segunda-feira, 8 de março de 2010

OXALÁ APROVEITEM

Vivemos uma época paradoxal, em que se levanta um clamor universal a favor da paz, enquanto afloram como cogumelos de Outono guerras por todo o lado. A perplexidade de muitos intelectuais é manifesta pois acreditaram que as raízes da guerra se encontravam no enfrentamento entre blocos e uma vez caídos os muros esperavam uma espécie de “pax romana” ou “pax augusta”que acompanharía o triunfo da democracia e dos Direitos Humanos
Mas o fenónemo da guerra encontra-se arraigado na naturaza humana que parece nao depender das circunstâncias históricas.
Tudo isto a propósito da táctica do Polvo, pois disso se tratou, de criar um permanente estado de guerra contra o BENFICA, mas foi mesmo guerra a sério.
Neste caso também se trataria de conseguir após o aniquilamento, ou pelo menos do total controlo do inimigo vermelho, da pax romana, neste caso traduzida por pax pintista.
Aquando da revelaçao do Apito Dourado, logo, seu pintinho, veio a terreiro bradar aos céus( e às autoridades nao esqueçamos), para que igual processo fosse levantado contra o BENFICA.
Deixou no ar suspeitas e “suspense”, ciente de que as pessoas, inclusive os próprios correlegionários, ainda acreditavam nele.
Por temor, os ditos jornalistas, deram-lhe cobertura.
Mas… a humana inclinaçao para a guerra a busca da paz opoem-se nao tanto como extremos de uma contradiçao, senao como uma tática de sobrevivencia.
Predomina hoje em dia a noçao de um ser humano submetido a uma dialéctica entre guerra e paz, entre destruiçao e produçao entre violência e convivência social.
Análogamente, poderíamos falar de violenta nao-violência, ou de un belicismo pacífista.
O Presidente do BENFICA, e quanto a mim muitissimo bem, traçou como linha de rumo, nao haver referências aos roubos e aos sumaríssimos.
Poucos acreditaram que pelo menos até hoje, isso iria ser seguido à risca.
E mais que diversificar vários aspectos da guerrilla verbal e física lançada por pintinho, apareceu a táctica dos túneis, que logo foi imputada ao BENFICA como nao podia deixar de ser, pintinho e seus esbirros, esbarraram com o muro do discurso calmo, sereno, podemos mesmo dizer que pacifista.
E é este aspecto que quanto a mim está a derrotar verdadeiramente o Polvo: foi-lhe sonegada uma parte importante da sua táctica, que era(e é) a da palabra venenosa, que os média se encarregariam de hiperbolizar em todos os meios da dita comunicaçao social.
Quando um nao quer, dois nao lutam.
Faltando a parte do palavreado resta ao Polvo a outra táctica, a da confrontaçao física e a subsequente vitimizaçao.
Daqui até uma patética vigília, pela verdade desportiva foi o pulo de uma cobra.
A verdade é que recebeu pronta resposta do BENFICA, com a entrada “mais tarde” nas cabinas que a equipa adversária.
Mais um ponto hilariante no anedotário do futebol por essa Europa fora.
Mas o que é certo é que a táctica dos túneis era uma carta na manga da batotice, pois foi o próprio Polvo que fêz aprovar a suspensao de jogador que nos túneis se “passasse.
O azar é que no túnel da Luz as câmaras mostraram quem é quem.
Como o ridículo nao mata, o Polvo veio muito pressurosamente bradar aos ventos, que sempre usou em linguajar cretino, que afinal a lei que ele próprio impôs era…inconstitucional.
Podemos dizer que esta foi a guerra entre a quantidade e o tamanho- quantidade de braços do Polvo, contra o tamanho incomensurável do BENFICA.
E temos que reconhecer que ganhou, e outra coisa nao seria de esperar, ganhou dizia eu, ganou o tamanho e já agora a qualidade.
Nao raro, os jornais desportivos, embora apressadamente para em Maio fazerem parte do tamanho, já nos vêem com capas laudatórias.
Já somos a melhor Equipa, já denotamos pujanza, já somos o Clube innovador, e eu diria mais, já somos o Clube mais imitado em Portugal, mas a distância já é tao grande que nos perdem de vista.
Para quem andou décadas a arrastar-se subserviente ante D.Giorgio e capangas, o estado actual do GLORIOSO, na liderança a todos os níveis, e nao só na classificaçao da Liga, será o grito do Ipiranga, de jornalistas, juizes, autarcas, políticos e toda uma fila de formigas obedientes.
Até isso nos devem.
Depois de décadas a perseguirem o BENFICA, a colaborarem na maior mentira do futebol mundial, que como todos sabem sao os títulos comprados pelo clube da fruta, o GLORIOSO, permite-lhes a reabilitaçao, dá-lhes a oportunidade de serem homens de coluna vertebral directa.
Oxalá aproveitem.

sábado, 6 de março de 2010

O optimismo da penúria desportiva

1. Gosto sempre de ver e ouvir pessoas optimistas. Um mundo de pessimistas seria, com efeito, um mundo lúgubre, sem chama, que a esperança havia sucumbido no meio de um vendaval de renúncia à determinação e conquista que são o “leitmotiv” da vida.
Por isso, conquanto não aprecie o guarda-redes do FC Porto – como não aprecio nada do que vem de tal agremiação desportiva que cultiva o ódio gratuito naquilo que deveria ser, antes de mais, escola de virtudes – compreendo-o. Deixar de lutar pelo campeonato será retirar-lhe mais uma oportunidade de, sempre que as coisas correrem mal à sua equipa, voltar a fazer, com os seus “ilustres” companheiros, mais uma demonstração de artes marciais quando o seu futebol andou na gandaia e o resultado soçobrou nas esperanças de um combate ao desânimo.

