sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A BANHA DA COBRA DO SENHOR DR. RUI MOREIRA

Segundo rezam as crónicas, o Excelentíssimo Senhor Dr. Rui Moreira é actualmente o presidente da associação dos comerciantes do Porto. Segundo rezam as mesmas crónicas e os almanaques mais ilustrados, um comerciante é aquele que faz comércio, ou seja, aquele que compra e vende coisas.
Podemos, por isso, concluir sem grande erro e vendo a coisa apenas pelo lado da venda – o objectivo primordial de um comerciante, já que ele compra apenas para vender – que o Dr. Rui Moreira é chefe dos vendedores.

Desconhecemos se o Senhor Dr. Rui Moreira se dedicava e dedica a algum ramo de comércio específico, para além do actual e conhecido. Sabemos, isso sim, que ele já era vendedor antes de o ser. Isto é, ele já vendia antes de ser presidente da associação dos vendedores.

Sabíamos e sabemos que o Senhor Dr. Rui Moreira era e é vendedor da chamada banha da cobra. Não a banha da cobra que, nos tempos da minha meninice, aparecia a ser vendida por um vendedor de furgoneta e microfone bastante rústico no adro da minha igreja à saída da missa.
Se bem que a fartura de curas anunciadas fizesse o pobre do doente desconfiar, havia sempre algum mérito no anúncio, mérito da banha da cobra e das suas curas milagrosas. A verdade é que tais anúncios, catitas no meu entendimento de criança, seja pelo aparato, seja pelas recomendações, diga-se, se destinavam mais aos sãos que saíam da missa – os doentes mesmo doentes ficavam, em regra, junto ao borralho, no Inverno, ou à sombra dos vãos das portas, no Verão – que, nesse preciso momento, todos se sentiam doentes, ou do fígado, ou dos rins, ou do coração, ou da cabeça, ou de outra parte do corpo qualquer, uma vez que a simples menção das doenças e das curas milagrosas anunciadas era o bastante para o aparecimento das enfermidades.
Era, contudo, uma missão de certo modo nobre a dos vendedores da banha da cobra curativa, que eles conseguiam, normalmente, dar um pouco de saúde à sua carteira antes de partirem para nova missa.

O Senhor Dr. Rui Moreira, não. A venda da banha da cobra que vem fazendo desde há vários anos destina-se apenas a tentar curar o dom da visão das gentes sãs com a cegueira sobre as manigâncias que o reino da corrupção desportiva portuguesa foi semeando de ruindade quanto à verdade desportiva.
O Senhor Dr. Rui Moreira não vende banha da cobra para curar maleitas, vende banha da cobra para provocar enfermidades, para fazer lavagens ao cérebro de gentes com siso. A banha da cobra do Senhor Dr. Rui Moreira é um detergente destinado a lavar todas as batotices desportivas perpetradas pelo “papa” dirigente do seu clube. É um detergente destinado a lavar a corrupção, o compadrio, o nepotismo e o tráfico de influências, com o objectivo de tornar enfermas as pessoas de sã virtude.

Os vendedores da banha da cobra são, por certo, vendedores de muita fantasia e, para isso, desdobram a sua imaginação num mundo de superstições devaneantes.
Eram assim os da minha infância, é assim o Senhor Dr. Rui Moreira.

Na sua venda da banha da cobra semanal, o Senhor Dr. Rui Moreira desdobra-se tanto na sua acção de detergente como na sua acção negatória das evidências, procurando atirar sobre outrem o nojo das acções do seu “papa”, assim as fazendo suas também.
Portanto, quando ele escreve que o apito dourado “apontou numa certa direcção”, isso foi devido a “certas conveniências”. Tal como os verdadeiros vendedores de banha da cobra vão dando os seus palpites sobre as curas, que podem não ser possíveis porque o enfermo resolveu tomar uns copitos à refeição, assim vai indo o Senhor Dr. Rui Moreira que confessa terem surgido do famoso apito “factos que nada têm de recomendáveis” mas não publicitou banha da cobra que os condenasse. Pelo contrário, apenas soube apregoar esponja que os arquivasse na memória das gentes.

Não sei agora bem em que ano “deu à luz” o apito dourado. Sei apenas que ele teve por base factos investigados referentes à época futebolística de 2003/2004. Se o Senhor Dr. Rui Moreira não devaneia neste ponto de venda, talvez que tenha dado “à costa” logo no fim da época referida, o que me parece apressado demais.
A verdade é que, de acordo com a banha da cobra que tenta hoje vender em “a bola”, o Senhor Dr. Rui Moreira dá como certo que os árbitros se “sentiram condicionados” logo na época de 2004/2005, um facto curiosamente coincidente com a época em que o Benfica foi campeão.
Sentindo-se eles “condicionados”, na dúvida “era sempre contra o FC Porto”...

Por acaso, eu também pressenti o Senhor Olegário Benquerença “condicionado” pelo apito dourado nessa época de 2004/2005. Tão pressionado que, no início da segunda parte do jogo Benfica-FC Porto, ainda em 2004, perdoou um penalti ao seu clube, assinalado por toda a imprensa e que colocaria o jogador que o provocou a tomar banho mais cedo.
Depois, ainda “condicionado” pelo apito dourado, só tal árbitro não viu ou negou o golo a Petit, aquele golo que Vítor Baía defendeu bem dentro da sua baliza.

Caros leitores, um comerciante é, por definição genética, um vendedor de pequenos truques que valorizem a sua mercadoria e alentem a sua venda. Tais pequenos truques apenas podem provocar lesões na sua consciência moral, já que, sendo ontologicamente imanentes ao negócio, são desculpáveis na área jurídica.
Tal se passa com os vendedores da banha da cobra.

