para expiar as agruras de uma angustiada posteridade que a cúria prefaciou em “miserere” adequado à sua “pontifícia” condição de reino “papal”.
Foi um adventício sentimento prefaciado, não uns adivinhamentos que são meios sacrílegos em tantas e virginais purezas.

Faz bem o reino “papal” em antecipar os seus peditórios porque o banco “champions” também parece ter sido levado na enxurrada da crise futebolística de uma equipa mais propícia às artes marciais do que a jogar futebol.
Faz bem o reino “papal” enviar um seu “cardeal” à porta dos “banqueiros”, com a mitra estendida na pedincha da esmola salvífica.
Todavia, se ele regressar com a notícia de que o crédito está difícil porque os banqueiros resolveram subir os spreeds, nem os salmos e as prédicas costumeiras lhes valerão desta vez. Certamente que o “papa” ordenará aos outros que façam novenas, vigílias, cantem salmos, orem à Divina Providência.
Quer-nos parecer, todavia, que, se agora os não atenderem os previdentes cá da terra, nem os das alturas os ouvirão “sacrilejar” que de sacripantas tais já estarão atulhados.

Mas toda a sacrossanta cúria “papal” pode contar sempre com os nossos sorrisos porque o ridículo dá sempre graça, tanta mais quanto ele prolifera nesse reino de “santidade” e virtuosismo da “verdade”.

terça-feira, 2 de março de 2010

OS VENDILHÕES DO TEMPLO DA VERDADE DESPORTIVA

Carta a El-Rei, D. Luís Filipe sobre o estado da sua Armada Imperial e sobre outras questiúnculas…

Poderoso Rei D. Luís Filipe da Grande Pátria Benfiquista, Vós sois grande até nos gestos com que abordais a indecorosa saga dos infiéis do Teu Reino, nesses gestos altivos e soberanos com que desprezas a bruta gente e as suas arruaças de polichinelo.
Dizeis bem, como é de Vossa mercê: “nós, os Benfiquistas, falamos de nós porque somos Grandes, somos uma imensa Pátria sem fronteiras; falamos de nós porque é essa a nossa essência; a bruta gente fala de nós porque reconhece a nossa Grandeza”.

Vós não o dissestes, poderoso Rei da Nação Benfiquista, mas pressentiste-o. A bruta gente fala de nós porque não tem por que falar dela! A bruta gente é apátrida, Insigne Rei, não tem Nação e nem sequer clube de acolhimento, apenas cavernas e túneis.
A bruta gente não é qualquer coisa que não existe no seu imenso lago de obscurantismo. A bruta gente é somente anti Benfica, anti Pátria Benfiquista.
Sobeja-lhe a luta, não na busca da luz mas nas trevas do ódio, da inveja, do cinismo, da hipocrisia.

Se Vós, Augusto Rei da Gloriosa Nação Benfiquista, dissestes ao Reino que tendes a honra de governar, nesse teu egrégio conclave exigido pela imensa superioridade da Tua Nação, que nós, Benfiquistas, falamos de nós, também mui avisadamente acrescentastes que tal desígnio não colide com o ficarmos “menos atentos ou vigilantes em relação a alguns comportamentos que, apesar de absurdos, não são inocentes”.
E nem menos de Ti se esperaria, Nobre Rei, da Tua mui distinta prudência. Por isso, nós outros, Teus súbditos e orgulhosamente combatentes pela nossa amada Pátria que tendes o supremo Dom de Governar, sentimos mais do que um dever, um desmedido aprazimento em Te dar aviso atempado das nossa lutas contra os infiéis.