Claro que a sua equipa tem todas as possibilidades de conseguir o título. Todas as possibilidades menos aquelas que se desvaneceram nas derrotas de um mau futebol e péssimo comportamento, sem contar que algumas delas talvez se tenham esvaído na ponta dos dedos que até com alguma frequência abriram a porta da capoeira.
Porém, este ano ainda há umas migalhas para ganhar! Se lhes deixarem!


2. Há um vulgar opinador – vulgar nos temas e sua dissertação e vulgar no estilo e conteúdos literários – que, sendo sportinguista, tem nos seus genes o natural e profundo complexo de inferioridade relativamente ao Benfica, acompanhado da também costumada inveja das conquistas alheias.
Compreendo bastante bem o opinador e a dificuldade em aceitar que o seu clube – com toda a sua cagança balofa que, apesar de surrada e esvaziada de dinheiros e conquistas desportivas, lhe vai servindo de mitigação sublimatória – seja desde há alguns anos já o terceiro clube português.
Ora, para suavizar a desgraça da sua afeição clubística, nada melhor do que chamar à colação apenas a história muito recente, aquela que se plasmou na realidade após o último campeonato ganho pelo Benfica. É certo que o opinador pretende falar e apresentar o FC Porto como a deusa inspiradora do seu (fraco) opinar mas é o Benfica que lhe preenche, naturalmente, o seu consciente e mesmo o seu inconsciente. O Benfica joga sempre onde jogam o Sporting e o FC Porto, isso é sabido, mesmo que não esteja lá presente a sua equipa de futebol.
É o tributo de se ser Grande.
Até há pouco tempo atrás, o descaminho dos adeptos sportinguistas nem sequer os cânticos ao Benfica podia proporcionar porque eles primavam pela ausência junto da sua equipa. Mas bastaram dois resultados para fazer esquecer tanta mágoa acumulada e tão pouco futebol jogado para julgarem a barriga cheia de misérias.
Naturalmente, para quem esmola migalhas e a migalhas está só acostumado, já se pode considerar de barriga cheia.

O opinador, diz-nos, tem 40 anos. Nasceu, pois, em 1970, se ele não se esqueceu ou não errou a conta.
Desses 40 anos de vida e mesmo descontando os anos da meninice, certamente que se havia de lembrar de alguma história futebolística. Mas o nosso opinador escolhe a história que lhe convém e tenta apagar, missão inglória, a que lhe é contrária aos seus desígnios.
Não espanta ninguém, por isso, que ele tente esquecer e que outros esqueçam, pela desvalorização dos anos, a história grandiosa do Benfica.
Os Benfiquistas também lhe não pedem mais do que isso nem pouco ou muito se importam com as suas escolhas porque elas serão sempre rafeiras no porte. Mas podem sorrir de complacência perante mais um complexado.

Para que não pareça mal, o “nosso” opinador começa por escolher só os últimos 15 anos de história porque, nesse período, consegue que o seu clube tenha dois campeonatos e o Benfica apenas um. É claro que os 19 anos de jejum e os actuais 8 anos em que o seu clube penou e continua a penar pouco lhe dizem porque ele escolhe a seu bel-prazer o ciclo e as menções históricas que lhe dão mais jeito.
Todavia, quando bem lhe interessa, até se lembra de história mais antiga e fica todo enfatuado com a descoberta! Para compensar a, segundo ele, ajuda do seu clube ao Benfica, na jornada transacta, conseguiu recordar uma vitória do seu clube sobre o Benfica na época de 1985/1986 – há 25 anos, portanto – que ajudou o FC Porto a ser campeão.
Não se lembrou, convenientemente, de mais nenhuma vitória do Benfica, depois ou antes disso! Apesar dos seus possíveis 15 anos na altura do evento rememorado!
Nem toda a gente pode ser virtuosa de entendimento.

Mas o seu mote de glória não podia deixar de ser, como se compreende e depreende facilmente, a recordação das últimas quatro épocas. São quatro anos em que o Sporting conseguiu, num aconchego das ânsias de satisfação plena dos seus adeptos e dirigentes, ganhar o seu campeonato.
O pobre, não necessariamente de bens materiais, diga-se, desconfia sempre de esmola grande e tem sempre grande aprazimento em vitórias de porte rasteiro.
E agora, ufano de ter ganho por três ao clube dominante do seu, fácil foi esquecer-se de que levou cinco do mesmo, ainda não há muito tempo.
E também já esqueceu que, no seu estádio, o seu clube levou quatro do Benfica. Apesar de só terem passado pouco mais de duas semanas!
Por isso, até já promete que agora há que ajudar o Braga, vindo à Luz vencer.

Como disse ao começo, gosto de optimistas, em especial quando eles, depois de umas migalhas que lhes mataram a fome e lhes fizeram esquecer a campanha escanzelada de vitórias, já pensam que conseguem ganhar de novo o seu campeonato. Porque, se o seu campeonato este ano se foi há muito tempo, resta-lhe o campeonato de uma vitória sobre o Benfica para se sentirem felizes.
No fundo, esta cagança do pobre lagarto com tão pouco até serve para desanuviar o ambiente daquela choradeira infinda que inundou Alvalade e ajudou a estragar aquele relvado sem jeito.
Primeiro, num alegreto a solo da carpideira “forever”!
Depois, numa sinfonia desafinada de um coro esverdeado e esvaído na sua penúria desportiva!