Podem dizer que o Senhor Dr. Rui Moreira é mais refinado na publicidade do seu produto. Reparem que, ao contrário de todos os outros, vendedores de banha da cobra ou respeitáveis cidadãos da verdade, ele diz que o golo com que o Benfica derrotou o FC Porto esta época foi “precedido de um fora de jogo evidente”!
O truque do “evidente” insere-se na sua venda da banha da cobra e é, por conseguinte, desculpável à luz da razoabilidade que se concede às toleimas da profissão. Já o “fora de jogo” é um truque de uma imaginariamente doentia massa cinzenta tal que leva todas as pessoas sãs a rejeitarem a mesma banha da cobra.

Não se pense, todavia, que o Senhor Dr. Rui Moreira apenas pretende vender banha da cobra para curar as mentes enfermiças do reino de corrupção punida por tentativa a que ele pertence por causa da pujança futebolística da Águia. Como todo o bom vendedor de banha da cobra, ele alarga sempre, ou pretende fazer ver que alarga, a sua publicitária mensagem à cura de todas as doenças de que padecem os seus.
Por isso, assim a modos de uma jura de fé, acrescenta que não deixará de estar atento “a todas as circunstâncias em que o Braga for beneficiado”.

Pois é, mas se julgáveis, caros leitores, que ele dedicaria alguma linha do seu reportório de vendeiro a falar sobre a bola fora no segundo golo do Braga contra o Marítimo, fazeis bem melhor em considerar aquela sua afirmação como mais um truquezinho das suas mezinhas baratas e desculpá-lo na linha da desculpabilidade dos truques da venda da banha da cobra.
E sabeis bem que sonharíeis se ele ousasse sequer pensar nas suas arengas de vendilhão do reino da corrupção condenada em dirimir sobre os benefícios que o Braga recebeu em outros jogos e, naturalmente, também sobre aquele que disputou com o Benfica.
Mas já achais normal que um tal vendedor de banha da cobra possa considerar “injusto e tendencioso” o castigo aplicado a Vandinho porque o futebolista das patadas talvez devesse ser premiado, quanto mais não fosse por só ter tentado fazer mazela que necessitasse da banha da cobra do Senhor Dr. Rui Moreira.

Num quadro destes, não é estultícia pensar-se estar o vendedor da banha da cobra mais precisado das benesses milagrosas do produto que abona do que os doentes sãos para quem ele faz publicidade dos atributos milagrosos das suas mezinhas.
Mas não é assim com todos os vendedores de banha da cobra?

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A “LINHA” DO PROFESSOR JESUALDO

Ao contrário do árbitro assistente de Braga que ficou baralhado acerca da existência de linhas, o professor Jesualdo vem comprovar que há uma linha no campeonato e que ela “está lançada”. Porém, ou se esqueceu de a assinalar àquele árbitro assistente, ou é uma linha tipo só imaginária que apenas existe nos recônditos do seu pensamento.
Seja como for, podemos concluir que o árbitro assistente de Braga anda fora da linha para andar na linha e o professor Jesualdo anda atrás da linha.

O professor Jesualdo anda efectivamente desfasado do tempo e dos propósitos do mester que é a essência de um professor que se preze. Um professor é, por definição ontológica da sua arte de ensinar os espíritos, um investigador da ciência e da técnica para depois divulgar na transmissão dos seus conhecimentos.
Implica isto que ande à frente da linha e não atrás. É ele que busca a linha, define a linha e a apresenta como linha.
Ora, o campeonato já começou há muito e o que se tem visto é que o professor ainda não teve mão na linha para colocar os seus discípulos na linha. Nos primórdios, o professor foi-se desculpando com o tempo necessário à reconstrução da sua equipa para justificar o péssimo futebol por ela praticado e os consequentes resultados que, se não caíram já no pântano é porque muitos árbitros têm andado na “linha”!

Depois, julgava-se que a linha do professor era ensinar os seus pupilos a praticarem melhor futebol, aquele futebol que os colocaria na linha. Afinal, tem-se assistido à demonstração de um vendaval de artes marciais, e de pugilato mais concretamente, em que os seus discípulos têm mostrado “andar na linha”. Sim, porque nos é difícil acreditar que um professor lhes permita “andar fora da linha”.

Um professor de jogadores de futebol que andasse na linha teria andado à frente da linha, isto é, sabia antes de o ser qual a linha do campeonato que pretende ensinar. Assim, o professor Jesualdo anda muito atrás da linha e quando só agora afirma que a linha do campeonato “está lançada” está a comprovar isso mesmo. Todavia, para um professor que vê ao longe e não ao perto, talvez seja razoável que anda atrás da linha e não na linha ou à frente da linha.

A linha está, com efeito, lançada e corre muito à frente do professor Jesualdo. A Águia Imperial e Majestosa, juntamente com o satélite do seu clube, vão de vento em popa à frente da linha. E é essa linha que o professor Jesualdo só agora descobriu estar lançada, precisamente porque não só anda atrás da linha como fora da linha.

Apartes à parte, o que tem de concluir-se forçosamente das suas declarações sobre a linha e de se sublinhar com a devida vénia é que, na realidade, o professor Jesualdo anda atrás da linha quando devia, pelo seu ofício, andar à frente da linha.
E, claro, assim não consegue “andar na linha” nem fazer com que os seus pupilos “andem na linha”.