Augusto Rei, aqueles sem vergonha que, de entre a bruta gente, chefiam manifestações contra a verdade desportiva, camafeus vendilhões do templo da austera e mais genuína verdade das coisas, não se inquietam de alevantar a sua barraca à direita daqueles que comandam bandos de infiéis a arremeter contra lojas e gentes de elevada índole, tanto quanto Teus súbditos forem, para roubar tudo quanto avistam ao alcance dos seus ávidos e esgazeados instintos.
E montam as suas traquitanas a vender por trinta dinheiros aquela “verdade desportiva” tão acalentada pelos seus régulos, de tal modo que a estes houve por bem alguma justiça dos deuses da bola premiar com uma condenação pelas manigâncias com que tão distintamente cuidaram dessa mesma “verdade desportiva”.

Sabeis bem, Poderoso Rei da Insigne Pátria Benfiquista, o quanto são mafiosos estes bufarinheiros da verdade. E sabei-lo, tanto como nós, Teus súbditos de Nação tão Gloriosa, porque o seu caifás filho de caim é o maior traquineiro da hipocrisia. Bem sabeis, Augusto Rei, que ele tenta apoucar, sem o beliscar um pouqinho só, o imenso fervor e a altíssima metamorfose que levou a Tua Armada Imperial às demonstrações do mais estreme e fabuloso bailado da bola, deixando para trás as naves despedaçadas dos bufarinheiros gentios aplebeados mais que plebeus.
E, em sua sina de candongueiro, faz ele berraria e ordena berração à sua bruta gente contra as arbitragens que, dando-lhes encosto escorreito, nem assim lhes valeram, mirando-as na vesguice dos seus esgazeados olhares ao espelho da Tua Armada que só aos seus dons de virtuosismo, ao Céu sublime ascendida ainda pelo imenso cortejo dos Teus humildes mas fervorosos súbditos, deve a sua ascensão Gloriosa.

Poderoso Rei, sabei que aquela bruta e infiel besta, régulo mor dos vendilhões da verdade desportiva, grunhia em gestos e pateava em sinais, que não era “expert” em arbitragem e considerava que a arbitragem portuguesa era melhor do que a arbitragem em muitos países de primeiro plano do futebol europeu!
E clamava, vede, contra as pessoas que não sabiam nada de futebol e que, semanalmente nos programas televisivos da bola – que os Teus súbditos, aliás, bem desprezam por estarem infectados de bruta gente – passavam mais de 80% do tempo a discutir arbitragem e que tal retirava serenidade aos “homens do apito”!

Estultícia insana deste Teu súbdito seria ele cogitar sequer nos confins da sua mente que Vós, Augusto Rei, não sabíeis o que mudou na bruta gente. Vós, que bem sabeis que aquela insciente gente era e é totalmente gente bruta do reino do mal! Bem sabeis que ele se dirigia aos seus vendilhões da verdade desportiva que fazem vigílias ao reino das trevas, da ignomínia e da hipocrisia. Bem sabeis que ele assim se bufarinhava contra o vendilhão da verdade histórica, um tal Tavares, que de vez em quando põe o seu régulo chefe como um bruto pacóvio e provinciano, sempre acompanhado de gente pequenina.

E Tavares até tem razão, como bem sabeis, Poderoso Rei. Conheceis o guarda Abel da sua milícia. Conheceis o seu chauffeur, um bruto ímpio co-arguido criminalmente com o seu régulo mor e atropelador encartado de fotógrafos bisbilhoteiros. Conheceis o seu guarda-costas, o tal “pidá”, ímpio gentio das maiores “virtudes” que o levaram à choldra por anos largos.
Soubestes à pouco que a “Judite” coscuvilhou as contas do reino gentio e bruto, parece que por causa de gente dada com o tal régulo mor dos vendilhões, tudo gente de finuras tais que nem a justiça dos embotados deseja justiçar.

Como bem vedes e bem sabeis, Poderoso e Augusto Rei da Insigne Pátria Benfiquista, temos à nossa volta bufarinheiros de banha da cobra da sua “verdade desportiva” a fazer velórios bem dignos da sua ímpia gente na escuridão, que, como bem o dizeis, eles o sol da verdade e da honra até contestam!

Com Vossa Mercê

Pero Vaz de Caminha