Mas, se eles se contentam com o seu esmolar migalheiro, por que havemos nós, Benfiquistas, de deixar de sorrir do ridículo dos esfomeados de vitórias e de norte?

quinta-feira, 4 de março de 2010

O “requiem” e os peditórios dos arautos da “verdade desportiva”

Foi assaz “comovedor” assistir àquilo que designaram por manifestação espontânea e vigília às portas da Liga, aqui há uns dias na cidade do Porto. Uma manifestação convocada por vários meios de comunicação mas, ainda assim, “espontânea”, saída do nada, por “motu próprio”, sem sugestão de quem quer que fosse.
Mais comovente, todavia, foi o intuito da manifestação e esse deve ser gravado a letras, não direi de ouro, mas de latão que até este mal se sentirá em tais achados. De facto, assistir a manifestações pela “verdade desportiva” por parte de quem se encontra condenado por atentados a essa mesma verdade não deixa de ser sintomaticamente instrutivo da plebe que dá corpo a desideratos tão eivados de veracidade quanto de hipocrisia e cinismo.

É nessa luta que um clube impulsionado pelos seus dirigentes de gabarito tal que até falam com a Divina Providência e se acobertam à sombra da Justiça Divina prossegue a sua saga em prol da (sua) “verdade desportiva” de que são arautos e tão sacrossantos fiéis.
O novo passo é, agora, a luta para desfazer a lei que propuseram e aprovaram, a tal lei das suspensões por tempo indeterminado que era óptima e constitucionalmente “verdadeira” – na sua versão de “verdade desportiva” – para apanhar outros na ratoeira armadilhada.
No entanto, quando o rabo de palha é grande, sujeita-se a ficar preso na armadilha que engendrou. Nessa altura, a bem da tal “verdade desportiva”, apela-se aos santos da terra que considerem má aquilo que tais apóstatas tinham por certa e verdadeira, se a outros infligida.

Estamos a falar de gente prenhada de todas as virtudes, gente de bem, de verdade e honorabilidade na vertente desportiva, gente que não nega as manigâncias que as escutas confessam, mas nega o direito de serem ouvidas fora do circulo dos “virtuosos”. Trata-se de gente que já excomungou todos quanto se propuseram investigar os seus andarilhos negociais mas que anda de tribunal em tribunal a contas com uma justiça que, de justiça com tal gente, vai sucumbindo nas rezas sacrílegas do reconforto na sua “Justiça Divina”.
Não espanta esta atribulada peregrinação em gente cujo fervor petitório encontra eco num “papa” de mentira e de “verdade desportiva” tal que, por ela, se encontra condenado. Esse “papa” tem dado o exemplo do que é frequentar os tribunais, não raras vezes na pele de arguido protegido pelos santinhos da justiça civil que, com cafés e leitinho, se convencem de uns aconselhamentos matrimoniais.

Não é o nosso (deles) “papa” o que terá assento agora nos bancos dos réus em tribunal. São os seus fiéis “cardeais” e “arcebispos” que, cantando a mesma missa e rezando os mesmos padre-nossos, aqueles que agora têm direito ao “honorífico” assento. Os seus fieis da corte próxima, dos ofícios “papais” quotidianos e os seus fieis que, em tempos de pedincha, se sentavam no trono civil de uma cidade pagante das tropelias sacrossantas do reino.

Ninguém de nós, eternos e felizardos pagãos de tão “augusto papado”, se pode surpreender com as penúrias do reino “papal” da corrupção desportiva condenada. Trata-se, afinal, de um reino que já nos habituou a vê-lo percorrer os corredores da arguição criminal por várias arenas da insossa justiça civil portuguesa, seja pelo seu “papa”, seus guarda-costas, cardeais, arcebispos e bispos, arciprestes e todos os “dignitários” da cúria.
Afinal, a procissão ainda vai no adro e a justiça civil portuguesa só nos habitua a vê-la passar e recolher com as vestes apenas enferrujadas do “não provado” que o provado é insulso.

Um reino de sacrossantidade tanta não tem dificuldade, em tempos de aflição penuriosa, quanto a igrejas, sés, catedrais – menos a nossa – capelas e capelinhas para, de boné e mitra, carapuço e barrete – que agora tiveram a subida honra de enfiar – estendidos, ir rezando a todos os santinhos a fineza de uma miserenta esmolinha para expiar as agruras de uma angustiada posteridade que a cúria prefaciou em “miserere” adequado à sua “pontifícia” condição de reino “papal”.
Foi um adventício sentimento prefaciado, não uns adivinhamentos que são meios sacrílegos em tantas e virginais purezas.

Faz bem o reino “papal” em antecipar os seus peditórios porque o banco “champions” também parece ter sido levado na enxurrada da crise futebolística de uma equipa mais propícia às artes marciais do que a jogar futebol.
Faz bem o reino “papal” enviar um seu “cardeal” à porta dos “banqueiros”, com a mitra estendida na pedincha da esmola salvífica.
Todavia, se ele regressar com a notícia de que o crédito está difícil porque os banqueiros resolveram subir os spreeds, nem os salmos e as prédicas costumeiras lhes valerão desta vez. Certamente que o “papa” ordenará aos outros que façam novenas, vigílias, cantem salmos, orem à Divina Providência.
Quer-nos parecer, todavia, que, se agora os não atenderem os previdentes cá da terra, nem os das alturas os ouvirão “sacrilejar” que de sacripantas tais já estarão atulhados.