Acreditamos que deve ser bem custoso para o professor Jesualdo verificar que à frente da linha andam dois treinadores que nem são professores, enquanto um professor anda completamente fora da linha.
Daí a desculpa do tardio descobrimento do lançamento da linha.

O progenitor do macaco “incrível” é que não tem papas na língua. Provavelmente, “anda na linha” mas na linha traçada pelo professor Jesualdo.
Vejam só o alinhamento da sua tramontana:

«A Liga não está a fazer nada. Devem estar a tomar um cafezinho ou um vinhozinho. Está virando uma pizzaria. Só se reúnem para conversar, beber, gastar e não decidem nada. É uma palhaçada».

Sem mais!
Sendo assim, é claro como água que, com tal progenitura, o macaco “incrível” só pode mesmo “andar na linha”, na linha das artes marciais e do pugilato. E depois, quando alguém o tenta “pôr na linha”, dizem que esse alguém não anda na linha”!

Na “linha” do professor Jesualdo, ou seja, muito atrás da linha, anda também o Senhor Octávio Ribeiro. Tão “alinhado” ele anda que nem reparou se o árbitro assistente de Braga estava “na linha ou fora da linha”. Mas já reparou numa linha bem mais difícil. Reparou que o árbitro do Leixões-FC Porto não andou na linha ao não assinalar o penalti salvador que poderia colocar o FC Porto, se não na linha, pelo menos não tanto atrás da linha.
O Senhor Octávio Ribeiro anda mesmo na linha e nós nunca o ouvimos dizer nada, por exemplo, sobre a expulsão do guardião da União de Leiria por ter levado com a bola na cara, sobre a expulsão do jogador do Paços de Ferreira que dominou a bola com o peito, sobre o penalti cometido pela equipa do FC Porto no jogo contra o Nacional da Madeira, etc, etc.
Um junta letras bem alinhado, o Senhor Octávio Ribeiro.

Bem alinhado também anda o senhor ex-árbitro Coroado que até consegue ver, pela televisão, a linha dos olhos do árbitro assistente que, desviando-os da linha, deixou a bola passar a linha e não alinhou na bola fora da linha.

Já o mesmo se não pode dizer de Madaíl. Este anda efectivamente, desalinhado! E já não é de agora, não, é de sempre. Ou, se quiserem e até talvez seja mais adequado, ele sempre andou fora da linha para andar na linha! Foi o seu expediente, de resto, para manter o seu tacho na linha.
Tão fora da linha ele andou nestes anos todos que nem sequer reparou que a arbitragem e os seus manda chuvas andaram todos “na linha”, naquela linha que o professor Jesualdo viu traçada nos campeonatos anteriores e até neste, apesar de andar muito atrás da linha!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

OS PINOTES DO LEÃO

Parece que o reino do leão acordou do seu marasmo depois de uma longa soneca aos pés do “papa” seu protector das migalhas sobejantes. Ficamos, porém, em dúvida sobre se o seu despertar se deveu aos maus resultados da sua equipa de futebol ou ao facto de o seu “protector” deixar de ter migalhas para o reconfortar porque está num momento de nem migalhas lhe sobejarem para consumo próprio.

Não se pense todavia que a animação que percorre as veias do leão se deve a um estímulo de busca da regeneração. Nesse sentido, o que há a sublinhar é um discurso de auto consolação e de resignação pelo estado actual, acompanhado da promessa de cópia de um modelo organizacional assente no pagamento de viagens de férias, em visitinhas para tomar café e receber aconselhamentos matrimoniais, no serviço “à la carte” de boa “fruta”, e noutras “especialidades” postas em prática pelo seu até aqui protectorado “papal”.
Diga-se, de resto, que tal modelo fora antes renegado mas isso foi quando o promitente prometia em troca de votos.

A animação que agora pulsa no reino do leão é aquela animação própria das comadres e dos compadres quando na casa não existe, nem pão, nem migalhas, neste caso. É uma animação de ralhetes, de acusações, do devia ter sido assim e não assado.

É uma animação que a nós, Benfiquistas, nos dá um gozo de morrer. A vingança serve-se fria e com requinte!
Não que seja a vingança de um qualquer Benfiquista ou do Benfica porque tal coisa é estranha à nossa índole. Nem quando nos desforramos com vitórias nos vingamos.
É a vingança do destino, aquela vingança que advém do provar da “cama” que se preparou. É outra vingança do “papa” e “protector” que completou a seca de mais um eucalipto, coisa que está na génese desta cúria.
Mas, desculpem lá, se nós, Benfiquistas, não somos vingativos, ainda assim gostamos de gozar do panorama!

Desde que há mais de 20 anos o Sporting deixou de ser o segundo clube nacional, houve por bem refugiar-se numa reconfortante resignação, deixando de lhe importar o estatuto e satisfazendo-se apenas numa vitória contra o Benfica ou em ficar pontualmente à sua frente. Foi-lhe sempre mais fácil deixar de encarar essa realidade “estatutária” e negar-se a si próprio no conforto do protectorado que teve honras de formalização no acordo Roquette-Pinto da Costa.
Propagou-se, então, o antibenfiquismo primário entre as hostes sportinguistas como musa emocionalmente inspiradora da sua consolação e resignação. O Sporting começou a comprazer-se menos com os seus parcos triunfos e bem mais com as “desgraças” de um Benfica em reconstrução e fortemente abalado por falta de afirmação da sua identidade que sofrera grande ruptura a partir do reinado de Manuel Damásio, se afundara com Vale e Azevedo e renascera com Manuel Vilarinho e Luís Filipe Vieira, mas ainda com anos de passos trôpegos próprios de uma convalescença difícil.