Mas toda a sacrossanta cúria “papal” pode contar sempre com os nossos sorrisos porque o ridículo dá sempre graça, tanta mais quanto ele prolifera nesse reino de “santidade” e virtuosismo da “verdade”.

terça-feira, 2 de março de 2010

OS VENDILHÕES DO TEMPLO DA VERDADE DESPORTIVA

Carta a El-Rei, D. Luís Filipe sobre o estado da sua Armada Imperial e sobre outras questiúnculas…

Poderoso Rei D. Luís Filipe da Grande Pátria Benfiquista, Vós sois grande até nos gestos com que abordais a indecorosa saga dos infiéis do Teu Reino, nesses gestos altivos e soberanos com que desprezas a bruta gente e as suas arruaças de polichinelo.
Dizeis bem, como é de Vossa mercê: “nós, os Benfiquistas, falamos de nós porque somos Grandes, somos uma imensa Pátria sem fronteiras; falamos de nós porque é essa a nossa essência; a bruta gente fala de nós porque reconhece a nossa Grandeza”.

Vós não o dissestes, poderoso Rei da Nação Benfiquista, mas pressentiste-o. A bruta gente fala de nós porque não tem por que falar dela! A bruta gente é apátrida, Insigne Rei, não tem Nação e nem sequer clube de acolhimento, apenas cavernas e túneis.
A bruta gente não é qualquer coisa que não existe no seu imenso lago de obscurantismo. A bruta gente é somente anti Benfica, anti Pátria Benfiquista.
Sobeja-lhe a luta, não na busca da luz mas nas trevas do ódio, da inveja, do cinismo, da hipocrisia.

Se Vós, Augusto Rei da Gloriosa Nação Benfiquista, dissestes ao Reino que tendes a honra de governar, nesse teu egrégio conclave exigido pela imensa superioridade da Tua Nação, que nós, Benfiquistas, falamos de nós, também mui avisadamente acrescentastes que tal desígnio não colide com o ficarmos “menos atentos ou vigilantes em relação a alguns comportamentos que, apesar de absurdos, não são inocentes”.
E nem menos de Ti se esperaria, Nobre Rei, da Tua mui distinta prudência. Por isso, nós outros, Teus súbditos e orgulhosamente combatentes pela nossa amada Pátria que tendes o supremo Dom de Governar, sentimos mais do que um dever, um desmedido aprazimento em Te dar aviso atempado das nossa lutas contra os infiéis.

Augusto Rei, aqueles sem vergonha que, de entre a bruta gente, chefiam manifestações contra a verdade desportiva, camafeus vendilhões do templo da austera e mais genuína verdade das coisas, não se inquietam de alevantar a sua barraca à direita daqueles que comandam bandos de infiéis a arremeter contra lojas e gentes de elevada índole, tanto quanto Teus súbditos forem, para roubar tudo quanto avistam ao alcance dos seus ávidos e esgazeados instintos.
E montam as suas traquitanas a vender por trinta dinheiros aquela “verdade desportiva” tão acalentada pelos seus régulos, de tal modo que a estes houve por bem alguma justiça dos deuses da bola premiar com uma condenação pelas manigâncias com que tão distintamente cuidaram dessa mesma “verdade desportiva”.

Sabeis bem, Poderoso Rei da Insigne Pátria Benfiquista, o quanto são mafiosos estes bufarinheiros da verdade. E sabei-lo, tanto como nós, Teus súbditos de Nação tão Gloriosa, porque o seu caifás filho de caim é o maior traquineiro da hipocrisia. Bem sabeis, Augusto Rei, que ele tenta apoucar, sem o beliscar um pouqinho só, o imenso fervor e a altíssima metamorfose que levou a Tua Armada Imperial às demonstrações do mais estreme e fabuloso bailado da bola, deixando para trás as naves despedaçadas dos bufarinheiros gentios aplebeados mais que plebeus.
E, em sua sina de candongueiro, faz ele berraria e ordena berração à sua bruta gente contra as arbitragens que, dando-lhes encosto escorreito, nem assim lhes valeram, mirando-as na vesguice dos seus esgazeados olhares ao espelho da Tua Armada que só aos seus dons de virtuosismo, ao Céu sublime ascendida ainda pelo imenso cortejo dos Teus humildes mas fervorosos súbditos, deve a sua ascensão Gloriosa.

Poderoso Rei, sabei que aquela bruta e infiel besta, régulo mor dos vendilhões da verdade desportiva, grunhia em gestos e pateava em sinais, que não era “expert” em arbitragem e considerava que a arbitragem portuguesa era melhor do que a arbitragem em muitos países de primeiro plano do futebol europeu!
E clamava, vede, contra as pessoas que não sabiam nada de futebol e que, semanalmente nos programas televisivos da bola – que os Teus súbditos, aliás, bem desprezam por estarem infectados de bruta gente – passavam mais de 80% do tempo a discutir arbitragem e que tal retirava serenidade aos “homens do apito”!

Estultícia insana deste Teu súbdito seria ele cogitar sequer nos confins da sua mente que Vós, Augusto Rei, não sabíeis o que mudou na bruta gente. Vós, que bem sabeis que aquela insciente gente era e é totalmente gente bruta do reino do mal! Bem sabeis que ele se dirigia aos seus vendilhões da verdade desportiva que fazem vigílias ao reino das trevas, da ignomínia e da hipocrisia. Bem sabeis que ele assim se bufarinhava contra o vendilhão da verdade histórica, um tal Tavares, que de vez em quando põe o seu régulo chefe como um bruto pacóvio e provinciano, sempre acompanhado de gente pequenina.

E Tavares até tem razão, como bem sabeis, Poderoso Rei. Conheceis o guarda Abel da sua milícia. Conheceis o seu chauffeur, um bruto ímpio co-arguido criminalmente com o seu régulo mor e atropelador encartado de fotógrafos bisbilhoteiros. Conheceis o seu guarda-costas, o tal “pidá”, ímpio gentio das maiores “virtudes” que o levaram à choldra por anos largos.
Soubestes à pouco que a “Judite” coscuvilhou as contas do reino gentio e bruto, parece que por causa de gente dada com o tal régulo mor dos vendilhões, tudo gente de finuras tais que nem a justiça dos embotados deseja justiçar.

Como bem vedes e bem sabeis, Poderoso e Augusto Rei da Insigne Pátria Benfiquista, temos à nossa volta bufarinheiros de banha da cobra da sua “verdade desportiva” a fazer velórios bem dignos da sua ímpia gente na escuridão, que, como bem o dizeis, eles o sol da verdade e da honra até contestam!

Com Vossa Mercê

Pero Vaz de Caminha

segunda-feira, 1 de março de 2010

TÚNEIS E TOUPEIRAS, TOUPEIRAS E TÚNEIS …

Benfiquistas!

Por uma vez na vida dai crédito ao vendedor da banha da cobra, o nosso mui conhecido e douto Dr. Rui Moreira! Reparai que ele é um exímio lutador pela verdade desportiva e não só! Tende em conta que ele trava o combate da lisura e da honradez. Tanto trava um duro combate em nome de tais princípios que se alia a um chefe de claque que confessa no seu livro(?!!!) terem os seus liderados comprado bilhetes com notas falsas e ainda trazido os trocos da ordem! E mais confessa o dito chefe, seu companheiro nas lides e vigílias contra a falsidade e a roubalheira, que os comandados daquele entravam às centenas nas lojas e roubavam tudo o que lhes aparecia à frente!
Com tão honrosas “damas de honor”, a banha da cobra do nosso bem conhecido e douto Dr. Rui Moreira só pode mesmo fazer milagres de algibeira nas ditas verdades, lisuras e “honradezas”!

Mas, por uma vez, dai crédito a tão apostólico vendedor! Em Alvalade, houve toupeiras … e túneis!

Já toda a gente se havia queixado, desde treinadores e jogadores da casa até visitantes desejosos de praticar futebol, de que o relvado de Alvalade estava todo escalavrado. Só que, segundo bem se subentendia quando se não falava abertamente, atribuía-se a culpa da escalavradura a moléstias desconhecidas, seja nas raízes das ervinhas, seja nos arranjos arquitectónicos do Alvalade XXI que mais parecia um alva lixo dos impérios romanos da antiguidade, seja mesmo nas areias de incógnita proveniência.
Ora, foi preciso que o nosso conhecido vendedor de banha da cobra, o douto Dr. Rui Moreira, vir esclarecer que este campeonato era de toupeiras e de túneis para se ficar bem ciente da origem da moléstia que grassa no relvado de Alvalade!
De resto, só lhe fica bem tal descoberta, nem menos lhe seria exigível em nome da credibilidade dos seus afazeres. Se ele pretende ser um vendedor sério e credível do seu produto, tem de, ao menos, desencantar nem que seja uma só das moléstias de entre tantas que a sua banha da cobra se propõe sarar ou no mínimo aliviar.

Em Alvalade houve toupeiras. Por uma vez, houve toupeiras que laboram à luz do dia, afanosas, deixando as suas tarefas de sapa na escuridão dos túneis para o seu ex director desportivo e pugilista, tão ex que já não passeia por aquelas cavernas.
Por mais do que uma vez, houve toupeiras que só sabem laborar nos lugares esconsos, fora da luz do dia, ou escondidas sob as beneméritas ajudas arbitrais e outras manigâncias. Estas toupeiras, uma vez a descoberto, em plena luz solar ou dos projectores da iluminação, são ceguetas no seu ofício. Se ainda por cima o homem do apito não lhes deixa malhar no canastro de alguém, ficam tão atarantadas que nem sabem de que terra são.

Em Alvalade também houve túneis. Não, não, Benfiquistas! Não me estou a referir aos túneis de Sá Pinto! Estou a referir-me aos túneis de ontem!
Tanto houve túneis que os jogadores do Sporting houveram por bem, seguindo bons exemplos, esperar pacientemente no relvado enquanto as toupeiras, ceguetas da luz do dia mas trabalhadeiras nos esconderijos dos túneis, estivessem bem amansadas dentro das suas cavernas!

Benfiquistas!

Agora que destes crédito, dai também um pouco da vossa muita compaixão para com a chorona há pouco contratada pelo reino do douto Dr. Rui Moreira! Bem vedes que ela não teve em Alvalade, tal como solicitara, uma arbitragem tão boa como a do dragão, no jogo com os subordinados da pedreira!
Assim, a chorona não pôde cumprir a promessa e dedicar o título ao “incrível” dos murros e das patadas!
Ora bolas, tende um pouco de dó! Até porque o Deco, aquele que também sabe atirar com a chuteira na cara do árbitro “compadre”, já escolheu a chorona para o substituir na selecção do sistema. Uma selecção do sistema da pancadaria bem arregimentada pelo próprio seleccionador!
Assim, fica tudo em família!