Dá agora um gozo tremendo aos Benfiquistas que esta ruidosa catrefada de pindéricas personagens lance rugidos de estertor. Quando Bettencourt saloiamente saltitava ao canto do “quem não salta é lampião”, essas mesmas personagens todas se refastelavam num ego de antibenfiquismo próprio dos tristes.
Quando as coisas começaram a trocar os passos lá no reino e a carpidura de Paulo Bento era insuficiente, Bettencourt ainda então achou que o mal não estava no reino mas do outro lado da circular. Era a euforia das vitórias do Benfica a única culpada das desgraças próprias, uma euforia que causava uma depressão, quer na equipa, quer nos adeptos.
Continuava a manifestar-se, também como um elemento de auto comiseração e de aconchego emocional, a pose de superioridade genética que, embora de fatos surrados e bolsos vazios, ia continuando a fortalecer a hostilidade antibenfiquista.

É pungente esta orfandade do leão. Desmamado da teta migalheira do reino “papal” da corrupção desportiva portuguesa, agora já dá pinotes entre as próprias hostes.
E nunca como agora, nós podemos imitar Bettencourt na sua dança saltitona. Vamos lá, Benfiquistas, saltar de alegria porque agora quem salta é, na realidade, um verdadeiro “lampião” e quem se fica nas covas é um rastejante “lagarto”.

O leão adiou o seu último desastre da temporada ao cair do pano. Foi quanto bastou para que o treinador dos autocarros pedisse “um estádio tranquilo” para o jogo da segunda mão.
E Carvalhal tem razão. Ele deve ter lobrigado Sá Pinto nas bancadas. E estava-lhe a mandar um recado explícito e incisivo.

Só podia ser a Sá Pinto, de facto, aquele a quem se dirigia o seu pedido. Sim, porque os adeptos, esses já costumam deixar o estádio do Sporting na tranquilidade dos túmulos pois eles nem aos velórios comparecem.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Estaladas, revoltas e coisas pequeninas

Falou-se aqui há dias de uma estalada de Bruno Alves em Tomás Costa, ambos jogadores do FC Porto. Disse-se que o facto gerou uma grande confusão no balneário “portista” mas o professor Jesualdo veio desmentir, dizendo que estava tudo bem, que o balneário estava sereno.
Com alguma relutância, muita gente quis acreditar no professor. Houve aqueles que afirmaram um castigo na falta de convocação do “estaladeiro” jogador para o jogo seguinte da Taça de Portugal contra o Sporting. E houve mesmo, é certo, até quem especulasse sobre o destinatário das estaladas, uma vez que o próprio suposto agredido também afirmou que com ele não se passara nada. Os mais ousados especuladores deixaram mesmo intuído nas entrelinhas que o professor ou um comparsa da sua equipa de treinamento teriam sido os reais destinatários da refrega.

Mas o professor Jesualdo actualmente muda de opinião num instante. De facto, de “balneário sereno” para a existência de uma “revolta no balneário” houve apenas poucos dias de permeio. Por isso, não se pode levar a coisa muito a mal. Aliás, se quisermos ser justos, temos que louvar a atitude clarificadora do professor Jesualdo. Afinal, há uma revolta no balneário que até já meteu estalada entre os seus ocupantes.

Que toda a gente de boa índole e um pingo de massa cinzenta já sabia da revolta no balneário, também é um facto incontroverso. É, de facto, ainda um facto que aquele balneário é composto de muitos pugilistas, alguns andebolistas e uma pequena dose de jogadores de futebol.
Com uma mistura tão explosiva quanto esta, não pode surpreender ninguém a dita revolta! De resto, os sinais eram evidentes há muito e tiveram o seu episódio mais visível na batalha campal, perdão, “tunal”, a seguir ao jogo da Luz. Que o digam os árbitros que se safaram de boa, mesmo tendo admirado e aplaudido um excelente lance de andebol aéreo em jogo supostamente só de futebol! Que não chegou para apaziguar os ânimos! Compreensivelmente…

E vieram a seguir mais episódios premonitórios. No jogo FC Porto-União de Leiria, os jornais deram notícia de uma pega entre Meireles e Fucile, mesmo durante o jogo, pega essa que foi concretizada por Bruno Alves o qual, colocando-se à frente dos contendores, mostrou-lhes os ferros, perdão, as palmas das mãos e amainou os ímpetos.
Tomás Costa deve ter estado distraído nessa altura e, por descuido, colocou-se mais tarde a jeito!

No meio desta revolta e das suas manifestações pugilísticas, devemos destacar o inocente Álvaro Pereira. De toda a justiça, não se tem falado dos seus presumíveis dotes de artes marciais. Basta relembrar que, acerca das qualidades de Cardozo e de Saviola, disse ser algo que lhe não interessava. Mostrou, por conseguinte, toda a sua pacatez e bonomia.
Ainda bem, não foi, Saviola?

O professor Jesualdo quer ser o herdeiro da carpideira nacional-futebolística Paulo Bento, Paulo Bento mais carpideira forever do que treinador, apesar do “requiem” variadíssimas vezes repetido. O professor Jesualdo talvez pressinta que o seu funeral “forever” de treinador do FC Porto também esteja próximo e vá já preparando a missa do seu velório. É que ele sabe que sairá e não terá direito a exéquias fúnebres como Paulo Bento teve.
De todo o modo, o que importa é que ele vá continuando a carpir as suas mágoas sobre as arbitragens que, sendo amigas do peito do clube que serve, não têm ajudado à “missa” o suficiente, não digo para parar o satélite do seu patrão mas para impedir que a Águia continue a voar lá nas alturas.
As suas carpiduras são bons sinais!


Se o professor Jesualdo não tem sido minimamente coerente com as novenas e com as oferendas, já o seu discípulo rei das estaladas – e de outras coisas, mas nestas só é rei quando tem corpo adversário para malhar – é menos prolixo. Diz o que tem a dizer sem papas na língua, tal e qual como quando tem de malhar no pandeiro de alguém.
Daí que não surpreenda minimamente quando afirma que “as arbitragens não têm favorecido nada”!
Bruno Alves não coloca a falsa questão do prejuízo arbitral. Evidencia a real questão de um menor favorecimento, tendo em conta, como teve, a vivência das circunstâncias concretas. O seu “nada” relativamente aos favorecimentos da arbitragem significa apenas “insuficiente”.
Bruno Alves, ao contrário do professor Jesualdo, foi parco em falácias. Preferiu apelar às evidências e renegar as quimeras.

Não concordo minimamente com Miguel Sousa Tavares quando ele diz que Pinto da Costa é provinciano porque só se sabe meter “com gente pequenina”. Pelo contrário, acho que Pinto da Costa só se sabe meter com gente “grande”!
Veja-se. Já sem falar naqueles “grandes” que o ajudaram na sua anterior “grande” tarefa de esbofetear a aquela que agora é, já tinha sido e fora “ex”, Pinto da Costa amancebou-se com a “grande” primeira dama, agora a grande alternadeira, na palavra de Miguel Sousa Tavares.
Pinto da Costa tinha como seu guarda costas o “grande” homem da noite portuense, agora condenado a uma grande pena de prisão.
E tem ainda como chefe da sua falange de apoio o grande macaco que vive à grande com grandes carros de grandes marcas e que só destoou quando apanhou uma pequena pena porque a sua trupe quis bater na polícia quando, à grande – e à francesa também – se ia refastelando na venda ilícita de bilhetes a grande preço.

Desconheço, portanto, em que é que Pinto da Costa se mete com alguma coisa pequenina.
Pequenina, pequenina, conquanto de grande manigância, talvez só a classificação das suas acções de corrupção desportiva.

Mas, “ó caso grande, estranho e não cuidado”, Miguel Sousa Tavares considera-as grandes acções e nelas repousa a sua grande azáfama de defensor do pequenino Pinto da Costa, com grande alarido contra todos os que as tentam combater porque tais acções são apenas grandes miragens, uma grande cabala de uma “grande” acção concertada entre uns grandes do Ministério Público e o Grande Luís Filipe Vieira!

Pois é, Miguel Sousa Tavares, também há quem considere que, quem nega as evidências e procura atirar sobre outrem o nojo das suas acções é um grande biltre e quem se presta a tudo para defender a corrupção, o compadrio, o nepotismo e o tráfico de influências é um grande escroque.

Afinal, tudo em “grande” no reino “papal”!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

As “manobras” de Salvador e as “criancinhas” de Domingos

Lembro-me desde miúdo – e já lá vão muitos anos – ouvir falar dos célebres fenómenos do Entroncamento. Todavia, parece que eles se começaram a manifestar agora, não naquela localidade mas em outras, umas por razões de circunstância, outra que talvez não seja tanto assim.
E estenderam-se ao futebol, um futebol de que ouvíramos já falar bastante em fenómenos!
Mas não nestes!

Há coisas, de facto, diríamos tão aberrantes que já ficamos na dúvida sobre se os ditos fenómenos se devem à invenção imaginativa de cérebros especiais ou a cegueiras enviesadas num certo sentido e com um certo raio de acção. Por exemplo, pegou moda, ou a deformação das formas do terreno de jogo, ou a criação de regras futebolísticas novas que nada têm a ver com as dimensões desse espaço, conquanto ele continue a aparecer demarcado com linhas brancas.

Perante o que se tem passado esta época na pedreira, parece difícil concluir por uma de duas alternativas: “os árbitros assistentes vêem de menos ou vêem de mais”?
Eu explico!
O árbitro assistente do encontro entre Braga-Marítimo, mesmo junto à bola e à linha que demarcava o terreno de jogo, não viu essa bola para lá da linha ou viu essa linha para lá da bola?
O árbitro assistente, que todos viram pela televisão estar junto ao pugilato dos jogadores do Braga em Cardoso, afastou-se daí quando lhe conveio ou porque já tinha visto tudo o que queria ver?
E viu de menos ou viu de mais que o comum dos mortais?

Esta última questão parece de resposta fácil. Tal árbitro assistente viu de mais, viu mesmo o que mais ninguém viu! Ou, falando mais apropriadamente, viu o contrário do que toda a gente viu!
Toda a gente viu que Cardoso fora o agredido. O árbitro assistente viu que Cardoso fora agressor!
E isto sem esquecer ou ignorar o facto de toda gente ter visto que o árbitro assistente estava a ver e a assistir às agressões em Cardoso.

As incertezas quanto ao raio de visão para os lados da pedreira vão-se, porém, dissipando gradualmente.
Novo exemplo!
Salvador falou há poucos dias em «manobras estranhas e inqualificáveis que estão a ser urdidas nos corredores do poder». Não definiu que manobras eram essas ou a quem aproveitavam.
Todavia, essa dúvida foi agora dissipada. Salvador referia-se nitidamente às “manobras” para aumentar o terreno de jogo necessário a que o Braga marcasse o seu golo da vitória.
Foram, de facto “manobras inqualificáveis urdidas nos corredores do poder”, daquele poder que manda, como certas escutas referem!
“Manda quem pode, obedece quem tem juízo”.