E já agora, perguntais. E aquela choramingada travestida de conferência de imprensa pelo Nuno dizem que jogador mas não joga?
Obrigais aquelas toupeiras da verdade desportiva a ter de pedir perdão ao “incrível” macacão por lhe não poderem dedicar o título e cumprir a promessa de ganhar, ganhar?!
Tende dó, também! Vede que o ganhar, ganhar afinal era o perder, perder! E os protestantes, perdão, promitentes, não podem cumprir as suas promessas!
Quereis que a murraça e a patada se virem contra os próprios?!
Afinal de contas, até tendes um pouco de razão! O dito capitão da toupeirama até já deu o exemplo! Mas não deixa de ser “perverso” que permitais que aquilo vire uma tourada de toupeiras!
É verdade que tenho uma alternativa! Não sei se estais de acordo! De todo o modo, eu proponho que os choramingas e promitentes do título cheguem junto do “incrível” pugilista e lhe dêem um canudo em vez do falhado título! Que o peçam aos subordinados de Braga e, assim, aquele já pode ver o título do campeonato, estão a perceber?!

E finalmente, o meu último pedido, Benfiquistas!

Dai também um pouco da vossa imensa compaixão ao professor Jesualdo! Compensai-o da insensibilidade do “lagarto” atrevidote que não o atendeu no seu pedido, “deixem-nos jogar”!
Aqui para nós, devo dizer-vos que foi bem-feita a desfeita do “lagarto”! Afinal, para quê deixar jogar umas toupeiras que da bola não percebem nada? Ainda se fosse jogar ao soco, ao murro e à patada!
Bem, de qualquer modo não vos fica nada mal, Benfiquistas, um pouco de compaixão!

Está na nossa índole, na nossa essência, sermos grandes!
Sejamo-lo, Benfiquistas, também na hora do velório do título!

domingo, 28 de fevereiro de 2010

OS COMPLEXOS SPORTINGUISTAS

Alguns jornais têm ultimamente abordado estar em marcha um entendimento entre Sporting e FC Porto na tentativa de lançarem um candidato comum à presidência da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.
Da parte do FC Porto, percebe-se essa tentativa de aliança. Os seus dirigentes deixaram de poder influenciar as orientações e decisões do actual presidente da Liga, como o fizeram durante anos a fio desde há quase três décadas para cá. Diga-se que não é tanto a presidência que interessa mas essencialmente o poder de influenciar a Comissão de Arbitragem e a Comissão de Disciplina aquilo que, verdadeiramente, está na mira de quem não soube e não sabe fazer outra coisa para vencer dentro dos campos de futebol.
Foi essa independência face ao FC Porto que o actual presidente da Liga conseguiu impor de alguma forma, não apenas na presidência da Liga mas muito mais nas comissões de arbitragem e disciplina, que levaram a que, quer o FC Porto, quer o seu presidente, fossem condenados, ainda que levemente face aos seus procedimentos de décadas, por desrespeito à verdade desportiva, condenação advinda de uma tentativa de corrupção de árbitros.

E o Sporting?

Convém não esquecer que os presidentes da liga e da comissão de arbitragem são sportinguistas confessos e que ambos foram por ele apoiados na sua eleição e ou nomeação para os respectivos cargos.
Porém, o grande mal do Sporting – e do FC Porto, naturalmente – foi que, tanto Hermínio Loureiro como Vítor Pereira têm mantido, ou tentado manter, uma independência de algum relevo. Mais importante do que isso, Hermínio Loureiro sempre disse e defendeu que, com ele na presidência da Liga, as comissões de arbitragem e de disciplina gozariam da independência funcional própria de órgãos que decidem.
É claro que não é isto o que o FC Porto, e também o Sporting via reboque daquele, pretendem mas uma dependência à Valentim Loureiro para que, por via do presidente, a sua influência naquelas duas comissões se demonstre concretamente na ajuda desejada.

O FC Porto quer ganhar a qualquer preço e, para isso, tem de derrubar o Benfica, apoucá-lo com medidas disciplinares e arbitrais, porque sabe bem que o enorme poderio de um Benfica económica e financeiramente saudável, aliado à sua grandeza advinda da enorme implantação popular, a nível nacional e mesmo mundial, só pode ter como corolário as vitórias desportivas.
Num desporto sério, permanentemente neutro de influências espúrias que desvirtuem a sua verdade desportiva, o Benfica só não ganhará se ele próprio de enfraquecer a si mesmo ou se outrem o enfraquecer por virtude essencialmente do desvirtuamento da verdade desportiva.
O FC Porto demonstrou já sobejamente como ganhar através de meios ínvios que são do conhecimento geral através das escutas telefónicas do apito dourado que nos patentearam apenas uma amostra dos esconsos subterrâneos que foram percorridos para esse efeito.

Mas, e o Sporting, interrogamo-nos de novo?

O Sporting assistiu, tal como todos os outros desportistas, ao assalto ao poder dos órgãos de decisão do futebol e não só, levado a cabo pela actual presidência do FC Porto. Conhece bem os meandros escuros desse assalto, até porque teve um presidente – João Rocha – que verticalmente declinou a contratação de um treinador – José Maria Pedroto – quando este lhe disse e quase exigiu o que era necessário para torpedear a verdade desportiva e ganhar através da trapaça e da mentira.

A recusa de João Rocha teve efeitos ao nível das vitórias do Sporting e do FC Porto porque este aproveitou, precisamente, aquilo que a verticalidade de Sportinguistas como João Rocha rejeitaram. Começou aí o seu degredo de vitórias até que Pinto da Costa conseguiu aliar os sportinguistas para a sua, dele, causa, através de Roquette e do respectivo pacto.
A solução apareceu fácil. O Sporting sempre demonstrou um complexo de pretensa superioridade genética face ao Benfica, clube de raiz popular. O Sporting sempre demonstrou um enorme complexo de inferioridade face ao Benfica por mor das vitórias deste e da sua implantação cada vez mais vasta nos meios populares.

Mas, por quê a aliança descarada com o FC Porto nos últimos tempos?