Mas, confesso, podía esperar que Salvador falasse em "manobras". Mas surpreendeu-me que as adjectivasse de "inqualificáveis"!
O leitor facilmente depreenderá a razão.

Há, porém, uma nuance que até pode configurar um caso sintomático de atentado ao pudor. Antes, parece que as “manobras” eram “urdidas” nos quartos! Era aí que, segundo essas escutas, se comia a boa “fruta”!
Segundo Salvador, parece agora que tais “manobras” passaram a ser "urdidas" mesmo nos lugares públicos, isto é, nos lugares de passagem, da “fruta”, dos “fruteiros” e dos garçons e garçonetes!
Em suma, de acordo com as palavras de Salvador, as "manobras" são agora “urdidas” … nos “corredores”!
Será da pressa em saborear a “fruta”?

Domingos tem cara de menino birrento e é um menino birrento. Por isso, conhece bem e sabe como lidar com as criancinhas de que é ama mui apta a cuidar das traquinices dos seus infantes.
Assim foi com Rentería. A criança parece que mijou fora do penico, escapuliu-se à sesta, aceita o bombom que pedira.
Domingos põe a criança de castigo. Cumprido este, a criança vai à escola e deve ter tirado um “bom mais”. Então, apressada, corre para os braços da ama, a chorar, a chorar muito, coitadinha!
Mas diz-se que não era choradeira de alegria, não! Domingos percebe destas coisas! Segundo disse, a criança chorava de arrependimento por ter aceitado a guloseima que suplicara e por não ter dormido a sestinha da praxe como a ama lhe ditara!

Educação é educação! Domingos, menino birrento, sabe apreciar estas atitudes! Sabe quanto custa a satisfação de vontades de criancinhas e meninos de bibe! Quando quis o caneco da bola de prata, também choramingou muito e fez birras que só terminaram quando lhe ofereceram outro caneco parecido!
Mas criança, é criança, não distingue o certo do incerto, o verdadeiro da imitação!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

O PEDALAR DE BETTENCOURT E A FALTA DE PEDALAGEM DO PROFESSOR

Tal como o Benfica – e até o FC Porto em menor escala – o Sporting já foi um clube ecléctico. Praticava uma série de modalidades ditas amadoras entre as quais se destacavam o ciclismo, o basquetebol e o hóquei em patins, para referir as mais conhecidas e que já há anos não pratica. De referir que no ciclismo, o Sporting foi internamente muito forte com corredores como João Roque, Joaquim Agostinho e Marco Chagas.
Nos tempos que correm, o Sporting pratica o andebol, o futsal e o atletismo como modalidades mais conhecidas. Mas os seus dirigentes afirmam que continua a ser a instituição desportiva mais ecléctica do país, apresentando cerca de 30 modalidades desportivas que pratica, conhecidas, poucas, desconhecidas, muitas!
Delas sobressaem a canastra, a sueca e a bisca lambida, bem como algumas mais do género.

Mas a coisa vai mudar e … melhorar! Com Bettencourt, tudo no Sporting tem mudado e … melhorado, graças a Deus!
Graças a Deus é como quem diz! Graças a Bettencourt! Foi Bettencourt quem introduziu a dança saltitona a enaltecer o “lampião” e a dança da maraca folclórica, mais duas modalidades expoentes do ecletismo do seu clube.

Bem, mas isso foi nas alturas em que no reino do leão se respirava confiança na comezaina das migalhas sobrantes da mesa do “papa”. Depois … depois a mesa do “papa” viu-se minguada pelo devorar insaciável da Águia Imperial e já só se consola com as migalhas que antes rejeitava e iam alimentando o leão tornado cordeiro! Ou galinha … talvez mais galinha do que cordeiro por causa da natureza das sobras.

O leão começou, todavia, a entrar em depressão. Toda a gente já sabia que a causa eram as bicadas em forma da Águia Insaciável, de novo Rainha dos Céus. Mas Bettencourt achou por bem demonstrá-lo, num despudor aperreado de sentido proibitivo.
Era lá admissível o voo da Águia e a euforia dos seus adeptos?!!!

De deprimido, o leão passou a esperançoso! Depois de muito criticar em quem o ousara deprimir, Bettencourt, fez um velório ao seu treinador “forever”, adestrou-se na arte do pugilato, arregaçou as mangas, cresceu para o adepto, exorcizou as hastes declamando alto e bom som que não era corno, combateu os terroristas e foi-se às compras com sorrisinhos e novas promessas de muitas alegrias.
A estas manifestações de humor chamam os entendidos de doença bipolar mas Bettencourt não sabe disso! Compras feitas, sorrisos esperançosos, numa boa, ei-lo de partida para férias a fim de gozar devidamente o seu novo período de melhorias humorosas.
Pelo meio, mais uma modalidade se desenhou no imenso eclectismo do leão. O pugilato forte e feio entre o seu director desportivo e o dono do balneário.

No entretanto, o leão leva dois piparotes de estalo, o primeiro a dizer definitivamente adeus à miragem do título, o segundo colocando-o fora da carroça da Taça de Portugal, bem recheado, não de migalhas mas com uma abada de golos no papo.
Bettencourt regressa apressado para ver “in loco” o leão voltar a ser estraçalhado, agora pelas bicadas da Águia Imperial e no seu covil … ou poleiro!