O Benfica nunca antes desviou quaisquer jogadores do Sporting. Pelo contrário, foi o Sporting que, em tempos já longínquos, foi buscar quase toda a equipa do Benfica para conseguir vencer alguma coisa e nem assim conseguiu muito.
Não foi o Benfica que destronou o Sporting do segundo lugar nacional, quer em vitórias, quer em simpatizantes. Ou foi ele próprio porque se deixou manipular, por acção ou por omissão, ou foi o FC Porto, com grande ajuda sua, dele, Sporting.

Por outro lado, o FC Porto sempre torpedeou o Sporting, especialmente desde o consulado de Pinto da Costa, quando e sempre que a ocasião se revelou propícia.
O FC Porto “roubou-lhe” o melhor jogador de Portugal durante anos largos – Paulo Futre – assim conquistando vitórias e títulos, bem como desafogo financeiro e económico, à custa do Sporting!
Para só falar em tempos mais próximos, o FC Porto desviou-lhe jogadores como Paulo Assumpção que se vieram a revelar importantes em conquistas internas e externas.
E desviou-lhe, há bem pouco tempo, Ruben Micael que era bem mais importante, futebolística e economicamente, do que um Pongolle que entrou para as reservas.
O FC Porto, através do seu presidente, sempre torpedeou o Sporting, apesar do pacto, conforme se comprova pelas escutas telefónicas. Foi o pedido de sumaríssimo a Liedson, foi a humilhação própria de um pulha ao seu dedicado roupeiro, foi a humilhação pública ao seu actual presidente, através da recusa em cumprimentá-lo, deixando-o de “mão no ar” e gabando-se publicamente do feito.

Há um facto que parece indesmentível. O actual Sporting, em especial grande parte dos seus “notáveis”, perdeu toda a sua identidade. E perdeu-a, quer através do seu incompreensível complexo de inferioridade face ao Benfica que mal nenhum lhe fez a não ser ganhar com as armas da verdade desportiva, quer através da sua subordinação canina apenas na ânsia de comer algumas migalhas que sobejem da “mesa” do presidente do FC Porto e, com isso, mitigar e sublimar aquele seu complexo de inferioridade.

Os Sportinguistas não querem ganhar desportivamente, querem apenas ficar à frente do Benfica e, com isso, sentirem que ganharam ao Benfica. Há mesmo sportinguistas que não se importam de ficar classificados no penúltimo lugar da tabela, se o Benfica ficar atrás deles.
Por isso, Bettencourt nunca atirou as culpas para dentro, a não ser ultimamente em pequenos flashes. A culpa dos maus resultados desportivos da sua equipa de futebol provinha apenas da euforia das vitórias do Benfica e dos seus adeptos. Temos a impressão de que, se o Benfica hipoteticamente ainda estivesse pior, os dirigentes sportinguistas manter-se-iam descansadinhos à sombra da sua submissão ao FC Porto.

Não nos admiramos, pois, que os dirigentes sportinguistas busquem de novo o encosto às manigâncias desportivas, através da ajuda ao FC Porto do controlo dos órgãos da Liga, em especial das comissões de arbitragem e disciplina. Não é que o Sporting pense que venha a conseguir muitas vitórias desportivas. Nalgum recôndito escuro deverá ter pequena dose de sagacidade para saber que o FC Porto só lhe concederá, como o passado o comprova, as migalhas que não quiser ou não puder comer. O Sporting apenas procura que o FC Porto volte a ser rei e senhor absoluto, destronando o Benfica por meios ínvios da verdade desportiva e, à sombra daquele, acoitar-se para ficar à frente deste.

O FC Porto, sabem-no alguns sportinguistas mas não os seus dirigentes – ou demonstram que não – só concederá aquilo que não quiser. O Sporting é, para os dirigentes do FC Porto, apenas e só o trampolim para o domínio dos órgãos dirigentes do futebol nacional que eles não querem de modo algum independentes.
E quando e sempre que for necessário, o FC Porto pisará o Sporting e deixá-lo-á à beira da valeta, quando ele já lhe não for de préstimo algum.

Mas os dirigentes do Sporting não se importam. Eles já demonstraram que podem ser pisados e aviltados por Pinto da Costa. Não têm amor próprio. Seguem o adágio dos tristes e dos sem verticalidade ou orgulho, “quanto mais me bates mais gosto de ti”.
Por isso, pensamos que o último apelo de uma associação de adeptos sportinguista para que Bettencourt não receba Pinto da Costa com “especial cordialidade”, mas apenas com aquela formalidade devida nos espectáculos desportivos, caia em saco roto.

Bettencourt também já deu sobejas mostras de que prefere que a sua equipa perca hoje do que arredar o seu “amigo” da luta pelo título nacional.
Bettencourt é dos que acham que a luta da sua equipa pelo quarto lugar é menos importante do que impedir que o Benfica seja campeão.
É a sua demonstração de fidelidade canina a quem lhe dá pontapés no rabo sempre que o entenda conveniente.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

A promoção da hipocrisia, da mentira e da violência.

Diz-se que as gerações mais antigas convivem dificilmente com as novas, que aquelas não acompanharam o evoluir dos tempos, as mudanças verificadas, que ficaram enquistadas nas suas tradições.
Pode até ser e não me custa admiti-lo. Todavia, eu e muitos outros do meu tempo ou com mais anos de vida convivemos muito bem com a modernidade, com as metamorfoses do tempo, com o sentir genuinamente puro das novas gerações, com os seus anseios mais profundos, com muitas das suas novas visões do mundo e dos costumes.