A baderna em que há anos o leão se vinha transformando alcançava agora o seu zénite. Numa semana, o leão perdia quase tudo! Quase tudo e não tudo porque é preciso deixar alguma coisa para gozo de inglês, tão debicado pela mesma Águia Altiva ele fora na sua anterior viagem.

Bettencourt, de novo na fase da depressão, é, no entanto, um leão corajoso nas promessas. E ei-lo na pedalagem! É de novo o ciclismo que Bettencourt quer implementar no reino do leão?
A promessa está feita. O Sporting “terá de pedalar muito”, preconiza ele na sua prédica dos mal-aventurados! Não tem Joaquim Agostinho nem Marco Chagas, mas incentiva à pedalagem. Com uma organização à Pinto da Costa – que tem a bondade de deixar muitos milhões de euro na conta bancária privada, mesmo em ano de fortes prejuízos – agora sem medo de escutas porque a justiça civil portuguesa é benemérita … e cega!

Organização à Pinto da Costa, conjuntamente com o incremento da nova modalidade do pedalar, pedalar, Bettencourt está de novo de peito feito!
Como diz Quintela e como já vão dizendo abertamente outros sportinguistas, é verdade que o Sporting não fala nas escutas mas devia falar das escutas.
Mas isso não incomoda Bettencourt tal como o não incomoda ficar de mão no ar… Ídolo é ídolo e se Bettencourt não consegue chegar a mais, fica-se pelo desejo e pela promessa do desejo.
E assim se vai consumindo, e ao leão, na sua vivência bipolar. É o merecimento devido a quem se arrasta na pedincha do lugar de sacristão do “reino papal”.

E a Águia Gloriosa, e toda a sua prole mui numerosa nos quatro cantos do mundo, bem se refastela com as bicadas e com o seu olhar lá do alto sobre o leão rastejante cá nos baixos.


Com o “papa” castigado, é o professor pitosga o mais lídimo porta-voz da agremiação regionalista e condenada na justiça desportiva por corrupção desportiva tentada.
A Taça da Liga já se vem disputando há meses e há meses que se destinou o estádio do Algarve para disputar a sua final.
Independentemente da bondade deste “destino”, se alguém queria comentar, que comentasse em tempo oportuno. Agora, comentar só depois de saber que era um dos que lá conseguiram assento, parece e é desculpa de mau pagador.

Compreende-se, porém, que a desculpa não seja assim tanto ou quanto descabida. Aliás, a agremiação condenada define-se a si própria, nos actos, nos comportamentos … e nas palavras! É, pois, perfeitamente compreensível que se sinta desconfortável com a deslocação dos seus adeptos.
Por vezes, o professor pitosga pode ter um hiato, conquanto não consciente, na sua estrábica visão das coisas e definir a situação de acordo com a realidade dos factos. O professor pitosga teve, pois, um intervalo de bom senso ao reconhecer, implícita mas bem distintamente, que a agremiação que lhe paga é uma agremiação de âmbito menos do que regional, uma agremiação localizada num recanto de uma cidade.
Por isso, se quer ter adeptos no Algarve, tem de os transportar desse recanto citadino.

O Benfica não precisa disso, joga em qualquer parte do país e do mundo e tem sempre adeptos. Mas é precisamente este pormenor relevante o que distingue os Grandes daqueles que, apregoando-o em seus desejos, apenas são pequeninos na sua acção.
Logo, quando se lhes depara um acontecimento fora do seu recanto acanhado, só podem mesmo dar a conhecer a sua pequenez.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

“FUTEPUGILATO” NACIONAL E BOBICES DE ENCOMENDA

Salvador e o seu Braga não param de nos divertir com as suas truanices mais ou menos pindéricas. Salvador alimenta o folclore provinciano do “papa”, com este remetido ao silêncio. As suas “manobras estranhas e inqualificáveis que estão a ser urdidas nos corredores” … são um facto. Salvador só não disse abertamente em que corredores estavam tais manobras a ser urdidas mas também não era preciso. Basta analisar, ademais, sem grande profundidade ser necessária, para facilmente intuir que são os “corredores” da sua mente os que, entupidos pela catequese “pintista”, não dão guarida a qualquer resquício de bom senso.
A questão das relações de amizade e simpatia entre Rentería e o seu anterior preparador físico é o novo mote das palermices bracarenses. Salvador nem sequer tem o tino de pensar que, se o jogador estava em estágio e lhe era obrigação não sair do recolhimento, então que se arremine contra ele ou, em última análise, contra os seus empregados que não exerceram como deviam a guarda que queria impor.
Rentería já não é nenhum catraio que precise de outrem para bem se saber comportar. E não se comportou mal a seguir, que dizem ter feito o golo mais bonito da sua equipa.
De resto, o pretexto é tão ridículo quanto as suas palhaçadas. Salvador virou bobo da corte e quer bem fazer o seu mester. E se quer plateia, oferece o “lanche” de borla. 30 mil de folguedos gratuitos! O Braga não precisa de pagar a “pedreira”, tais contas são com a Câmara e esta é benemérita. Pagam os munícipes, quer queiram, quer não! Mas dá para fazer a festa! E resulta! Até já há um diário desportivo que fala em “banho de multidão” … e contabiliza 100 pessoas!
Para debicar contra um clube – que, diga-se, não lhe ligou patavina, de resto, conforme à ridicularia da farsa teatral – que costuma ter em média, e não num jogo apenas, 50 mil pessoas no seu estádio a pagar, não de borla, e 5 mil no treino, não deixa de ser sintomático!…
Acrescente-se, porém, que em Braga tem chovido muito! É fácil, assim, apanhar um bom banho… Alguém daquele diário desportivo até já devia estar com a cabeça um pouco amolecida!