Houve, é evidente, grandes mudanças nos costumes sociais. Tais mudanças atingiram mesmo o conteúdo de princípios de vida, rompendo com tradições e adaptando-as à evolução dos novos tempos.

Nenhuma destas revoluções nos costumes e nos princípios me causa qualquer engulho. Há, inclusive, princípios que numa determinada época podem mesmo ser considerados de valores éticos e noutra não.
No entanto, de uma coisa estou seguro. Continua a haver princípios fundamentais da ética que são perenes, intemporais, imutáveis. São princípios fundamentais da pessoa humana, valores absolutos que continuam a ser defendidos por (quase) todos, já que eles consubstanciam o humanismo dos seres racionais.
Princípios como a verdade, a verticalidade, a seriedade, a honradez, o respeito integral pela pessoa humana nas suas vertentes física e moral, não mudaram e não mudarão, enquanto houver humanismo nos seres racionais.

Em todos os tempos também houve sempre os que não se adaptavam ao respeito por estes princípios. Eram franjas da sociedade que a sociedade rejeitava, conquanto mantivesse, ao lado de uma reacção de punição, de prevenção e de reparação, também uma postura humanista de reinserção.
Mas o que não havia – e não se crê que haja, tratando-se apenas de uma franja sem vergonha – era uma excepção de reacção àqueles princípios e de promoção social de (falsos) valores como os da hipocrisia, da mentira, da negação da verdade, da valorização da violência, da desonestidade, do desrespeito, enfim, pela pessoa humana.
E então no desporto, considerada escola de virtudes, essa rejeição de valores e a promoção da anti ética assumem ainda mais relevância, consolidando-se num total desrespeito pelos valores éticos fundamentais e imutáveis.

Como se pode entender, então, que uma associação de pessoas humanas, um sindicato, possa atribuir um prémio “fairplay” a uma equipa de futebol – sem o menor respeito pelos jogadores que não intervieram nem “acolheram” os comportamentos de desrespeito pela pessoa humana – que tem três jogadores que, à vista de todos, se envolveram em agressões a outras pessoas, num jogo de futebol?
Só pode ser mesmo considerado um estímulo à promoção da violência, conjuntamente com uma aprovação implícita, mas não menos clara, de agressões a outros seres, alguns, colegas de profissão e também jogadores que àquela associação igualmente competia defender.
Aquela associação pode ser um sindicato de jogadores mas, com toda a certeza e face aos valores éticos e profissionais que estão aqui em causa não é uma associação que, com tais atitudes, seja defensora daqueles que supostamente quer defender e que, quiçá, teria ao menos o dever ético de defender.

Também é uma negação de valores éticos fundamentais e, pelo contrário, uma promoção da hipocrisia, da mentira e do desrespeito pela pessoa humana, em conjugação com um branqueamento de actos de violência ou corrupção, aquilo a que se tem assistido ultimamente relativamente a certos comportamentos ligados a um clube de futebol que se diz de grande mas que tem sido apoucado com atitudes pequeninas, seja pelos seus dirigentes, seja por alguns serventuários que tentam um branqueamento daquelas atitudes, sem se importarem com a promoção de actos imorais que as sua condutas comportam.
Estamos a referir-nos àqueles que se insurgem contra as escutas telefónicas do apito dourado apenas porque, segundo entendem, tais escutas não são juridicamente válidas, tentando branquear os comportamentos atentatórios dos valores da verdade e da honestidade.
E àqueles que pensam que se pode atentar impunemente contra a integridade física de alguém, escapando à punição devida porque este alguém tem um certo estatuto jurídico, como se este estatuto, qualquer que fosse, lhe retirasse a sua natureza de pessoa humana.

Promover conferências de imprensa ou manifestações pela verdade desportiva quando se está condenado, precisamente, por desrespeito a essa mesma verdade desportiva é o cúmulo da hipocrisia e do cinismo, uma pantomima do ridículo e da desonestidade intelectual no seu grau mais puro.

Esta autêntica “revolução” promovida nos valores éticos fundamentais da pessoa humana não é uma revolução das gerações actuais, uma consequência do natural evoluir civilizacional.
É apenas um golpe de mão de meia dúzia de seres que perderam toda a (pouca) vergonha que alguma vez possuíram e que querem subverter tais princípios éticos moldando-os às suas conveniências de despudorado arrimo de valores atentatórios de toda a decência humana.
Seres para quem a vergonha e a verdade se transformaram em hipocrisia e mentira.

As novas gerações contemporâneas rejeitam tanto esta negação dos valores fundamentais da pessoa humana quanto as gerações passadas!
As novas gerações actuais rejeitam a imbecilidade, guia da mentira e da pouca-vergonha!
São idealistas, sabem pensar pela sua cabeça e não têm memória curta nem são marionetas de salafrários detergentes das imundices de algumas atitudes e consciências.
Mantêm no seu ideário natural a defesa daqueles valores civilizacionais que foram sendo transmitidos geracionalmente ao longo dos séculos.

Os que hipocritamente negam estes valores, em defesa de uma sua conveniência aviltante, momentânea ou duradoira, são franjas que não conseguem adequar-se à ética do viver comum e que, como dizia o Presidente Luís Filipe Vieira, há que combater no plano dos princípios éticos para que se sujeitem a essa mesma ética, reparando devidamente o mal que fizeram e fazem à sociedade que os rodeia.

Pessoas e clubes que querem ganhar a todo o custo, pisando a verdade e a justiça à sombra do seu cinismo hipócrita e mentiroso, são seres abjectos que nunca souberam ganhar, quanto mais perder.
São seres para os quais a História não guardará qualquer lugar de relevo.
Nem sequer aquela história que eles impudicamente inventaram.