Não restam quaisquer dúvidas de que o futebol português inaugurou uma nova era, a era do pugilato e da patada.
Houve em tempos não muito idos um seleccionador que, quando deu por ela, estava no chão agarrado aos queixos. Gratificações adequadas ao não seleccionamento do pugilista “in casu”.
Aqui há poucos anos, o seleccionador nacional “cortou a fita” dos treinadores e pegou-se com um adversário. Mas talvez tenha seguido o exemplo dos corta fitas dos governos portugueses e feito só uma pré inauguração, deixando para depois o acabamento dos “acessos”.
Esta época, não, a inauguração não foi um mero pró-forma mas uma actuação modelar, um desempenho de execução continuada, um “modus faciendi” aprimorado.
Em Braga os jogadores da equipa local demonstraram toda a sua arte no pugilato e na patada contra Óscar Cardoso e Raul José!
Os jogadores do FC Porto não se ficam nas “covas” – seria uma desconsideração serem apenas os satélites a fazerem a demonstração das novas artes futebolísticas – agora sobre os seguranças que, querendo-os segurar e salvar a pele dos árbitros, acabaram sem segurança a servir de sacos de treino!
Num balneário esverdeado, se as vitórias são parcas, farto é o arraial que tem como figurantes director desportivo e jogador mal direccionado!
Segue-se aquele inestimável jogador do FC Porto, perito nos arraiais de pancada sobre os adversários. Se não tem adversário, vai de estaleca nas ventas do colega!
Para não destoar – mal parecia o treinador do sistema ficar fora do sistema – é de novo o seleccionador nacional, o actual não o antigo, quem parte para a demonstração cabal da arte do pugilismo! Diz quem assistiu, uma assistência VIP, assinale-se, que, se méritos futebolísticos se lhe não conheciam, a demonstração de pugilato parece ter convencido!
A África do Sul, todavia, já está ataviada com tais conhecimentos e, por conseguinte, já não teme o novel pugilista. Ele já passou por tais paragens, conquanto tivesse sido reenviado à procedência em tempo oportuno para os sul africanos!

Dizem que José António Saraiva é arquitecto mas não se lhe conhece obra no ramo. É, no entanto, um comentador bem aperaltado na sua escrita.
Aperaltado e prestimoso é também ele desde que começou a cronicar naquele diário desportivo dos “banhos de multidão”. Comenta quase sempre sobre o Benfica, que não é atoleimado ao ponto de não desejar que a sua escrita, na forma e no conteúdo, passe completamente desapercebida. E sempre no seu estilo sentencioso.
Desta vez, sob o título “Benfica quebrou?”, sentencia que o Benfica pode ter perdido em Setúbal o título de campeão. Por quê?
Porque no princípio o Benfica atacava com muitos e defendia com muitos e agora já não!
Mas José António Saraiva vai mais longe, relembra a sua judicatura de há três meses e a sentença que então proferiu. Escreve ele que seria “muito difícil ao Benfica manter o ritmo. Jesus fez um início de campeonato deslumbrante, mas puxou talvez demais pelos jogadores (alguns muito frágeis fisicamente). Agora o desgaste está a cobrar a factura.”
Depois ainda tece algumas considerações sobre certos jogadores.
Diga-se abonadamente que José António Saraiva coloca as questões a sim a modos que, se não é gato, é gata! É certo que o Benfica pode ter perdido o título em Setúbal, como o pode ter perdido com o Marítimo na primeira jornada, como o pode ter perdido com o Sporting, em Olhão, na “pedreira”, etc, etc. Até o pode ter perdido no jogo que ganhou ao FC Porto apenas por 1-0 e porque o árbitro não assinalou a grande penalidade escandalosa por mão do cebola. Igualmente, no penalti falhado pelo Leiria nos descontos do seu jogo com o FC Porto! Ou no golo com a mão de Falcão ao Paços de Ferreira!
Por outro lado, também é verdade que pode ter ganho o mesmo título com a vitória ao FC Porto na Luz, com a vitória sobre o Guimarães, com a vitória em Guimarães. Até com a goleada dada ao Setúbal! E ao Leixões! E ao Nacional! E à Académica! E ao Marítimo no Funchal!
Sabe-se lá se o campeonato não pode vir a ser decidido por goal-average?
Em suma, o Benfica pode perder ou ganhar o título de mil e uma maneiras mas o cariz especulativo de José António Saraiva é mais restrito. Ele pretende somente exprimir o desejo de que as coisas assim aconteçam. Comedido nos méritos, limita-se à redacção que seu mestre-escola lhe ensinou, muito certinha nos pontos e vírgulas. Acrescenta-lhe umas pitadinhas de necromante, quiçá num seguidismo “papal” em retórica ao mestre defunto, e todo se delambe nos seus predicados.
Agora, uma coisa é importante que se assinale. Alguém conhecia tais dotes de treinador, de preparador físico ou de perito na arte de julgar qualidades futebolísticas de jogadores de futebol?
Se não se lhe conhece atavio de monta na arte arquitectural para que, dizem, foi formado, terá ele despontado, ao menos aqui, nas subtilezas da arte futebolística?
Eu confesso humildemente que desconheço! E tenho cá uma fezada de que José António Saraiva também conhece tanto disso como de alguidares de azeite!
Mas vai-se divertindo! Escrevendo sobre o Benfica, claro!... Com quem mais poderia ter ele a veleidade de sonhar que outrem dedicasse uma pausa para a leitura, apressada, dos seus escritos?